Sunday, March 25, 2012

Chá com as borboletas - Série Diálogos Poéticos (XII)


Jan Saudek



"Só quando não procuro encontro. Versos, chaves de gavetas fechadas, namorados, botões, Deus. Batalho arduamente em vão e depois, sem esforço, sem fazer nada por isso, quando já não batalho, ganho, vejo que ganhei. Foi assim com o primeiro poema que escrevi, o da Faruk. Com a postura do candelabro do yoga, que não havia meio de conseguir atingir. Com o primeiro beijo dado por um rapaz. Com Deus. Tento tento e falho. Mas por tentativa e erro, a subir e a cair, a fazer e a desfazer, tenho conseguido tudo o que quero. Vejo que passei a vida a escalar uma montanha com uma pedra às costas e que agora cheguei ao alto e fiz um pic-nic de burguesas."

Adília Lopes
(Crónicas do meu moinho)

Adília Lopes, pseudônimo literário de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira, (Lisboa, 20 de Abril de 1960) é uma poeta, cronista e tradutora portuguesa.



***

Amei uma mulher com cheiro de céu na altura do coração. No silêncio dos dias, longe dela, eu a lembrava e chorava. Chorava repentinamente em qualquer lugar. Bastava lembrar o perfume suave da sua alma e a luz que dela emanava. Era o silencioso Dharma a nos enlaçar. Era outra história. Era uma fragrância de outra esfera. Sutil, quase inodora. O céu não tem cheiro de nada. Inodoro. Cheiro de Luz Branca. Branco. Branco. O inferno exala no ar Chanel n° 5. Forte como farfalhar de sedas vermelhas. Chanel n° 5 - o cheiro do inferno.

Bárbara Lia
(Coreografia do Caos - Books on line Germina/2011)
http://www.germinaliteratura.com.br/booksonline_barbaralia/booksonline_barbaralia.htm