Saturday, June 07, 2008

a Rodin

Sakountala - Camille Claudel


(...) Como seria gentil se me comprasse uma roupa de banho azul escura com galões brancos, em duas peças, blusa e calça (tamanho médio), no Louvre ou no Bon Marché (de sarja) ou em Tours!
Durmo nua todas as noites na ilusão de que está a meu lado,mas quando acordo já não é mais a mesma coisa.
Um beijo
Camille
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Sobretudo, não volte a me enganar.

(Camille Claudel 1891)
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- Sakountala, que Camille concluiu em 1.888, foi a escultura/poema do tempo de felicidade, ainda. Após romper com Rodin ela seguiu com esculturas/poemas que delatavam a dor da perda e uma angústia em pedra - L'âge mur, La implorante, Hamadryade, Le dieu envolé e outras...
Junho tem muitos corações bregas na tv e em toda parte, esta ilusão fóssil de que todos os amores são leves voejantes e cor-de-rosa. O de Camille por Rodin retrata a impotência de uma mulher brigando com furor pela sua arte, e sendo descartada, assim, atirada ao asilo de loucos por trinta anos. O que aconteceu à Camille foi um dos grandes ultrajes à alma feminina, um abandono, como é o subtítulo da escultura - Sakountala - o abandono. Para qualquer um, ainda neste milênio, o espanto se instaura quando uma mulher toma as rédeas de seu querer, proclama seu desejo, desnuda-se em poesia, esculturas, ou de qualquer forma. Rodins ainda existem. E isto é uma pena. Camille pagou um preço alto demais por esta liberdade furiosa. Em uma carta Rodin a chamava - Minha furiosa amiga.