Friday, April 03, 2009

estante #14




O céu de Lisboa

(Lisbon Story, Win Wenders, Ger/Por. 1994).



É sobre sons - e sobre o silêncio. Nova, sincera e bonita declaração de Wenders ao cinema e à cidade pela qual se enamorou. Ao contar a estória de um técnico (Rudigler Volgler) que caminha por Lisboa gravando material para um documentário, ele registrou o imaginário, a nostalgia, o fado mítico que permeia o inconsciente da capital. Acrescentando a isso elementos de suas próprias obsessões - passado, fuga, busca, o retorno, a poesia do silêncio - fez um filme triste, saudoso. É como um nostálgico, ou criança, veria Lisboa (e o cinema) Fundindo Fernando Pessoa com Buster Keaton em The Cameraman, jogou-os dentro de uma LIsboa ingênua, perdida no tempo, de delicadas imagens e pequenos sons. Com vários poemas de Pessoa lidos em inglês e alemão e o diretor português Manoel de Oliveira dando um texto. Um sósia do próprio Pessoa é visto de relance, no fim, na sequência que homenageia Keaton, quanto todos quase são atropelados não por um trem, mas por um elétrico. Madredeus criou a trilha. A solista Teresa Salgueiro - sempre de passagem, bela e triste como uma canção de Amália Rodrigues - aparece em alguns diálogos; está arrasadoramente melancólica (há séculos de solidão e misterioso silêncio em seu rosto quando ela explica a alguém que está indo viajar de novo). Liza Rinzler fotografou, Peter Przygodda e Anne Schnee montaram. Produzido por Wener e Paulo Branco, pela Road Movies.
p. 376
Descríticas
- 316 filmes -
Almir Feijó
Criar Edições
2ª edição (revisada) 2004

- Guardo com carinho este presente do Almir Feijó - Sua crítica sincera,corrosiva e inteligente de 316 filmes. Uma obra de Arte.