Friday, February 05, 2010

O Ponto G do ImaGinário

.
A rua ao lado. Caminho para o Supermercado. A casa escondida, abaixo do nível da calçada. O teto desliza diante do olhar. O muro verde pixado com letras garrafais. É ali que Algo me arrebata, me tira do chão e seduz. Atinge o ponto G do meu Imaginário. Assim que ele me liberta de seus braços de nuvens, trago à reboque o título do novo livro que escrevo, as ideias, o toque necessário pra clarear tudo, terminar uma poesia, um conto, a palavra que falta, a frase que conecta. O mistério ainda está ali, naquela rua agitada onde carros ônibus motos e pedestres passam por mim, vorazes, voando. Eu no passo lerdo de Frida Kahlo, a sola do pé ardendo, o coração ardendo, a alma incendiada. E a rua de calçada estreita, o muro que esconde um lugar - presumo seja a mansarda do deus da imaginação - que entra sutilmente em mim e deposita o que me falta. Ontem pensei em deixar um livro na caixa de correio enferrujada. Uma nota de agradecimento que alguma dona de casa de cabelos curtos pintados de acaju vai ler, sem entender nada. Sem saber do invisível e do imaginário. Acho que Ele mora na laranjeira ou no telhado.