Passeando pelo Youtube encontrei um vídeo de Stephen Fry. Ele estava lançando um livro em Amsterdam. Comecei a assistir acreditando que breve mudaria a página, pois não tenho muita paciência para papos acadêmicos. Vi o vídeo inteiro, quase uma hora. Ele não falou de sua própria escrita. Ele falou de sua vida, talvez por estar lançando sua biografia. Mas, fiquei com a impressão que ele é este cara que se coloca dentro do mundo e para fora do seu umbigo. Ele é humorista, ator, o que dá a ele o completo domínio de uma plateia. O que surpreendeu foi a declaração de amor que ele fez a Oscar Wilde. Lembrou aquela sensação que todos temos quando nos encontramos dentro de um livro, definimos nossa identidade, nos sentimos salvos, nos sentimos amparados, parte do mundo e somos envolvidos por aquele glacê de felicidade que ameniza décadas de buscas. A Literatura é a potência das potências e apenas ela consegue moldar vidas, alterar caminhos, despertar todos os nossos anjos e demônios adormecidos, inaugurar - subitamente - um paraíso inteiro dentro de qualquer um. Para Stephen foi a tábua de salvação descobrir que - antes dele - Oscar enfrentou o mundo e sofreu punições supremas pela sua opção sexual. Stephen vivia no interior da Inglaterra e sentia-se - certamente - um estranho no ninho. Ao descobrir os livros de Oscar Wilde ele ficou fascinado, pela Literatura e amparado pela similaridade de suas almas. Dias depois de ficar totalmente envolvida pela fala deste cara, encontrei o filme - Wilde - de 1997, onde o próprio Stephen Fry interpreta Oscar Wilde. Não li nada deste autor, ele escreve poesias também. Encontrei algumas em inglês. Fiquei feliz por ter topado com aquele homem alto e totalmente sincero, bebi sua fala, fiquei feliz ao descobrir que ele também nasceu em um dia 24 de agosto, dois anos depois do meu nascimento. Somos virginianos, somos poetas e e estamos no mundo em movimento contínuo contra as segregações. Nós somos pessoas diferentes, mas, ousamos rir disso. Nós seguimos imprimindo a nossa marca e temos esta peculiaridade de nem falarmos muito de nós, de viver falando daqueles que nos abalam, nos movem, nos ajudam a entender essa coisa estranha chamada vida.
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