Tuesday, September 08, 2009

Quanti amore!






Non ti muovere - Penélope Cruz e Sérgio Castellitto (Belo!)
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Ela se chama Itália e ele é o médico que a recorda e diz para a enfermeira do medo que ele sentia de perdê-la. Se ela morresse, morreria com ela as árvores, os cães, os rios... Ele abre a janela e a chuva cai, como esta chuva que cai agora.
A chuva é a alma de Deus que visita os amantes. Todo amor em seu ápice tem como fundo musical a chuva.
Esperei tempo demais para ver este filme e finalmente chegou junto com a chuva - Non ti muovere! Não te movas! O esplendor lírico sensual de Penélope Cruz, que atua com a matéria desconhecida, não com o corpo mas com o espírito e ela consegue explodir como mulher, em sensualidade, em ultraje - este que tantas sofrem no corpo e no espírito - É triste, mas, é libertador. Reconhecer-se na chuva e na entrega, na loucura cega que não se explica... Como último baluarte de esperança, ficar repetindo aquela frase de Clarice Lipector:
Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento. Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Eu sou uma pergunta.
Todos os filmes de amor com esta carga de verdade. Então as ilusões tolas voariam pela janela, dissipariam com a chuva. E é qual a canção final - Não existe um senso nesta vida. Não há senso em uma história real. O que há é a chuva, esta alma líquida que desce para recuperar a energia, como se Deus necessitasse dos que amam para não morrer. Posto que Deus também morre.