Wednesday, November 19, 2008

Hamadryade

.

Poesia escrita com cinzel
Resquícios passados à pedra
a retirar das entranhas, risos
e guirlanda de nenúfares
.
.
Ninfa das árvores
tocada de abismo
a olhar o limiar trágico
acima dos lagos azulados
.
.
Hamadryade orgulhosa
retorna ao quarto escuro
brancas corujas no muro
no casarão da vida gloriosa
.
.Crua beleza nua,
Danaide
ouvindo as estrelas do Sena
um céu-verde claro sonoro
a levar a barca dos amantes
.
.
(Trinta anos descolorem
rios
pedras
corujas.
Nunca os nenúfares)
.
.

Estes que rolam em cascatas
no castanho seda dos cabelos
e caem no lago do esquecimento
calcinando o ódio da menina
de Villeneuve-sur-Fére
.
.Sepultada viva em Ville-Èvrard
sonha na cripta:
o café do Brasil
cerejas embebidas em aguardente
um pacote de amor de mãe
um beijo da coruja ausente



Esculpe em astros abrasados
o ódio ao amante hostil
dorme congelada
destroços abraçados
à uma tola estrela senil

BÁRBARA LIA

(Para Camille, com uma flor de pedra)