Monday, July 12, 2010
Saturday, July 10, 2010
Ponte Necessária
TODAS AS MANHÃS
para Ferreira Gullar
a existência é um instante
convém não chorar suicidas
ou o dorso etéreo da vida
toda hora é apenas
a sequência invisível
de um fotograma súbito
e tudo é, todos somos
construção que desaba
: há, a todo fim, somente história
tua, minha, de todos, no ar,
no vento, no ventre e nos passos
esquecidos sobre a terra
em verdade, perdidos
estamos todos pela vida
como se diante de um muro
: o futuro, é preciso cuidado
e assim é, assim somos
finitude óbvia o tempo todo,
todas as manhãs, cada qual
com seu gesto bom, palavrão
e abismo
Ernani Fraga
Ponte Necessária
Edições Costelas Felinas/2010
Tuesday, July 06, 2010
Frida
Frida Kahlo
A coluna partida é um dos quadros que mais admiro, Frida é o espelho. Tão próxima que me fundi com ela quando li sua vida em 1992. Era eu - Era ela. Ascendência indígena, liberdade sem rédeas, pés com resquícios da doença infantil. Éramos nós fundidas em um quarto fechado, meu mundo mergulhando na aura de um tempo que traria esta proximidade lúdica.
Frida nasceu em 06 de julho de 1907. Ícone. Deusa tolteca. Presença Potente. MULHER.
La vie en noir
Cantar a dor – Piaf
Pintar a angústia – Kahlo
Esculpir a mágoa - Claudel
Não me afasto dos mitos
Escrevo o abandono
Com a coluna partida
La vie en noir
Bárbara Lia
À sombra dos murais em flor
(para Frida Kahlo)
(Cravos na pele
Os seios
A coluna jônica
A pele tolteca
Os pregos
Os pregos
Via-crúcis
Expiação)
Pinto em palavras
A tua dor
Sonho teus sonhos
Vivo os maremotos sutis
As espinhosas horas
Que nos traz o amor
Pinto girassóis de aço
Espumas
Estrelas
Vou colorindo
Com vulcânicos
Abraços
A solene tela
(Riso-sol de meu Diego
À sombra
Dos murais em flor)
Monday, July 05, 2010
Carmen Silvia Presotto
Indecisão
Cresci silvestre no oceano
estrangeira sem nome
água e éter
vida...
Na terra,
poemas de barro.
**
Boca farta de risos sem dentes
ruíram os pássaros.
Além das nuvens,
estava o caminho para as novas pontes.
Na frente,
restaram os caninos
Encaixes
Carmen Silvia Presotto
Razão Editorial / Vidráguas - 2006
Site da autora:
http://vidraguas.com.br/wordpress/
Friday, July 02, 2010
Rodrigo de Souza Leão
Tela de Rodrigo de Souza Leão
p/Rodrigo de Souza Leão
Rimbaud te espera
No barco bêbado encalhado
Em um mar crespado de turmalinas
- Lágrimas dos poetas
Nas mãos, duas taças de absinto
Para brindar a vida fera
Dois homens de branco
Ancorados na beleza
A repartir
O fogo santo
O espanto
O canto
O eterno canto
Dos poetas...
- Por delicadeza / Perdi minha vida -
Por delicadeza
Entregamos a vida
Aos escarros
Por delicadeza
Entregamos a carne
Aos caninos ávidos
Por delicadeza
Atravessamos a bruma
Com lírios brancos
Nos braços
Rimbaud sempre à espera
Para brindar
A eterna primavera
Bárbara Lia
Completa hoje um ano sem Rodrigo de Souza Leão. Sem palavras. Recordo apenas que uma das últimas vezes que escrevi pedi autorização para publicar uma tela sua em meu blog. É estranho amar tanto alguém que a gente nunca viu. Ou é mesmo verdade que somos apenas e somente, como disse Maiakovski...
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui no meio do peito,
mas comigo a anatomia ficou louca,
sou todo coração.
Maiakovski
- Rodrigo foi todo coração e dialoguei com este meu coração cansado por um tempo com o coração eletrizado dele - saudades!
