Monday, January 12, 2009

momento imaginado


Meu momento imaginado de 2.008 é lindo. Eu imaginei um recital. Bem ali, ao lado da Maria Fumaça antiga do Shopping Estação. Eu pensava lembrar Ana C no mês de sua morte. Imaginei uma apresentação de Luvas de Pelica - com direito a cartões postais, malas e até mesmo luvas de pelica. Um recital imaginado. A poesia de Ana C escorrendo pelos trilhos, arrepiando os ferros e as calçadas, na voz suave da Lu Cañete, talvez... Pensei isto uma única vez, mas, foi um pensamento tão forte que creio que o recital aconteceu em algum lugar. Onde habitam poemas imaginados, suspiros bloqueados e as almas das flores de todas as primaveras.
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Digamos que um dia você percebesse que o seu único grande amor era uma falácia, um arrepio sem razão. Digamos que você percebesse que 40% de álcool apenas te garantia emoção concentrada como Sopa Knorr, envergonhada, arriscando o telefonema internacional que dá margem a suores contrariando o I Ching que manda que eu me cale, ou diga pouco, ou pelo menos respeite esse silêncio.
Ana Cristina Cesar - do livro Luvas de Pelica