Friday, September 02, 2011

a loucura nossa de cada dia e os inéditos em prosa e poesia

ontem abri o livro - Esta valsa é minha - Zelda Fitzgerald.
logo na abertura a identificação com aquela sensação dolorida de que não conseguimos pescar de volta o céu azul, esta impotência que assola e é derradeira...


Víamos outrora céus azuis e mares de verão
          Quando Tebas na tempestade e na chuva
Oscilou, como se fosse morrer.
          Oh, se fosses de novo possível,
Céu azul... céu azul!

Édipo, Rei de Tebas


O prefácio de Caio Fernando Abreu é mais belo que o livro. Zelda que me perdoe, mas, não devorei páginas como gosto quando leio um livro e não tenho mais paciência de ficar patinando e buscando uma razão para continuar. O prefácio, no entanto, é um texto onde este escritor genial resume o livro e até nos incita a lê-lo. Ele evoca Sylvia Plath e Ana Cristina Cesar... estas garotas que ousaram ir muito além do mediocremente permitido.


início do prefácio de Caio Fernando Abreu para - Esta Valsa é Minha.

Sempre imagino assim: um dia, um daqueles dias longos, chapados e doloridos da clínica psiquiátrica, Zelda sentou e escreveu, como se fosse a voz de outra pessoa, uma frase assim:
"Essas garotas pensam que podem fazer qualquer coisa e sair impunes".
Porque provavelmente era isso que diziam todos em volta dela. Ou só pensavam, nem era preciso dizer. Estava escrito nos olhos e no comportamento dos médicos, das enfermeiras, dos poucos amigos que a visitavam, e quem sabe até mesmo no rosto do marido Francis Scott, obrigado agora a escrever e vender ficção como se fosse salsichas para poder sustentá-la na clínica. Linda, jovem, talentosa, com um marido e uma filha lindos - e louca. Pode?

(...)



Minha avó dizia que de médico, poeta e louco todo mundo tem um pouco. Concordo com Caio Fernando Abreu que ir além do mediocre traz efeitos colaterais, feito Camille Claudel (também linda) e Zelda em uma clínica até o final da vida, ou interrompendo o ciclo feito Ana C. e Sylvia Plath. O olhar se perde vago na maré de egos e na insustentável falta de parâmetro que rege este ofício meu. O que mais posso fazer além de escrever e escrever?... Bater a porta na cara do assédio da morte e da desesperança e nunca enlouquecer além da loucura permitida a cada poeta. Seguir procurando uma frase de efeito para abrir um livro, mas, um livro que sustente da primeira à última frase o olhar de quem lê... Como a levar pelo rio do mistério e da magia, só isto. Já é Prêmio Suficiente, plena Bienal de Poesia, Festa Lírica em um Jardim ao lado de Pégasus, toda a sensação que era minha, antes de encontrar a realidade de roupa de gelo e olhar de espada. Cá estou com esta missão - um livro que pode demorar a vida que me resta para colocar no papel -  entre um e outro capítulo, poemas saltando como passe de mágica entre as mangas...
Vez ou outra alguém escreve um recado quando entro no facebook, e eu que não sou muito boa em conversas virtuais digo oi e adeus e desapareço. Perguntam se estou escrevendo. Sim. Eu estou. Escrevi um livro que considero especial, mas, ainda teimo nestes concursos literários e lá está meu livro - romance - em um lugar até o final do ano.
A cada ano escrevo um romance.
Tenho o livro de 2010 e o de 2011 - inéditos. Dois romances e Dois livros de Poesias:
A flor dentro da árvore está na editora, e não devo publicar todos os poemas dele no blog, eu creio, guardar para o livro impresso.
O outro sem título definitivo. Outro livro de poesias inédito. A gente sempre acha que o último livro é o mais bonito, este livro está realmente bonito. Um bloco com sonetos, o outro com poemas curtíssimos o que não é muito comum em minha poesia, um bloco de dor, outro de amor e assim la nave va...
Então, toda a poesia entre 2010 e 2011, eu as guardei com cuidado para este novo livro.