O silêncio dói muito mais na pele do inimigo que o grito.
Pousa, assim, cálido, como uma resposta sem pontuação.
Deita suave nas concavidades do ouvido.
Desconserta.
Hospeda pulgas atrás da orelha.
Arma afiada
Toque lancinante
Estratégia zen
Linguagem dos deuses da arte da guerra
KAREN DEBÉRTOLIS
- poesia extraída da coluna - "A Genética da Coisa" do site Germina:
://www.germinaliteratura.com.br/2010/ageneticadacoisa_karendebertolis_set10.htm
Thursday, September 16, 2010
Wednesday, September 15, 2010
diálogos poéticos
Na noite do lançamento de - Constelação de Ossos - a poeta Berenice Sica Lamas contou da poesia escrita após a leitura de - Solidão Calcinada - Inspirada na história de Pietra / Serena / Esperança e Bárbara. Recebi a poesia e publico. Estes diálogos que a Arte permite. A construção a partir da construção - o olhar sobre o olhar. A alegria com estes frutos pela passagem de - Solidão Calcinada - no Clube de Leitura -Rastros de um livro.
Poema das 4 geraçoes
Orfilia Rosa Marília Berenice
linguagem força fragilidade
mulheres
transgeracionais
gerânio pêssego jasmim
sombras e luzes umas sobre
as outras
leite mel e sal, historias
(des)construidas
possibilidades de
nuanças mudanças
irradiam
eu, pluri-habitada
evolui a desabitante
desmim
berenice sica lamas
julho/10
Berenice Sica Lamas:
http://www.artistasgauchos.com.br/portal/?id=90
Sunday, September 12, 2010
Constelação de Ossos
Jackson Pollock
O ar raspando o sangue seco da alma. Alma mutilada a minha. Sangue incrustado em suas paredes desde a infância, algumas feridas já cicatrizadas. Minha alma um painel de Pollock. Onde ainda não cicatrizara, a tinta escorria espessa. Por muitas noites eu não dormia. A cor que mais doía era o amarelo aflito, aquele amarelo gritante.
Constelação de Ossos
Bárbara Lia
(Vidráguas/2010)
pg.35
Kandinsky
Pensei: vou morar em uma lágrima.
E vi cenários de Kandinsky
atrás da cristalina dor.
Vi os retorcidos rostos
detrás dos espelhos d’água.
Vi uma casa-banheira
eu sempre líquida.
Vi um teto vidro fosco
eu a olhar estrelas.
E quando secasse a minha casa?
E como secar meu coração?
Bárbara Lia
À Sombra dos Murais em Flor
À sombra dos murais em flor
(para Frida Kahlo)
(Cravos na pele
Os seios
Os seios
A coluna jônica
A pele tolteca
Os pregos
Os pregos
Via crucis
Expiação)
Pinto em palavras
A tua dor
Vivo os maremotos sutis
As espinhosas horas
Que nos traz o amor
Pinto girassóis de aço
Espumas
Estrelas
Vou colorindo
Com vulcânicos
Abraços
A solene tela
(Riso-sol de meu Diego.
À sombra
Dos murais em flor)
Bárbara Lia
O sal das rosas/Lumme - 2007
Mondo Modigliani
Amedeo Modigliani
Paris e um amor
A voz de Piaf acorda
As pedras de um beco:
“C'est lui pour moi
Moi pour lui dans la vie”
Um passo uma dança
O peito tísico abraça:
Pele lunar de Jeanne
- A musa sem olhos -
Os bêbados rasgados
A lua amassada
E o triste passado
Do menino de Livorno
Bárbara Lia
A tela e eu
Edvard Munch
“Grito” de Munch
Estupor
Raspas do limão da alma
Fumaça do escândalo
Solidão emparedada
Pelos ginetes sem Deus
Intrusos em nossa cena
“Grito" de Munch
Estupor
Fumaça do limão
Estilete em minha carne
Tua palavra
Tatuada:
NÃO!
Bárbara Lia
Wednesday, September 08, 2010
Namorado para os namorados
Estrela
de Gil escorre de seus dedos
Quando
dedilhas o violão
“Há
de surgir
Uma
estrela no céu
Toda
vez que você sorrir...”
O
Jarro d’água espelha os olhos mortiços do peixe
Preparado
com esmero de gueixa
-
Namorado para os namorados -
Esqueci
o olhar da banhista
Nosso
amor é forte – almíscar -
O
pássaro azul do lençol se enche de angústia
Empalidece,
sempre que me deixas
Bárbara Lia
A canção:
https://www.youtube.com/watch?v=RJlMtEROMN4
Tuesday, September 07, 2010
Dois corações selvagens
na selva do impossível
tão perto que o respirar
deles é transfusão de sangue.
Depois da noite nuclear –
amantes
rompendo o ventre
da laranja mecânica -
a mostrar viva as entranhas
do céu
eu me nego a escrever versos
para amores lúgubres
plenos de tédio
de flacidez no olhar e no abraço
no passo e no sorriso
Depois de deus...
quem me levará ao paraíso?
Prefiro o inferno na selva.
Dois corações selvagens
Perto
Perto
Perto
Bárbara Lia
- corações - arte de Ia Santanché
foto de Rebecca Loise - eu na madrugada curitibana
LAYLA
calçadas molhadas
- uma lâmpada grávida
estremecida de sol
pequeno -
a lembrar
que ainda é verde o trigo.
florirá
amanhã
em sol granulado,
farpas de doçura,
sempre.
Bárbara Lia (A última chuva/2007)
DESDÊMONA
Olhou-me como nuvem,
a sugar os vapores
da minha alma.
Por que ele é meu deus,
guardei-o em um lago
onde iago
jamais chegará.
