Saturday, August 04, 2007

SEDE DE AMAR Nº 1

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
..

.
MUNCH


A mulher dobra o arco-íris
e o esconde sob a mortalha.
Colhe a estrela matutina
e a aninha, ainda quente,
entre as rosas mortuárias.
A pedra pequena recolhida
nos trilhos da rua do amado
coloca em seu ouvido
como concha
para levar na eternidade
o eco dos passos dele.
Ela está morrendo
e seu amor não sabe.
Bebe o último copo d'água
sabendo
que a sede mais intensa
nunca foi saciada.

BÁRBARA LIA