Monday, July 09, 2012

Sylvia Plath: A perfeição é horrível





  1. Livros e livros sobre Sylvia Plath. Mergulhei na obra dela e li algumas biografias. Li - O deus selvagem - de A. Alvarez, aquele cara estranho que não foi suficientemente capaz de ser a âncora que a Sylvia precisava em seus últimos dias. Se ela suportaria melhor o pior inverno de Londres se tivesse encontrado em Alvarez o que precisava? Não sei. Basta ler -Cartas de Aniversário- o diálogo de Ted Hughes com a amada morta - para entender o mínimo necessário. A raíz do drama. Ted era o duplo de Otto (pai de Sylvia) a razão das tentativas de suicídio dela, ir ao encontro do pai. Ele diz claramente que se sentia assim, que podia ver a sombra de Otto quando caminhava em uma praia vazia. Foi neste amante/pai, nesta loucura de Electra que ela se agarrou. Ao perder Ted ela sofreu a dupla perda, sozinha em um País distante, sem ninguém, ela encerrou o ciclo e deixou todo mundo sem entender nada. Quem se mataria em uma casa com dois filhos pequenos no quarto de cima? Quem já não suporta mais estancar a ferida aberta. E o que ela escreveu? Pura poesia. Esta certa Frieda Hughes em lacrar seus poemas, não liberá-los para filminhos patéticos. A vida de qualquer ser humano merece respeito. Um olhar humano. A Poesia dela era excelente. Ted sabia disto. Era fenomenal esta mulher. Escreveria muito pela vida. Alguns dizem que o suicídio foi o que a levou a ser assim tão aclamada... Uma droga! Ao poeta resta escrever com cada gota sua e seguir sendo julgado por críticos, semanários, seus pares, sua família e todo e qualquer que se julgue capaz. É preciso ser muito competente para penetrar a alma de Sylvia Plath. É preciso respeito. Aqui vive uma menina pobre que venceu pelo talento. Uma mulher que seduziu um dos maiores poetas da Inglaterra, cuja obra foi ofuscada pelos que não conseguem separar o público do privado (isto está em toda parte). Aqui está a Mulher. Concluida. Com o pouco tempo que teve escreveu uma poesia de aço e sangue, plena de mantos de luas e deuses do mar. Ela e Ted amavam a Mitologia Grega. Casaram-se em um Dia de Bloom. Ampararam um ao outro durante o tempo da escrita. Ela tinha um projeto, como tenho os meus. Sucateados pela vida, pela falta de tranquilidade, quiçá. O mundo real a nos puxar e é preciso tempo, uma trégua. Recitar Chaucer às vacas, andar de bicicleta com o loiro ardente dos cabelos engalanado de vento, dançar com o poeta em uma festa e cravar em seu rosto uma mordida. Deixar sua marca em milhares de pessoas que jamais vão encontrar o fundo do fundo do fundo de sua alma espectral.