Sunday, November 22, 2009

O Sublime em 2009



(ler acentuando mentalmente - deu pane no teclado)

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Ontem dois poetas em uma sala quase escura (Cafe do Paço) em uma tarde amena com uma plateia pequena, mas, notoria, leram seus versos sublimes e pitorescos.
Edson Falcao e eu. Uma tarde poetica.
Sai de la pensando no Sublime. No que tocou dentro e carimbou este ano com a poesia, para que eu nao me esqueca dela. Ainda que eu corra para a prosa. Ainda que eu tenha passado um ano inteiro lendo os Textos Teatrais, que era nossa tarefa na Oficina. Ainda que tenha me debrucado em escrever outro romance, terminar outra historia, escrever muitos contos em nossas aulas, cenas e cenas e cenas...
A poesia esta ali, sempre a espera, gruda em mim a saida dos edificios, acorda-me nas manhas com a voz do bem-te-vi, chega com as noticias todas - a mais sublime de 2009 - um neto que tem nome de Rimbaud - Arthur.
O Sublime em 2009 veio na fala do Roberto Alvim. Geralmente nao gosto de Oficinas, mas, O Teatro era o misterio maior, o desconhecido. O que existe de raro neste oficio (ponto de interrogacao)
Roberto Alvim incorpora a entidade sagrada que plantou nas ruinas da Grecia o primeiro coro de atores e rasgou o mundo com esta arte - representacao. Ele chega e diz como quem esta usando a voz dos deuses antigos. Logo nas primeiras aulas ele falou de poetas e de poesias como quem leu MUITA poesia. Ele disse com uma sapiencia latente sobre o grande poder da palavra. Eu pensava - quero ficar aqui ate o fim pra ouvir este cara. Este cara sabe os segredos mais puros desta Arte e veio aqui repartir isto. Uma dadiva. Lembro que o Sublime era tambem misterio, este desvelar suave de uma cortina que ainda nao se abriu inteira, mas, que me permitiu ver a genese da cena. La esta o mundo do Teatro inteiro - sem pudores ou frescura (ando cansada de frescura, de gente fresca assassinando a Arte) Quando eu vi a Arte incorporando em um dramaturgo, a dizer o que realmente importa eu disse - vou ficar aqui - bebendo o Sublime e tendo acesso ao contemporaneo da Arte Dramatica, lendo as pecas de Pinter e Kane e Jon Fosse, Vinaver e outros... Partilhando do nascimento de novos textos, com vontade de ampliar cada dia mais a minha insercao neste fantastico mundo, sem medo, sem pudores. Rasgando toda a pele, a pele que esconde - a senhora - ir adiante, lutando pelo Sublime, que na verdade pode ser simplesmente outro nome para Arte.
Respondendo a uma critica tosca que fizeram do seu espetaculo premiado - O quarto - Texto de Harold Pinter que arrebatou o premio Bravo, o Alvim disse -
...Continuo fazendo aquilo em que acredito com todas as minhas forças, desenhando imagens que procuram ampliar a experiência humana. Isso para mim é sagrado.
Nosso grande desafio. Ampliar a experiencia humana. Isto e Sublime. E Sagrado.
O Sublime em 2009 - ter mergulhado na poesia de Emily Dickinson - esta fonte inesgotavel de uma beleza que transcende.
As pessoas Sublimes que perdi em 2009. O Rodrigo de Souza Leao - ontem li uma poesia dele, no mes de seu aniversario, como um tributo ao carinho sublime que ele dedicou aos poetas todos. Meu primo-irmao o Ze Tadeu que deixou de heranca uma historia, toda a vida de um desprendimento sublime, esta ternura calada que faz falta.
O Sublime permanece.