
jeanne carbonettti
Respiro o teu corpo
sabe a lua-de-água
a cal molhada
ao amanhcer
sabe a luz mordida
ao sangue dos rios
sabe a brisa nua
sabe a rosa louca
ao cair da noite
oca
sabe a pedra amarga
sabe à minha
Eugénio de Andrade







Quando li a biografia de Frida Kahlo em 1.992, abalos sísmicos dominaram minha alma. Eu me vi em um espelho. Todo o pensamento dela encaixava em mim como luva, e, toda a sua dor eu compreendia como se fosse minha. Tivemos poliomielite - Frida e eu. Passionais, loucas pela maternidade. O que não foi possível para Frida em consequência do acidente que sofreu, eu vivi em plenitude - ser mãe. Ela morreu em 13 de julho de 1.954, eu nasci um ano depois, por muito tempo eu considerava a grande possibilidade de ser mesmo reencarnação de Frida Kahlo, considerando que aquilo que ela mais sonhou naquela vida, aconteceu na minha de forma mágica e de forma tão fecunda que nem faz parte de meus escritos, não conseguiria narrar, é o meu éden precioso - os três filhos - por que são tão ternos e tão meus, e tão carinho sempre, como se eles fossem um prêmio, como se me devolvessem algo perdido. Certa vez, nesta dor de nunca ter o amor do amor, eu escrevi alguma coisa assim pensando em Frida - que poderiamos amalgamar nossas vidas - Eu lhe daria os filhos que ela não teve - Ela, o amor do meu amor, que eu nunca tive. Mas, tudo isto é piração total de poeta louca. No entanto, ainda sinto medo de olhar no espelho e ver Frida, e espero o meu Diego - menino-amor-ciência-exata... para assobiar Bach e ler as suas frases resgatadas de um mundo que não existe, entornando a poesia na minha coluna cansada, agora que as crianças cresceram e vão voar com suas próprias asas.



Toquei seu berço silencioso Emily Dickinson Meu pai amava A amada do poeta Quando nasci Ele cavou mistérios ...