Friday, July 20, 2012

2012 - Parte I


2012 um ano pleno de belas surpresas:

O ano começou com o nascimento do livro - A flor dentro da árvore - impresso na última semana de 2011.

http://www.musarara.com.br/a-flor-dentro-da-arvore


Este livro e o livro anterior - Tem um pássaro cantando dentro de mim - são publicações independentes. Quem tiver um deles vai possuir um dos 50 exemplares. Sim, esta é a tiragem.
No final de 2003 eu fui em busca de um editor local para publicar um livro de poesias, não queria morrer sem editar ao menos um livro. Foi o Fábio Campana na Travessa dos Editores quem contou para a mídia que existia uma poeta em Curitiba, que era inédita e tinha uns poemas - maravilhosos - segundo ele. Não publiquei o livro através desta editora, mas, menos de dez anos depois tenho uma pequena obra editada. Além dos meus mais amados livros feitos a mão. Não cataloguei um a um, mas, uma contagem rústica que fiz mostra que imprimi mais de trezentos livros artesanais. Estão pelo mundo, esta minha pequena ousadia. Meu inventário poético. Ainda tenho uns sete livros inéditos. Englobam romances, contos e uma quase-biografia, até um livro de poesias. O que preciso é respirar fundo e não desejar nada para hoje. Que seja sempre de forma natural. Fazer aquilo que ouvi de um poeta em um jantar - mesmo que demore, só publicar por uma editora que tome conta de tudo. Que divulgue seu livro, mande para as livrarias e que você siga com a tarefa que cabe ao escritor - apenas escrevendo. O cansaço quase vence. Tenho quase 57 anos, estou hipertensa, minha retina esquerda rasgada não facilita ler e escrever como antes, o tempo inteiro. Muita coisa mudou em mim. Até mesmo sintomas tardios da poliomielite que eu nem sabia que existiam. Melhor assim, vivi mais de meio século acreditando que tudo se resumia a uma pequena sequela, agora vem a revista científica comprovar que o excesso de frio que sinto, a dor em muitas articulações e outras coisas mais, são como uma velhice antecipada. É  uma droga, mas, é preciso aprender a conviver com isto. Ao menos ainda não precisei amputar meu pé como Frida Kahlo. A dor na coluna a gente engana. A gente vai levando, ouvindo poesia, ouvindo os pássaros, ouvindo música. Estou ficando expert em viver com dor. Minha amiga mais recente. Espero que o House não esteja certo, ouvi uma fala dele em um comercial do seriado - Quem convive muito tempo com a dor acaba ficando insensível, alguma coisa assim. Comigo a anatomia ficou louca, quiçá esta dor física ajude a criar poesias de celebração, recolher memórias de vida. É muito louco isto, quando a gente vai ficando mais velho é como fechar um círculo e se reaproximar do começo. Vivo trombando com aquela menina sem medo, aquela liberdade à sombra das árvores. Converso com ela e ela é como um pergaminho onde revejo belas coisas esquecidas. Sentir o gosto do antes, tocar os caminhos da alegria, rever a mãe com sua aura misteriosa, o pai sempre estrondando a sua gargalhada e a poeira de Peabiru acima do chão, as estrelas acima das casas - naquele tempo o céu era mais perto.




Em março o Jornal Rascunho publicou algumas poesias que amei escrever, pois foram seis meses lendo e relendo Pessoa. Uma decisão de mergulhar em poetas imortais. O que eu fiz em 2009 e 2010 com Emily Dickinson e que gerou o livro - A flor dentro da árvore. Fiz em seguida com a obra de Fernando Pessoa. Uma ressurreição. Foi desta inserção que nasceram poemas e contos e um diálogo com vida e obra de Pessoa. No Jornal Rascunho, Três sonetos:


http://rascunho.gazetadopovo.com.br/barbara-lia/



Esqueci do Prêmio Cataratas e que para lá havia enviado algumas poesias, quando recebi um telefonema contando da premiação. Em maio fui até Foz do Iguaçu  para receber o Prêmio com a poesia - Holocausto dos Livres - dentro do evento Salão Internacional do Livro. Foi uma chance de visitar outra vez - As Cataratas. Conheci poetas locais e dois poetas cariocas muito queridos - o Rodrigo Domit (que na verdade é do Paraná) e a Tatiana Alves. Foi um belo final de semana - presente do dia das mães. A Festa encerrou em uma cantina com muito vinho e massas e ótimo papo, ao lado do Domingos Meirelles (e esposa) e do Eric Nepomuceno (e esposa) o pessoal da Fundação, os poetas premiados e o Emir Ross que veio de Porto Alegre para receber o seu prêmio na categoria - Contos. Um belo conto o do Emir. 



Na Off Flip o lançamento da Antologia - Amar, verbo atemporal - Cem poemas de amor. Organizada pela Celina Portocarrero, publicada pela Rocco.  Uma alegria. Quando li o e-mail da Celina convidando para esta Antologia eu senti aquela leveza, promessa de ser parte de um projeto bonito. Está sendo especial. No começo pensei na dificuldade de buscar entre os escritos um poema de amor - inédito. Ao final, foi uma seleção fácil e rápida, com ajuda de algumas amigas que sempre me dão suporte e opiniões e com a decisão final minha e da Celina, escolhemos Umbrática Nuvem. Lá estou eu ao lado de poetas que conheci no berço e de poetas muito jovens, de toda parte deste País. 


Resenha de Carlos Herculano Lopes:



Seguem as Antologias. O  Portal Cronópios convocou os - cronopianos - a escrever uma homenagem ao grande Eder Jofre. Não sou aquela poeta ou escritora que escreve sob encomenda. Não sei adequar meus escritos ao calendário ou temas. O jornalista Ricardo Faria cedeu uma coluna para mim em um jornal virtual - e acabei desistindo da missão. Minha liberdade não combina com prazos. Estou a um passo de desistir destes concursos literários com suas inúmeras regras. Escrever é o território do encanto e lá não existe relógio, páginas A4, espaços duplos ou não. Nada disto combina com o escritor. Uma memória antiga foi a ponte que permitiu uma homenagem ao Eder Jofre. Nada mais poético que romper a alameda da memória e cair no quintal da infância. Nasceu - No tempo em que éramos invencíveis - um poema que vai figurar neste livro que é uma parceria Portal Cronópios / Editora Patuá. Vamos lá.





Quando Ana Rusche foi a Maputo eu enviei alguns livros para lá e ela foi a portadora de muitos livros de autores brasileiros que estão agora em Bibliotecas... Este contato além-mar, graças a Ana, aproximou os poetas de Moçambique e através deles conheci a Revista Literatas. Há algum tempo publicaram minha poesia por lá. Recentemente, um capítulo do meu romance - Constelação de Ossos. Uma bela publicação que une Brasil-Moçambique e muitos outros autores lusófonos...


Revista Literatas



No ritmo das Antologias. Quando o Outono chegar em Lisboa a Pastelaria Estúdios vai publicar - Histórias Horríveis e Impossíveis. Uma Antologia além-mar. Para esta antologia enviei um conto que é só um pouco horrível. Não escrevo com furor e ódio. Mas, consegui escrever um conto que causa algum arrepio. Depois de - Set - que narra a vida de um serial killer e foi premiado no concurso _ Contos Grotescos_ este conto é um dos poucos que escrevi com este tom de mistério e que imprime medo. 


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