Thursday, December 20, 2007

NOITES BRANCAS



1.


Luar - manto prata
Líquida névoa
no roseiral
Noites brancas
A rede branca
O branco leite
A branca gargalhada
de meu pai
Branca vida
Envolvida

em laço de cores:

- O arco-íris que desmaiava
na encruzilhada -



2.


“Vaga-lume,
tem-tem.
Teu pai tá aqui.
Tua mãe também.”

Senha-canção
que trazia
a luz faiscante
entre as árvores
perfumadas.
Chuva de flores
na calçada.
Mãos pequeninas
a colher
entre arbustos
lanternas de luzes,
pirilampos
na noite aveludada.
Guardar na redoma
das lembranças belas:
A noite dos vaga-lumes
e das fadas.


3.

Fio d’água na calha.
Pequena fonte que faz girar
a roda dos sonhos.
Água que move a engrenagem,
opera o milagre de dezembro:
- Presépio na minha aldeia -
Nunca soube o que Maria e o Menino
tinham a ver com o monjolo triste...
Mas, evocava a vida.
E esta cena, em mim persiste.


BÁRBARA LIA