Tuesday, February 02, 2010

Michel Sleiman



COMO SE EPÍLOGO, OU
SALVA DE PALMAS: O POETA
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por que editar um poeta?
por seu poema por onde
a angústia
....- não dita
....inefável
....abjeta -
o poeta secreta?
....- jogou a merda
....pra ser
....escrita
....fê-la
....- fêz-se -
....concreta.
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flores das flores
(do mal)
por que a seleta
dentre as dores
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.....- Veloso cantou:
....pra que rimar
....amor e dor?
por que fazer
da ermida triste
jardim de rumores?
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voz vozerio
palavra silente
se faz desafio
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páginas
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leia-se a pá
.........a lá
.......a vrá
.....- Norato dixit -
pólvora alvará
de leituras e harmonizações na face pó de arroz das folhas -
- livro folhas das folhas milfolhas de mil e uma utilidades
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vaidades




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CANÇÃO DE MEDICINA

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para uma alma sedenta
um jarro só de água-jasmim
..... .. não basta
toma! essências de limão e romã
curam o amor te deixam sã
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ai de ti alma sedenta
nem fetiches nem feitiços
nem rezas de poeta
teu abismo é dos perfumes
do reino de Afrodite
e não resistes

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Duas poesias do livro do Michel Sleiman. Feliz por ter - finalmente - o meu aguardado exemplar e por compartilhar uma hora com Michel em sua passagem por Curitiba. Ele me diz - tá, escreva seus romances, mas, não abandone a poesia. Bem, a poesia não me abandona, basta abrir um caderno e elas estão lá, escritas neste estado de posse da poesia, que me arrebata. Quem sabe eu apresente os meus últimos poemas neste ano, estes inéditos espalhados, dispersos meio ao terremoto da vida... Um novo livro de poesia é o que me atiça ao ler este belo livro do Michel. Uma bela publicação da Ateliê Editorial, com apresentação de Horácio Costa e este pequeno texto de Efraín Rodríguez Santana na contra-capa:

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Tudo é circular, tudo é jogo, tudo é sensualidade, tudo é válido para se fazerem as declarações. É como uma graça que se organiza na "utopia do sono", que apela também às vaidades e miragens que este ofício demanda. Como uma canção vinda de montanhas de séculos de poesia, aqui o poeta dá os seus pontos e cria os seus nós.
Efraín Rodríguez Santana