Bárbara Lia - A última chuva/2007
Chiaroscuro
Hora suspensa. Horizonte de sangue.
Despediu-se o sol, não brilha a lua.
Barcas estremecem em marés de fogo.
Sinos dobram a Ave-Maria.
O Bem chora a evaporação do dia.
Lágrimas de anjos pela humanidade crua.
Encontro e fuga de almas no ocaso,
Bebendo o sangue solar – poção
De luz para os dias de aço.
Crepúsculo incendiado.
Átimo de esperança: Um Serafim alado,
Flauta de estrelas flana acima de algas e corais.
Toca a música divina estremecendo cristais.
(Jazz, blues, salsa cubana, sinfonia?)
Som azul unindo sangue celeste e marinho.
Serafim, flauta e sol
Evaporam em silêncio de prece.
A branda noite abraça o arrebol.
O eco da flauta aos puros adormece.
Bárbara Lia - O Sorriso de Leonardo/2004
Despediu-se o sol, não brilha a lua.
Barcas estremecem em marés de fogo.
Sinos dobram a Ave-Maria.
O Bem chora a evaporação do dia.
Lágrimas de anjos pela humanidade crua.
Encontro e fuga de almas no ocaso,
Bebendo o sangue solar – poção
De luz para os dias de aço.
Crepúsculo incendiado.
Átimo de esperança: Um Serafim alado,
Flauta de estrelas flana acima de algas e corais.
Toca a música divina estremecendo cristais.
(Jazz, blues, salsa cubana, sinfonia?)
Som azul unindo sangue celeste e marinho.
Serafim, flauta e sol
Evaporam em silêncio de prece.
A branda noite abraça o arrebol.
O eco da flauta aos puros adormece.
Bárbara Lia - O Sorriso de Leonardo/2004
Monday, September 06, 2010
Ronald Augusto
8. sonhei comigo sonho sob pórticos
de luz tropical claridade verde
que eu julgava ser o espelho onde esta
face (agora inclinada sobre linhas
toscas de recordação puramente
imaginária) espelho onde esta face
pudesse mirar-se com minuciosa veracidade
sonho de vaidade vácua
que paraiso guardará a menor semelhança
que seja com a cara inexistente que
às vezes afivelo sobre a face para
melhor me desvelar?
Ronald Augusto
NO ASSOALHO DURO
éblis /2010
http://www.poesia-pau.blogspot.com/
Everton Behenck
Há que se duvidar do amor
Ou ele
Te transpassa
Com uma cama desfeita
Rouba os passos na casa
Enrola horas
Em teu pescoço
Há que se duvidar do amor
Sempre
Ou ele
Te corta rente
Bate em teu rosto
Para que acorde do sono
O amor não é para todos
Há que se duvidar do amor
Amando
Everton Behenck
- Os dentes da delicadeza - Não Editora - Porto Alegre / 2010
Saturday, September 04, 2010
Odisseia Alegre
Quando era menina ouvia uma canção e ela voltou antes de pousar em Porto -
Porto Alegre é o meu ninho / o meu ninho perfumado de jasmim...
A odisseia termina - Vi Ronald Augusto no palco - um luxo! Revi amigos, lancei um livro e invadi a Noite Francesa no Pub 7 para homenagear Rimbaud!
Friday, September 03, 2010
Mulher na Árvore
A Antologia "Helena Kolody / Newton Sampaio" à minha espera, na volta de Porto Alegre - grata a todos que estiveram na Palavraria pra receber este novo livro - Constelação de Ossos -
Em 2009 foi na categoria Conto que obtive destaque e nesta edição anual dos Concursos Literários da SEEC/PR - está o meu conto Mulher na Árvore, publicado no Portal Cronópios:
Thursday, September 02, 2010
Ontem na Palavraria
![]() |
| Estela Kurth, Carmen Silvia Presotto e eu |
![]() |
| Fernando Ramos, editor do Jornal Vaia, organizador do Festipoa, admiro este moço! |
![]() |
| Ana Cristina Gonzales, eu, Sidnei Schneider e a editora de Constelação de Ossos - Carmen Presotto |
![]() |
| Com o poeta Everton Behenck e seu belo livro - Os dentes da delicadeza |
![]() |
| Berenice Medeiros que me presenteou com uma rosa da cor da ternura - que ela descobriu dentro do meu outro romance - Solidão Calcinada - muita poesia no ar... |
![]() |
| Com os editores - Vidráguas - Carmen Silvia Presotto e Ricardo Hegenbart |
![]() |
| Fernando Ramos, Jaime Medeiros Jr. Carmen Presotto, eu e Teniza (de costas) |
![]() |
| Carmen, eu e o poeta Ronald Augusto |
- Mais imagens, acessar Vidráguas na Postagem abaixo
- as fotos são do Ricardo Hegenbart
Monday, August 30, 2010
Setembro e a Constelação
Setembro - primavera à vista - lançamento de - Constelação de Ossos - Bárbara Lia - em Porto Alegre, na Palavraria (porto de partida do livro) e Belo Horizonte (data a ser divulgada em breve)
http://www.vidraguas.com.br/wordpress
Wednesday, August 25, 2010
Clube de Leituras - Rastros de um livro
Minha primeira incursão na prosa trouxe muita alegria. Na esteira do lançamento de Solidão Calcinada - em agosto de 2.008 - aconteceram coisas sublimes. Uma delas é a escolha pela editora Carmen Silvia Presotto - para ser o livro do mês, no Clube de Leituras - Rastros de um Livro.
Vidráguas, Scrivere e ALF - vão realizar este encontro agora, dia 26 de agosto de 2010, às 16 horas, na Academia Literária Feminina, Rua Sarmento Leite 933 em Porto Alegre:
Detalhes aqui:
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