Thursday, December 06, 2012

Fêmea!

Matisse





Gostei imensamente de ler a dissertação de Mestrado de Adriana Lopes de Araújo - Solidão Calcinada e Constelação de Ossos entre os livros estudados para compor - A REPRESENTAÇÃO DA MULHER NO ROMANCE CONTEMPORÂNEO DE AUTORIA FEMININA PARANAENSE - a orientadora: Profª. Drª. Lucia Ozana Zolin. Outras duas autoras neste estudo - Bebéti Gurgel e o livro - Pecados Safados - e Karen Debértolis e o livro - A estalagem das almas.



No texto me detive no quadro "Fases da literatura de autoria feminina paranaense" - Estas fases estão assim colocadas. A primeira fase - Feminina (1859-1944) com Júlia Maria da Costa: Flores Dispersas - Volume I e Volume II e Didi Caillet: Reviver. A segunda fase - Feminista (1944-1990) com Didi Fonseca: Ele, Pompília Lopes dos Santos: Abismo e  Iracelina Torres de Toledo e Souza: Uma Trajetória. A terceira fase - Fêmea (a partir da década de 1990) com Bárbara Lia: Solidão Calcinada e Constelação de Ossos, Bebéti do Amaral Gurgel: A quem interessar possa, O diário Secreto de Carolina e Pecados Safados, Karen Debértolis: A estalagem das almas, Eliane Somacal: A maldição, Maria Paula Ramos de Assis: Quando florescem as azaleias, Paola Rhoden: Caminhos sem volta e Dezessete anos e Silvia Peregrino de Freitas Rocha: A sacerdotisa.

Muito bom ler a classificação da minha escrita - Fêmea. Esta volta ao estado bruto adornada com a evolução e a roupagem de nossa época. Já não queremos ser as que vão podar os passos do macho que subjugou-nos por milênios, queremos ser a docilidade fera, a partilha em tudo, e isto é muito bom. Ainda não existe espaço para esta postura em nosso mundo. Fico me perguntando se um dia haverá. Quando Rita Lee canta - Eles amam as loucas, mas, se casam com a outra - está definindo o destino destas mulheres que tomam pra si seu destino, caminho, escolhas (inclusive de afetos, companheiros, amantes, etc.) esta falta de lugar no que diz respeito às relações, ou não... Alguns caras já assimilaram a nosso liberdade com tudo que ela tem de bom. Mas, apenas alguns... É preciso ser muito macho para encarar uma fêmea. Mas, não macho no sentido latente do imaginário latino-americano. Ser macho dentro, macho no âmago, aquele que olha de igual para igual e sabe que cada um tem a sua essência de vida e que é dentro desta essência bruta que mora esta possível partilha. É isto, mas, era para escrever sobre uma tese, de mestrado, era sobre personagens de ficção, no entanto, o autor que inventa não diz o que há de humano em nós.  A humanidade a gente não inventa a gente vive. E não dá para negar: Escrever é colocar a alma nua sobre a mesa. A mestranda ao relatar minhas personagens relatou esta mulher inteira. Esta que rompe com o patriarcado, que toma para si o próprio destino. Este é o meu grito. O estudo dela fala sobre este direito ao Grito. Ainda sem saber se alguém nos ouve e, se ouvindo, vai traduzir o que nossa voz quer dizer, ainda assim - Gritamos. Pois, mesmo com direito ao Grito muitas mulheres se calam e seguem com a roupagem das bisavós, é mais fácil, é mais cômodo. Da minha parte não abro mão da minha parcela de liberdade de ser mulher e livre e abraçar o tempo e romper as barreiras que conseguir e seguir batendo com a cabeça na parede daquelas barreiras que não consigo demolir. Eu sou assim... E as personagens dos meus livros, também...