Wednesday, June 20, 2012

Bárbara Bandini


O magnetismo da vida de escritor está na marginalidade e na liberdade. Pergunte ao Pó trouxe o mito sonhado. Resumo da espécie: Bandini. Dinheiro apenas para um café, saltar a janela do quarto pra fugir da dona do hotel e levar sempre com ele a revista onde foi publicado seu único conto. Amar a garota que faz pouco caso dele, cuidar dela até o fim. Quem abandona a amada é covarde e covardes não nasceram para escrever grandes livros. Volto ao mito Bandini, espero a primavera e chuto o balde da facilidade. Na verdade, nem é preciso.
Ontem li alguns debates sobre o novo edital da Bolsa FUNARTE. Agora a Bolsa de Criação Literária é para iniciantes. Quem publicou mais de dois livros com ISBN não pode enviar um projeto.
Perdi o prazo do Portugal Telecom, pois esqueci o bendito ISBN e faltavam três dias. A flor dentro da árvore não concorreu a nenhum prêmio. Agora tudo que tenho é para a Saúde. Plano de Saúde, remédios e cuidados pra tentar não morrer tão cedo. Isto não permitiu me inscrever no Jabuti. Falta de grana e excesso de idade que não permitiu participar do concurso da Revista Granta. Tudo agora é controlado e mapeado por números e a ARTE não pode ser tolhida, encaixada em idade ou registros de livros ou coisa que o valha. Ver autores tentando aceitar e acatar e lutar por estas pequenas migalhas que o sistema atira na tentativa de calar uma classe, já calada, me entristece. A outra via é via de Piva e Marcos Prado. É produzir a poesia genial que vai ser reverenciada após a morte. Entre ser agraciada com espaços regrados e bolsas/esmolas, prefiro a segunda via. A vida de Bandini, a via dos poetas renegados... A grande confusão é que sou Mulher e em um mundo Homem, é mais um espinho. É o que faz te arrancarem com ódio da carne da Poesia. No final da história, no corpo da Poesia  eu sou uma cicatriz. Na pele do lugar onde vivo o corte foi mais profundo. Alguns tentam negar e negar a existência da poeta. Até ver a marca nítida. Esta presença que é corte e grita. Chama mais a atenção que toda a pirotecnia do todo. E sigo, Bandini, pela vida. Quase despejada, sucateada por alguns, sem apoio da família (exceto os filhos): Em resumo, VIVA!