Thursday, October 15, 2009

L’ÂGE MÛR



L'âge Mûr - A idade madura - escultura de Camille Claudel.

.

Lá vem a Rosa fatídica

espectro no meu toucador

Rosa-sombra

fantasma na minha cama.

Rosas?

.
As do jardim são belas

perfumam

o luar fendido.

Tu, Rosa inodora

madura e obscura

leva em surdina

na madrugada escura

o augusto corpo

do homem meu

.

O deus voou?

.

Que nada!

Foi raptado

por uma Rosa

descarnada

.

E nas suas pegadas

a flor humilhada

eterna suplicante

replicante

.

MORTA!

.

Milhões de anos

escorrerão pelas ampulhetas

todas as estrelas derretidas

o universo líquido

tudo aniquilado em água

.

O Deus Desconhecido

Este que hora me ignora

verá – incrédulo –

nadando no azul-olhos-de-Camille

.

O casal que escapa

Rosa cruel o esconde em sua capa

esquálida face sem escrúpulos

.

as mãos da suplicante – dor da dor -

querendo alcançar o deus de hoje

que a Rosa horrorosa leva

sem pudor.

Bárbara Lia

- Para Camille, com uma flor de pedra


...

Nesta escultura Camille Claudel é a -suplicante- O homem mais velho levado pela mulher mais velha - representada por um rosto descarnado - horrível. O homem é Rodin a mulher Rose. Camille a representa como uma figura velha, caquética, quase morta. Estas poesias da série - Para Camille, com uma flor de pedra - foram escritas usando a licença poética de se imaginar na pele de Camille. Todas as poesias tem por título uma obra de Camille.