Friday, May 30, 2008

RIMBAUD



Jean-Nicolas Arthur Rimbaud
"Eu amava as pinturas idiotas em cima das portas, cenários, lonas de saltimbancos, insígnias, iluminuras populares, literatura fora de moda, latim de igreja, livros eróticos com ortografia errada, romances de nossas avós, contos de fadas, livrinhos infantis, óperas velhas, refrões imbecis, ritmos ingênuos"

.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

*
Eu não falarei,
Eu não pensarei mais
mas um amor imenso
entrará na minha alma.

***

Para Rimbaud a poesia era uma alquimia - verbo e sentidos.

Descobriu bem cedo o segredo corpo/alma do poema. Que vale para a arte e para as relações - o infinito pode definir esta imagem




– A Lemniscata de Bernoulli –


Pode ser absolutamente matemático incluir este signo em um pensamento metafísico ou poético, mas, é a junção perfeita. Onde não há fissura – corpo/alma – verbo/sentidos. Na poesia o verbo é a materialidade daquilo que se avoluma como avalanche, ou big bang ou terremoto pensamento-relâmpago dentro da alma do poeta. E ele verte para a matéria, acionando o verbo, materializando o poema. Estive pensando nestas pequeninas faíscas que escapam da obra de Rimbaud e que ficam iluminando os poetas pelo mundo inteiro. Tudo isto flui após ter visto – finalmente – o filme Eclipse de uma paixão, que conta a tumultuada história de amor de Rimbaud e Verlaine. Sou muito arisca aos filmes, eles conseguem demolir as obras de arte, caricaturar belos livros. Mas, alguma coisa deste filme dirigido por Agnieszka Holland suscitou em mim a grande chama, compus alguns poemas, escrevi ao embalo da aura de fogo de Rimbaud, e fiquei tocada com suas frases ásperas ao amante. O amor precisa ser reinventado!! Isto é genial. Nem sei mesmo se o menino Rimbaud pronunciou estas palavras, mas, certamente as teria dito. E a insistência em querer saber de Verlaine se ele amava a alma de sua esposa, ou apenas o corpo. Verlaine insistia em dizer que era só o corpo, talvez por isto o menino não sente culpa por roubá-lo da mulher. Só na alma pode residir o amor, só na alma. Os corpos suscitam paixões. O amor é esta união indivisível da lemniscata – um é continuação do outro e um retorna ao outro sem saber onde termina um e começa o outro. Foi bom ter visto o filme. Muito embora o esforço de Leonardo de Caprio tenha dado vida a um Rimbaud quase verdadeiro, o verdadeiro Rimbaud eu o imagino menos criança que no filme, eu o vejo sério, muito sério, de uma genialidade que assombra. Eu o vejo inquieto, mas, de uma inquietude que quer descascar as membranas da vida para acolher os pobres, as crianças, os abandonados. Eu o vejo místico, acreditando que os animais rezam e que o amor deve mesmo ser reinventado. Eu o vejo segurando com as mãos a rosa de fogo do amor, que se materializa em ferida no tiro do amante.