Wednesday, January 07, 2009

Os leões de Ramallah


Em Ramallha, no centro da cidade, existe uma ciranda de leões de pedra. Os leões de pedra poderão um dia transmudar em carne e defender o povo quando nada mais restar e quando não existir nenhuma voz e nenhum escudo para proteger as crianças palestinas. Tive este pensamento um dia, uma alegoria poética que eu acalantava, para não ficar mais apavorada com as notícias e com o que acontece por lá há muito. Eu mantinha vivo este pensamento e ia em frente. O panorama sempre horripilante. Um povo subjugando outro povo - Um muro erguido, 750 barreiras nas estradas, as invasões. Agora falta o ar e falta a alegria. Como se eu caminhasse meio aos escombros e aprisionada, feito as crianças aprisionadas na Faixa de Gaza. É humilhante humilhar. É humilhante para Israel esta postura. Esta disparidade que eles querem aumentar, invadindo e expulsando até que não haja mais palestinos. Esta invasão é uma invasão de extermínio. E fica o mundo a reunir-se aqui e lá - na ONU e na Europa e vai lá o presidente da França e fala, e vem o Bush, e fala - meu Deus, o Bush... O eco reverbera e estronda deste pedido dos líderes sem noção - É preciso que o Hamas pare. Não sou uma estudiosa da cultura árabe, mas, por ter esta postura de tentar entender e ouvir os dois lados e não acreditar no que diz a mídia, procurei saber mais sobre o mundo árabe. O lado de lá. Existe uma cultura. Um povo que foi o guardião dos escritos antigos quando a era medieval trouxe os fantasmas negros da Igreja Romana e sua imposição sobre o mundo queimando todos os escritos. Quem foram os guardiões de toda a cultura? De toda a antiguidade greco-romana? O mundo não tem cérebro, memória, gratidão. Já saturou isto de acharem que cada muçulmano é um homem bomba. Principalmente por ser o Terrorismo de Estado bem mais cruel e destruidor. Quem vai julgar Bush por todos os mortos no Iraque nesta guerra desnecessária? Quem vai julgar Israel? Mas, Guantanamo está repleta de homens árabes sendo julgados. Tratados de forma desumana. A balança do mundo tem dois pesos, duas medidas. É nítido que a postura de Israel em todas as guerras é por uma única questão - terras. Quer expandir seu território, no Libano e na Palestina. Não se contenta com a parte que lhe cabe neste latifúndio, e certamente, quer expulsar os palestinos e o Hamas é uma desculpa que o ocidente engole, enquanto ultrajam um povo. Ficou ressoando a pergunta de uma mulher palestina meio aos escombros - Do que pensam que é feito o nosso sangue? Agora a notícia que leio e que arrepia - o Hesbollah anuncia guerra a Israel - mas, cá entre nós - existe uma outra forma de parar Israel? A prepotência de Israel me causa enjôos. Ontem lembrei os leões de Ramallah e o meu pensamento surreal. Na Faixa de Gaza não existe nem ao menos um leão, que dirá uma ciranda.