Thursday, January 03, 2013

18 h no bar "O Torto" depois do Apocalipse - Bárbara Lia





Abriu o livro como quem encontra um tesouro e lá estavam as quatro belas fotografias do seu barco. Sorriu. Retirou as fotos de dentro do livro, recolocou o exemplar na estante. O olhar voltou ao livro de Ana Cristina Cesar. A imagem da moça triste fez desabrochar uma flor de saudade subitamente dentro dele, uma flor que violentou seu coração e rasgou tudo acima da camisa, uma flor-lâmina cortando o coração e abrindo os ossos do seu peito e brilhando branca de luz e certeza - Estava se apaixonando pela desconhecida... Respirou fundo e abriu o livro, leu uma poesia, fechou o livro, recolocou-o no lugar e saiu a duros passos daquele passado perfumado para o qual ele não queria voltar, com as palavras de Ana C. vibrando na alma e os pelos arrepiados.

tenho uma cama branca
          e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
          e limpa à minha espera.

Samuel ansiando entrar na vida branca da menina, na cama branca e limpa, no corpo branco, mudo convite.

mínimo foragmento do romance inédito 18 h no bar "O Torto" depois do Apocalipse - Bárbara Lia