Thursday, May 20, 2010

Faz frio e eu canto

No mundo real nunca é A Hora da Estrela. É sempre a hora do aço e do confronto e do desencanto. O poeta necessita uma dose imensa de coragem. Driblar cada não. Tornar tudo um sim-jardim. Ser, à revelia de tudo, uma mínima estrela. Tentar digerir o mundo escrevendo versos e pisando espaços inóspitos, saguões de gelo, catedrais de desesperança. Tudo afinal é apenas o desafio que se enfrenta enquanto vive. O poeta escreve isto, com ritmos – Reggae, Tango, Bossa Nova, Ópera-rock...



O enigma decifrado


O que a onda diz
ao cão sentado
babando moluscos
e saudades?
Como rasgar a onda
sem cicatrizar em azul?
Beber a ardência seminal
de amantes afogados
como quem engole
segredos guardados
entre debruns
de ondas
em seu giz rendado.


*

Aléias azuis na cinza manhã
inflam o ar em luz e ardor
envolvem a sombra.



*



Acordes rascantes
do amor em goles.

Chávena com alfabeto fenício
- início.
Olhar de mel silvestre
e este lúdico instante

Brancura do éden erguida
distante da rua de pedra

Chuva azul debaixo da mesa
Castanholas

Vermelha dança flamenca
acordando a lua.

Ar gélido da rua nos desperta.
A noite começa com um sol sem juízo.

Chaleira chia
dança em meus olhos
o teu sorriso.

---Mergulhar em gavetas e arquivos, derramar a poesia sobre a mesa - Faz frio e é tempo de organizar armários, gavetas e de revisar arquivos. Recolher toda a poesia, espelhá-la para ver se não virou fantasma, pra ver se reflete ainda um fragmento daquilo que foi ou é a poeta. Pensamentos, poemas e esta paz congelada na esquina. Faz frio e eu canto...