
Lá vem a Rosa fatídica
espectro no meu toucador
Rosa-sombra
fantasma na minha cama.
Rosas?
.
As do jardim são belas
perfumam
o luar fendido.
Tu, Rosa inodora
madura e obscura
leva em surdina
na madrugada escura
o augusto corpo
do homem meu
.
O deus voou?
.
Que nada!
Foi raptado
por uma Rosa
descarnada
.
E nas suas pegadas
a flor humilhada
eterna suplicante
replicante
.
MORTA!
.
Milhões de anos
escorrerão pelas ampulhetas
todas as estrelas derretidas
o universo líquido
tudo aniquilado em água
.
O Deus Desconhecido
Este que hora me ignora
verá – incrédulo –
nadando no azul-olhos-de-Camille
.
O casal que escapa
Rosa cruel o esconde em sua capa
esquálida face sem escrúpulos
.
as mãos da suplicante – dor da dor -
querendo alcançar o deus de hoje
que a Rosa horrorosa leva
sem pudor.
Bárbara Lia
- Para Camille, com uma flor de pedra
...
Nesta escultura Camille Claudel é a -suplicante- O homem mais velho levado pela mulher mais velha - representada por um rosto descarnado - horrível. O homem é Rodin a mulher Rose. Camille a representa como uma figura velha, caquética, quase morta. Estas poesias da série - Para Camille, com uma flor de pedra - foram escritas usando a licença poética de se imaginar na pele de Camille. Todas as poesias tem por título uma obra de Camille.