Thursday, July 02, 2009

Rodrigo de Souza Leão, descansa em paz hermano


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Você chora a vida, como chorei ontem no workshop do Luiz Alberto de Abreu, ao evocar o nascimento do meu filho caçula. Você chora a morte quando chega o recado do meu irmão Cássio Amaral contando que nosso poeta querido morreu. No instante assim, do impacto, é tudo mentira. É uma inverdade que vai sumir no ar como o canto das gralhas que riscam o céu de dia de inverno em Curitiba. O que elas cantam? O que cantava Rodrigo? Lembro a chegada do livro dele, a leitura que me deixou plena de interrogações e me sentindo humana. Vou ler e reler e reler o recado do Cássio, até que ele se apague. E a verdade desta perda empobrece infinitamente a nossa poesia. Como se aos verdadeiros poetas fosse negado o direito. De viver, de estar, de proclamar. Rodrigo foi o moço com quem eu sempre troquei palavras e poesia. Esparsas. Raramente. Mas, tudo fecundo, humano, tocado desta elevação que deve ter o trato da ARTE. A perda. A maior. Espero que a paz o alcance e que em algum lugar ele divida um quarto branco com Rimbaud e que veja não espectro de um cristo em um morro, mas a luz verdadeira, isto que chamamos Deus. Valeu, Rodrigo. Hoje coloquei a poesia Luzes de Marfim, ela nasceu de um momento em uma oficina de poesia -- do Karl - quando ele disse - escrevam algo pensando - o que vai ser depois que eu morrer - eu pensei nisto, na luz eterna, na lembrança das belezas que nos seguem, com certeza não apenas uma... Várias imagens, memória da beleza que vai estar lá, onde a BELEZA se faz possível. Como avisos lentos: a poesia que coloquei cinco minutos antes da notícia, o livro dele - todos os cachorros são azuis - ter saltado às minhas mãos, ontem, quando procurava algo na estante. Hoje, neste dia 02 de julho, o cenário poético empobreceu, subitamente.


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mês passado pedi ao rodrigo autorização para publicar uma de suas telas e a coloquei com uma poesia que falava da realidade que rasga a alma dos poetas...
http://chaparaasborboletas.blogspot.com/2009/06/retrato-de-gregor-sampsa-ii-rodrigo-de.html
escrevo tudo isto no impacto de uma notícia... e a poesia segue, é só o que nos segue, afinal...

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depoimento do Cássio Amaral...

A POESIA CHORA


Cheguei da escola onde leciono de manhã.
Abri o email e vi que tinha um recado no orkut
da Maria Dulce. Não me toquei de cara quem era,
mas o recado me deixou muito triste e foi um golpe
fulminante. O irmão dela, meu amigo e irmão
Rodrigo de Souza Leão passou hoje para o mundo
espiritual.
Digão que recentemente me apresentou Olga Savary
que é minha leitura para elaborar meu projeto de mestrado.
Aquela tarde no Rio, onde Ricardo Wagner, L. Rafael Nolli
e eu o entrevistamos. Rimos, aprendemos e sacamos muita
coisa de literatura e poesia.
Na minha concepção ele é o melhor poeta da sua geração.
A geração anos 90.
Seu livro Todos os cachorros são azuis está concorrendo
entre os 50 livros do prêmio Telecom Portugal.
Mano véio estou muito triste porque achei que
em breve iria no Rio pra te dar um abraço e rir com você.
Sua obra fica e fala por si só.
Rodrigo de Souza Leão é uma luz no fim do túnel na época de vacas
magras, de consumismo acelerado, de poetas que só querem ser
considerados poetas pop stars e estrelinhas.
Digão é o corte, a espada, a lança , o grito e a equilibrada
sutileza da poesia. É muito além do que críticos possam
definir.
Estou triste,mas de onde estiver sei que sua poesia vai brilhar
sempre.


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do blog
http://cassioamaral.blogspot.com/


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