Sunday, June 17, 2007

CLIFTON GIOVANINI

A inquietude de uma tarde monótona respira mais aliviada entre fumaças de cigarros e a pacata morbidez envolta nas agitações sem nome e sem desvio. Recolho-me para sofrer não sofrendo. Não existe tédio quando encontro a solidão perfeita. Tudo o que me resta de mais sombrio e remoto, rejuvenesce-me, pois sou feito de partes distantes que se entrelaçam para encontrar o sentido da menor ação e contemplamento. Sou lento demais para ouvir pegadas e prever seu futuro. Busco na pena o tempo que me sobra, o tempo que me falta. E quando parado vou mais rápido que pensando ou tentando pensar. A luz acompanha tudo o que vemos, até os sentimentos que não temos como classificar... não quero pensá-lo, sinto-me cansado. Mas as evidências logo darão razão ao que falo – meu orgulho é estúpido demais para perceber a mentira. Entrelaço-me entre o sono e os pensamentos que não tenho, e é por isso não me arrependo e insisto em desmentir. Seu único progresso – continuar enquanto alguém estiver dormindo - evitar sempre qualquer ruído, balançá-lo como um recém-nascido, daqueles tão frágeis que não se pode acender a forte luz. Contento-me com uma vela e um aquecedor. O que mais precisaria meu deus! Um papel quente para reclinar esta cabeça que insiste em ouvir o barulho das ondas. E não se apresse! Continue dizendo, continue mal-dizendo... mas continue. E meu lapso é brutal frente aos inimigos que não vejo. Duvido que me tragam algum dia a esperança da retomada. Um cálice! Por favor! Tragam-me o cálice e farei um brinde. A tudo que temos passado. A tudo que haveremos de sofrer. A tudo que viva em que haja poesia.. e uma noite um pouco menos solitária...
- Clifton Giovanini vive em Curitiba.