Thursday, June 21, 2007

ANA C.








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foto - Cecília Leal

P/Armando Freitas Filho

eu me tenha iludido! eu me tenha iludido! a repetição é fundamental, meu caro. a repetição é fundamental, mas eu me sinto um pouco assim assim, vamos embora, vamos dizer que tudo não passa, vamos dizer que medéia te espera: medéia tem um aspecto mais moderno do que se podia imaginar. ando tal como um hamster, corro pra lá e pra cá qual exatamente um hamster (e não um hamster ferido). chega um ponto. eu sinto falta. digamos que é hora de começar a escrever ''as memórias''. imaginárias memórias boreais. tudo tão antigamente sugestivo. imaginá-las auroras. munir-se de exemplos. contando-as criticamente. este projeto me atrai. o que é a metafísica? eu sinto que me desgarro, me des-garra rútila no portal.eu tenha me iludido!espero qualquer chegada com uma frase: eu tenha me iludido.acho que vou me suicidar.
ANA CRISTINA CESAR

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"Lendo Ferlinghetti não penso/em Nova York no verão/ mas nos cheiros de pessoas que não suspeitam que têm cheiros/e em mim de volta/tentando decifrar saudades/ficções do Humaitá/ lendo Ferlinghetti não penso nos amantes cobertos pela árvore/resistindo e rasgando-se/de novo/penso sim"
ANA CRISTINA CESAR
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para Ana C.:

AUSÊNCIA.

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


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