Wednesday, August 01, 2012

Dança atemporal




Mergulhada nos poemas de amor da Antologia - Amar, Verbo Atemporal. Lembro uma dança antiga, ao ler o poema de Gregório de Mattos.
Em 2003 acompanhei meu filho Thomas a uma oficina de poesia. E foi proposto o exercício de reescrever um soneto de Gregório de Mattos. E este soneto é o poema de amor de Gregorio de Mattos, na página 129 de - Amar, Verbo Atemporal.



Aos afetos e lágrimas derramadas na
ausência da Dama a quem queria bem

Ardor em firme coração nascido:
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

tu, que em ímpeto abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo em cristais aprisionado;
quando cristal, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente.
se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente.
permitiu parecesse a chama fria.

Gregório de Mattos
Amar, Verbo Atemporal - 100 poemas de amor
organização Celina Portocarrero
Rocco ed. - 2012
pg. 129


A dança com algumas palavras saqueadas do poema do velho e maravilhoso Gregório, convertidas em um soneto de ausência.
Nuvem fria. Ou, Cold Cloud. A recriação da perda:

Cold Cloud

Ardor louco em mim aguerrido
E o pranto triste derramado
Nosso incêndio alastrado
Em rio de abandono convertido

Busquei-te nas auroras escondido
Todos os nós do meu peito desatado
Deste amor que me manteve aprisionado
No gelo – da ausência – derretido

Se me abraçasses longamente
Em silêncio esquecesses a porfia
Preferistes ser prudente

Amor negado se transforma em tirania
Como quando o sol em manhã ardente
Permitiu que lhe nublasse a nuvem fria
Bárbara Lia