Thursday, May 17, 2018

Sobre o amor em toda sua amplitude...

O Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia é festejado em 17 de maio. E para falar sobre estes que vivem - outra maneira de amar - vou desvelar a delicada flor dos que trafegam por este território e precisam enfrentar o estranhamento do mundo.
Nos últimos meses estou vivendo dentro de um filme que me fez ir em busca de um livro que me fez ir em busca dos filmes de Luca Guadagnino e me fez ir em busca de todos os filmes em que Timothée Chalamet atuou, até mesmo suas atuações em peças de teatro disponíveis na Internet de quando ele estreou nos palcos de N. York e recebeu olhares, quando ele atuou em Prodigal Son (John Patick Shanley) ou mesmo em filmes independentes como "One &Two" ou "Miss Stevens" dava para tocar sua sensibilidade dramática. Em filmes e séries comerciais sua aparição foi bem pequena, mas suficiente para chamar a atenção em "Homeland" e "Interestelar". 
Em uma entrevista do meu amigo Marcelo Bourscheid ele disse que os atores melhoraram suas peças. E concordo que outro ator não elevaria este filme a um estupendo patamar de beleza não fosse este ator Timothée Chalamet. 
O livro de André Aciman - Call me by your name - é de 2007, as conversas em torno de transformar o livro em filme evoluíram ano a ano ajudaram a construir uma obra prima. Primeiro por ser James Ivory o escolhido para adaptar o livro para as telas. A paciência de Peter Spears e Luca Guadagnino e uma série de eventos que levaram aos atores mais que certos para interpretar os personagens centrais e a história de André Aciman se transformou em um dos filmes mais perfeitos que assisti em minha vida. É sobre dois homens jovens que se deparam com o amor no verão de 1983 em uma pequena vila no norte da Itália. Elio (Timothée Chalamet) e Oliver (Armie Hammer) sugam a plateia para uma jornada de beleza e poesia, coisa mais linda de se ver.
Cada vez que Luca Guadagnino insistia que era uma história de amor e desviava a classificação do filme de - filme gay - para - história de amor - eu pensava em um mundo possível, sem classificações. Onde o amor seja amor apenas e normal para toda gente.
Os atores incorporaram personagens, ainda que heterossexuais, entregaram-se e com tanta potência que continuaram "enamorados", ou atados pelo fio da beleza que é ser tocado pelo frágil. O amor é frágil. Armie Hammer tem uma mulher livre ao seu lado, sensível a ponto de pisar ao lado da Arte sem fazer ruir elos reais até que ele fosse "lavado" daquele encanto que ele incorporou. Timothée Chalamet seduziu o mundo (homens e mulheres). Lembra James Dean por ser tímido e extremamente belo e talentoso. Espera-se que não seja devorado como River Phoenix e Heather Ledger.
Neste dia de luta contra a homofobia eu penso na naturalidade de ser humano e em um mundo onde o amor floresça em algum verão, seja como for, e por quem for, sabendo que eu sou uma sonhadora e continuarão matando transsexuais e discriminando quem vive o amor fora dos modelos oficiais.
Por algumas horas tudo muda, a Arte tudo muda, resta esperar que os corações reais mudem, e o mundo seja menos rude, menos intolerante com algo tão humano e mais intolerante com mortes e carnificinas de crianças pelo mundo.
Eu penso neste livro de André Aciman, que eu li no original, e no filme que recria cenas de épicos:
- "Play that again" a frase de Oliver para Elio, e o menino vê a chance de impressionar o homem que o impressiona, senta-se ao piano, maroto na arte da sedução... Ele executa Bach em três versões. E faz lembrar lembrar Casablanca: play it again, Sam.
- O balcão dos amantes. Romeu & Romeu, era moderna, onde não é preciso forjar a morte de ninguém para assinalar a impossibilidade das histórias de amor. Talvez isto faça o filme virar esta febre, pois também esbarramos e nos despedimos de amores e as nuances deste encontro/desencontro valida nossos próprios amores. Esta eternidade ilusória dos clássicos, de não ficar para sempre ao lado pela morte do outro. 
- A despedida na estação de trem. Estas pequenas evocações de tudo que há em belos romances de amor e nem importa se é uma história de amor ou perda. É um filme lavado em esperança de que um dia em que todos os pais digam a seus filhos o que o pai de Elio disse a ele em um dos monólogos mais belos já escritos.

André Aciman vem para a Flip.
E eu já vi "Call me by your name" umas dez vezes.
Mas não vou a Flip, eu acho.
Teci poemas para os personagens.
Sempre lembramos os livros com um início marcante.
Se eu pudesse eleger um livro com um final mais belo, seria este.
Spoiler nesta narrativa na voz de Armie Hammer.

Peace & Love - diria Timothée Chalamet.

Ainda estamos longe, mas quem sabe.

O vídeo traz a narrativa da cena filme do livro de André Aciman, na voz do ator Armie Hammer, com cenas do filme - Call me by your name.







Monólogo para o dia de hoje:

Monólogo Professor Perlman 



 




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link para o livro  

Eli∞liver