Sunday, September 19, 2010

O poeta




Bright Star retrata o amor de John Keats e Fanny Brawne. A veracidade do filme nos acolhe, é possível sentir o farfalhar das borboletas em um quarto branco a lembrar a eternidade do amor. Como se o poeta assinasse um atestado de vida, assim como assinam a morte da carne em atestados ele assinou o de vida. O que morre? Nada morre, nem Keats, nem Fanny, nem a poesia. As falas colhidas como se eu habitasse Keats - O que ele fala sobre a poesia, o nascimento dela, como quem sabe
- a poesia é uma experiência além do pensamento -
"A construção poética é uma carcaça, uma fraude. Se a poesia não vem naturalmente, é melhor que não venha"
O mundo está contaminado pelos discursos milenares, pela hipocrisia, pela era do - brilho a qualquer custo - O poeta sabe que é uma experiência de dor, abrir seu ser para conter multidões... Ser um outro... O poeta sabe e Keats sabia. O POETA vive a respiração da dúvida, a certeza de que não é  nada, a angústia dos passos que o cercam, a incerteza de tudo. Os passos gastos perfurando a neve. É certo que ele viveu um período romântico, mas, é para o agora cada palavra:
"O poeta não é nenhum pouco poético. É a coisa mais antipoética que existe. Ele não tem identidade. Ele preenche continuamente outro corpo..."