Thursday, June 12, 2008

Poesia na sala de aula


minha flor, com direito a borboleta


A professora Silvia de Almeida Vicentin da Escola Guilherme Butler - da rede municipal de ensino - convidou-me para falar de poesia para seus alunos, dentro de um projeto que ela desenvolve. As turmas? 4ª série. Fiquei feliz com o convite e nesta quarta - dia 11 - passei meu dia entre as crianças. A Silvia fêz uma dupla surpresa - Ela não contou aos seus aluninhos que eu iria. Ela também não me contou que as crianças estavam preparando um recital com minhas poesias. Foi um dia lindo. Algumas alunas fizeram uma espécie de jogral com algumas poesias que elas escolheram, outras optaram por falar sozinhas o poema, e na turma da tarde algumas fizeram poesias para mim. Teve bate-papo, entrevista e troca de poesia. Levei o livro - A última chuva - prá eles. A diretora Maria Inês declamou Mar Português. A escola fica ao lado do Farol do Saber Fernando Pessoa. A Silvia, a Lucimar (a outra professora das turmas de 4ª série) e a diretora Maria Inês presentearam-me com lembranças do colégio e uma linda flor rosa, com uma borboleta voejante. Quando me enviarem as fotos vou publicar aqui. Meu dia ficou MUITO rico e pelos olhinhos brilhantes da meninada sei que o dia delas também.
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os jograis de ontem (lindos!):
FLORA
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“Grão, o amor da gente é como um grão”
Gilberto Gil
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grão
grão
grão
a cantar
as horas
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gota
gota
gota
a cantar
a chuva
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folha
folha
folha
a cantar
o outono
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bem-te-vi
bem-te-vi
bem-te-vi
a cantar
novo dia
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lâmina
lâmina
lâmina
a cantar
o amor
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(Amar é ferir-se
emlâminas
sollasidoremifa)
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VIOLETAS BRANCAS
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Sigo teus passos, feito asteca, sonhando
a terra eterna e rica – tua pele.
Pele dos diários, onde leio a lua.
A maré suave que me enlaça nua,
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écharpe de brisa e aurora, corais gris.
Adeus soledade de pedra. Paloma triste
em vôo riste, ao longe.
O deus-do-sol-do-meio-dia, colibri azul
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da era atômica, é um sopro de luz e sons.
Sonhos delineados na tela fria.
O mundo sangra e transforma a garça
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em íbis rubro. Leio um salmo antigo,
acordo em manhãs violetas. Tenho por companhia
um pequeno vaso de violetas brancas.
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CLARICE
Dois corações selvagens
na selva do impossível
tão perto que o respirar
deles é transfusão de sangue.
Depois da noite nuclear -
amantes
rompendo o ventre
da laranja mecânica -
a mostrar viva as entranhas
do céu,
nego-me a escrever versos
para amores lúgubres
plenos de tédio
de flacidez no olhar e no abraço
no passo e no sorriso
Depois de Deus...
quem me levará ao paraíso?
Prefiro o inferno na selva.
Dois corações selvagens
Perto...
Perto...
Perto...
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Flora e Clarice estão no livro A última chuva (ME ed alternativas) - Violetas Brancas em O sal das rosas (Lumme editor)