Tuesday, June 29, 2010
Antologia do Prêmio Ufes de Literatura
Prêmio Ufes:
"A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la"
Emily Dickinson
O sagrado despe as ilusões
e abraça as árvores mortas
suas folhas de um azul esmaecido
qual o manto da Virgem de Cambrai
Os ossos das árvores adoeceram
e elas morreram azuis
antes que tornassem brancos
os seus cabelos
O sagrado despe as ilusões
e abraça as árvores mortas
suas folhas de um azul esmaecido
qual o manto da Virgem de Cambrai
Os ossos das árvores adoeceram
e elas morreram azuis
antes que tornassem brancos
os seus cabelos
Bárbara Lia
Monday, June 28, 2010
Wednesday, June 23, 2010
H2Horas
ideograma
hieróglifo
ícone
iluminura
ementa
o poema
antevê
o cinema
Sylvio Back
H2Horas
Antologia e DVD
Portal Cronópios/Coletivo Dulcinéia Catadora
O exemplar que escolhi para mim - entre os que chegaram hoje via correio - esta bela parceria, crônica poética do tempo. No livro contribuo com 2 cenas/poemas:
Testamento enterrado
à sombra do roseiral:
Deixo meu violão
para a balconista da padaria.
A erva benta
para a velha do sobrado.
A chaleira
que chia Villa-Lobos
para Frei Gustavo,
que costura almas
nas manhãs de quarta.
O livro de poesia
de Augusto dos Anjos,
para o cobrador do expresso 022.
(Fragmento da poesia - Diante da janela, o roseiral - O sal das rosas / 2007)
*
Tem uma torneira vazando
enlouquecendo em azul
a noite.
Cai em ritmo de segundos,
tatua o tempo em estilhaços líquidos
(A última chuva/2007)
Guardo com carinho o livro/dvd, sentindo esta felicidade que só mesmo a poesia pode dar. Para saber mais sobre o Projeto H2Horas e comprar o livro/dvd segue o endereço:
à sombra do roseiral:
Deixo meu violão
para a balconista da padaria.
A erva benta
para a velha do sobrado.
A chaleira
que chia Villa-Lobos
para Frei Gustavo,
que costura almas
nas manhãs de quarta.
O livro de poesia
de Augusto dos Anjos,
para o cobrador do expresso 022.
(Fragmento da poesia - Diante da janela, o roseiral - O sal das rosas / 2007)
*
Tem uma torneira vazando
enlouquecendo em azul
a noite.
Cai em ritmo de segundos,
tatua o tempo em estilhaços líquidos
(A última chuva/2007)
Guardo com carinho o livro/dvd, sentindo esta felicidade que só mesmo a poesia pode dar. Para saber mais sobre o Projeto H2Horas e comprar o livro/dvd segue o endereço:
Friday, June 18, 2010
Saramago
Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença.
O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila.
Prêmio UFES de Literatura
O gelo da morte na vidraça
Láudano para as dores reais
estas que bailam
nos olhos ejaculados
Para as dores invisíveis
chá de espectros
na chávena em chamas
Nunca me livrarei
dos vampiros anêmicos
Nunca os expulsarei
da mesa rústica
de sal e conchas
Ao meu redor -
a dança alucinada -
reverso do tango:
Ódio amornado em mel
Ódio guardado vaporoso
Ódio consagrado em si bemol
Purpurina enfática cai
nas feridas frias
Como manto de rainha bastarda -
Azul - de ódio adulterado
Bárbara Lia
- Prêmio UFES Literatura
- Ontem no Espírito Santo aconteceu o lançamento da Antologia do Prêmio UFES - A poesia acima, uma das nove publicadas na Antologia.
Láudano para as dores reais
estas que bailam
nos olhos ejaculados
Para as dores invisíveis
chá de espectros
na chávena em chamas
Nunca me livrarei
dos vampiros anêmicos
Nunca os expulsarei
da mesa rústica
de sal e conchas
Ao meu redor -
a dança alucinada -
reverso do tango:
Ódio amornado em mel
Ódio guardado vaporoso
Ódio consagrado em si bemol
Purpurina enfática cai
nas feridas frias
Como manto de rainha bastarda -
Azul - de ódio adulterado
Bárbara Lia
- Prêmio UFES Literatura
- Ontem no Espírito Santo aconteceu o lançamento da Antologia do Prêmio UFES - A poesia acima, uma das nove publicadas na Antologia.
