Friday, May 17, 2013

A palavra é Pedra.



Para Camille, com uma flor de pedra












Para Camille, com uma flor de pedra:



Este livro foi inspirado na vida e obra de Camille Claudel. Como olhar-se no espelho. Camille esculpiu Sakountala (O abandono) antes de perder o amor de Rodin. O encontro de dois artistas em potencial e a rejeição, a exclusão, que fez com que ela se fechasse em conchas e abdicasse de tudo, sendo sepultada viva por sua família, em um hospital de loucos, abandonada até a morte. Nada soa tão trágico quanto este choque entre os dois. Se Rodin viu nela uma sombra à sua Arte? É possível. Rodin com todo o seu valor não conseguiu superar a genialidade dela com suas Mãos de Deus. Mas, esta rejeição fez com que ela se consumisse no fogo como Sakountala e não renascesse _ fênix. Este estranhamento de ver o sepultamento em vida da beleza (dela) encontrou  ressonância em minha alma passional e insubmissa.
Para isto me nomeei irmã de Camille, em intemperança pura- Filhas de Sakountala. Vesti sua pele, usando de licença poética, nos poemas de   Hamadríade _ a ninfa das árvores. Pois Camille era belíssima e usava guirlanda de flores nos cabelos. No final da vida, para ressuscitar sua época de realeza, ela esculpiu o busto da ninfa e deixou que uma cascata de nenúfares rolasse por suas costas. A dor do amor e da perda que ela viveu com Rodin se concretiza em dura pedra. Algumas perdas e estranhamentos meus se concretizam em palavras _ das pedras, a mais indestrutível. 
Náiade, ninfa da água doce. Em Náiade me visto de momentos e me cubro feliz nas noites com um lençol de nebulosas. Eco era uma Oréade (ninfa da montanha) . A ninfa Eco é a personificação perfeita deste momento do passado:  Desprezada por Narciso. 
Bárbara Lia


* No livro,  optei por manter os títulos dos poemas em francês, incluindo a poesia  RUE NOTRE-DAME-DES-CHAMPS. Neste endereço Camille vivia quando conheceu Rodin. As demais esculturas – SAKOUNTALA – (ou, O Abandono);  L’IMPLORANTE (A Suplicante);  L’ÂGE MUR (A Idade Madura);  HAMADRYADE  (Hamadríade); LE DIEU ENVOLÉ (O Deus que Voou) e NIÓBILE BLESSÉE (Nióbile Ferida).

Agora que estou na fase de encaminhamentos e nascimento de um novo livro. Agora que Paraísos de Pedra está no prelo, via selo Castiçal da Editora Penalux. Encontrei este texto em um arquivo antigo. Este livro que escrevi em um mês, sob o impacto da leitura de uma biografia de Camille Claudel, é um livro ao qual sempre volto. Eu o publiquei em formato e-book, no link abaixo:

http://issuu.com/barbaralia/docs/para_camille_-_livro_artesanal_2