Tuesday, September 22, 2009

AMOR MAR MUERTO

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Amor mar muerto

Diez veces más sal

Que un amor normal

Aire atado

De amores muertos

Asustados

Con el amor vivo

Que rasga la roca

De modo que fluyan

Él liquido

Y lo granítico

De las flores

BÁRBARA LIA

Friday, September 18, 2009

Passeio


Beethoven passeia
no lado negro
da lua solteira



Bárbara Lia

Thursday, September 17, 2009

estante #26


Lugar Comum I: A Exclusão
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Cidade de Deus - às vezes o casulo é tão

apertado

que as lagartas morrem

sem sonhar que podiam ser borboletas

ana rüsche - rasgada

Quinze & Trinta Edições (2005)

Wednesday, September 16, 2009





Texto Criativo
sobre "NOIR", da poeta e historiadora Barbara Lia

por Luis Serguilha
A Sonoridade dos tigres das metáforas mobilizam as homenagens solares e a Barbara encaminha as linfas dos elementos energéticos até à desvairada obscuridade das criptas. As palavras como cordas expansíveis desencarceram os pássaros loucos da sua interioridade. NOIR símbolo da febre submarina e dos silêncios das escamas incandescentes que flutuam sobre as abóbadas da angústia e do medo. NOIR PALAVRA INESGOTÁVEL tentando completar a Barbara em sucessivos renascimentos. O lugar inaugural da catarse canta a solidão da rebeldia e transpõe a diminuição dos abismos como a verdadeira arte da mudança. Barbara restaura os magnetismos das palavras para iluminar a decisão primordial do desejo, libertando o silêncio e a vida absoluta porque quer a manifestação sensual na incorruptibilidade do ser.
Barbara diz ´´que é a palavra´´, ou o vivo movimento das origens das suas impulsões plenas de mistérios e de metamorfoses poéticas, revelando regeneradoramente o jogo erótico onde os astros soltam as línguas infindáveis. Os vestuários das inflexões atravessam os instantes do cromatismo das feridas, este circulo de crisálidas alucinantes que BARBARA encandeia com a violência dos seus ecos, com o naufrágio da claridade dos ritmos, com o sal-húmus das gargantas dos cenários.
As imagens ampliadas dos corpos fluem através das mandíbulas líquidas que proliferam sobre os acordes inatacáveis deste livro, porque a Barbara modela-se a si própria entre as unânimes correspondências: aqui a reciprocidade das vibrações forma os cavalos dos limites onde as loucas marchas despertam os halos do pulsar erótico.
A performance da palavra explora o bálsamo perfeito e descodifica a arqueologia dos sentidos. Barbara explora a jubilação da folhagem humana, desenha a efervescência da comunicação para consumar o ciclone paradisíaco ou a loucura da graça do absurdo .
O balanço afrodisíaco e vegetal sopra sobre os espelhos enunciadores da andadura dos signos onde a gigantesca luz do amor é sempre trágica e incompreendida.
O olhar de NOIR abre o ancoradouro solar e tropeça nas árvores cósmicas como um corpo secreto a alimentar as coordenadas criadoras doutro corpo, porque quer abraçar livremente o mundo.
A musicalidade ramifica a navegação da génese das palavras e eleva a Barbara a uma paisagem de fantasia. O sofrimento humano interroga as fugas inextinguíveis como uma constelação de aprendizagens sobre obstáculos permanentes.
NOIR procura profundamente a respiração visual do desejo, relembrando Ramos Rosa "que não pode adiar o amor para outro século ainda que o grito sufoque a garganta".

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Luís Serguilha, poeta português, nasceu em Vila Nova de Famalicão, em 1966. Publicou, entre outros livros de poesia, O périplo do cacho, O outro, Embarcações, O externo tatuado da visão, Lorosa’e boca de sândalo e A Singradura do capinador
http://www.intensidez.com/AutorLuisSerguilha.htm

Friday, September 11, 2009

Little Ashes


Remember me when you are at the beach and above all when you paint crackling things and little ashes. Oh my little ashes! Put my name in the picture so that my name will serve for the something in the world.
Federico Garcia Lorca to Salvador Dali

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Lorca en mi corazón - Bárbara Lia


Gazal de espumas
treze constelações rimadas
clave de Fá escondida
na estrela mais clara

Touro triste dança
ao manto de mariposas
vomita rosas, chora arraias

Lua desfia-se
incinera seus raios
em luto andaluz

Corcéis golpeiam
o vento perfumado
que acariciou o poeta
em noites lendárias:

piano poesias
títeres Dali
verde que te quis
azul
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cinzas levitam
acima do fogo
eterno
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Lorca en mi corazón

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Nesta semana revi os arquivos - os poemas incompletos - uma urgência de Lorca, reescrevendo a poesia que diz deste encanto...

Wednesday, September 09, 2009

Kamikazes

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Doze kamikazes
arrastam a delicada açucena.

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Doze kamikazes.
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As lágrimas descem
feito fontes.
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Nenhuma música
de anjos sonoros,
nenhuma.

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Nas nuvens que passeiam,
exausto de tédio, atira longe
o grão da maldade – o dragão da guerra.
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BÁRBARA LIA in O sal das rosas

estante #25




antes só capim
olhares de ikebana
florescem o jardim
Eduardo Hoffmann
Bambus
Seec - PR (2002)

Tenho saudades de coisas perdidas:

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O canivete com o qual o pai picava fumo

O banco de madeira ao lado do fogão

- lareira pobre dos meus invernos -

Polenta assada na chapa e café preto

O desenho do menino mexicano

que o irmão fez para mim

(pequeno Pancho e seu poncho colorido

montado em um burrico)

O pastel de palmito natural

com pimenta do reino

e carinho de mãe

As goiabeiras do vizinho alemão

Andar descalça na enxurrada

Descobrir as constelações

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Tenho saudades de coisas perdidas

e saudades de ti

que acabei de encontrar...


BÁRBARA LIA

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Tuesday, September 08, 2009

Quanti amore!





Non ti muovere - Penélope Cruz e Sérgio Castellitto (Belo!)
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Ela se chama Itália e ele é o médico que a recorda e diz para a enfermeira do medo que ele sentia de perdê-la. Se ela morresse, morreria com ela as árvores, os cães, os rios... Ele abre a janela e a chuva cai, como esta chuva que cai agora.
A chuva é a alma de Deus que visita os amantes. Todo amor em seu ápice tem como fundo musical a chuva.
Esperei tempo demais para ver este filme e finalmente chegou junto com a chuva - Non ti muovere! Não te movas! O esplendor lírico sensual de Penélope Cruz, que atua com a matéria desconhecida, não com o corpo mas com o espírito e ela consegue explodir como mulher, em sensualidade, em ultraje - este que tantas sofrem no corpo e no espírito - É triste, mas, é libertador. Reconhecer-se na chuva e na entrega, na loucura cega que não se explica... Como último baluarte de esperança, ficar repetindo aquela frase de Clarice Lipector:
Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento. Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Eu sou uma pergunta.
Todos os filmes de amor com esta carga de verdade. Então as ilusões tolas voariam pela janela, dissipariam com a chuva. E é qual a canção final - Não existe um senso nesta vida. Não há senso em uma história real. O que há é a chuva, esta alma líquida que desce para recuperar a energia, como se Deus necessitasse dos que amam para não morrer. Posto que Deus também morre.

trailer:

Saturday, September 05, 2009

estante #24 // uma saudade


Aos que não enlouqueceram
nem lucraram com a loucura alheia.
F. W.

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DARWINIANA COM DOR

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A razão da literatura
É mais forte que a realidade
Que tenta sufocá-la.
Quando a pedra fere o vento,
Vive sua glória religiosa,
Vive sua pretensão imaginosa,
Vive sua não-tarefa
Em todo o seu potencial divino.
Em seguida cai ao chão
Como pedra.
O imenso vento continua ventando,
Mas na imaginação da pedra
Jamais será o mesmo.

...
Hoje faz um ano que morreu Fausto Wolff. Ler À Mão Esquerda ressuscitou meu desejo de escrever Romances. Corajoso e insubmisso, seria soterrado não fosse o poeta genial o escritor sem igual. Continua com nuvens a impedir sua luz, mas, com o sol também é assim. As nuvens tentam tentam mas nunca vão rasurar a sua natureza de sol. É isto ai, Lobo Vermelho, foi com alegria que alcancei a tua luz, brevemente, de longe, em diálogos esparsos, com a reverência de menina e a ternura de mulher e poeta.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Fausto_Wolff
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Thursday, September 03, 2009

O rasurado azul de Paris



quando ele corria

pelos telhados de ardósia

as pombas arrulhavam

em ventania

seu casaco - vela sacudida

estremecia

a maré da monotonia

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BÁRBARA LIA

- tem um pássaro cantando dentro de mim -

Do capítulo do livro dedicado a Arthur Rimbaud

Tuesday, September 01, 2009

estante #23



La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...