Saturday, June 05, 2010
dia mundial do meio ambiente
Rio Negro - foto da minha filha Tahiana
Decreto:
Proibido derrubar
qualquer árvore
(exceto para
construir
berços
e violinos)
Bárbara Lia
Lorca
Post em homenagem a Lorca, que nasceu em um dia 05 de junho
Lorca en mi corazón
Gazal de espumas
treze constelações rimadas
clave de Fá escondida
na estrela mais clara
Touro triste dança
ao manto de mariposas
vomita rosas, chora arraias
Lua desfia-se
incinera seus raios
em luto andaluz
Corcéis golpeiam
o vento perfumado
que acariciou o poeta
em noites lendárias
Cinzas levitam
acima do fogo eterno:
Lorca en mi corazón
Bárbara Lia
Tuesday, June 01, 2010
...E ele ancorou seu navio nas galáxias
Acordei às seis da manhã, li meus e-mails e entrei no portal da Gazeta do Povo - li a notícia da morte do escritor Wilson Bueno. Segundo a polícia, durante um assalto em sua residência. Bueno considerava - A copista de Kafka - sua obra mais madura. Este grande escritor ceifado neste tempo em que a segurança voou e não volta nunca mais. Vivo em Curitiba, mas, vivo à margem. Poucas vezes vi e falei com Wilson Bueno. Meu contato com ele foi quando li - Mar Paraguayo - e escrevi um texto que ele chamou de crônica impressionista. Uma grande perda. Inominável. Para homenagear este autor de tantos livros inesquecíveis transcrevo o texto sobre Mar Paraguayo... Para o Bueno que agora navega em um mar de estrelas.
A MÚSICA DAS CARAVELAS
- leitura poética de Mar Paraguayo
Como poeta tenho um sonho utópico que, bem sei, pode demorar milênios para se realizar - Abolir fronteiras. Sempre penso na terra azul vista do espaço naquela fluidez encantada que baila no infinito, aquele azul absoluto. Talvez da forma como concebida por um criador que me soa cada dia mais estranho, cada dia menos coerente, diante destas catástrofes e destes genocídios e destes cismas e destas calamidades humanas que chamam de guerra. Tudo que direi aqui não é dito por nenhum acadêmico com seus códigos canônicos, com suas teorias seculares. Tudo o que digo nasce de um coração de poeta que aprendeu muito cedo a amar as palavras. Penso em falar sobre duas caravelas, uma que veio da Espanha e aportou na América; a outra que veio de Portugal e aportou na mesma América, em um país onde vivo e amo, apesar de todas as suas incoerências e mazelas. Nasci no Brasil, em uma família mesclada de poesia e sol. Meu pai era um filósofo que amava a Matemática, por amar a matemática pôs-se a medir terras e a calcular e a traçar mapas. Minha mãe era da etnia Tupi era nossa bússola apontando a vida real. Meu pai declamava os grandes épicos e falava de poesia e de mitologia e de coisas que me encantavam quando eu era menina. Cresci entre a beleza lírica das palavras e comecei a amá-las. Em minha casa nunca se leu Neruda, embora houvesse os clássicos e alguns livros antigos e enciclopédias e muita poesia de autores do Brasil e de Camões. Mas, Neruda era comunista e dois Pablos foram devidamente desconsiderados em minha casa - Pablo Neruda e Pablo Picasso. Havia ali a tentativa paterna de me converter ao seu pensamento político, tudo isto naufragado. Amo Pablo Neruda, as revoluções, Ernesto Guevara. Penso que em um lugar metafísico onde se encontraram dois idiomas diante de mim. Essas duas caravelas se encontram e se fundem e formam o tema deste ensaio tímido. De certa forma, tudo começou com Pablo - O Neruda. O poeta do Chile que escreveu a vida, os amores, o mar, a sua ilha, e a luta dos homens. Foi o primeiro soneto que li em espanhol. Foi o primeiro livro que li traduzindo um idioma em meu coração. Autodidata, fui vasculhando os livros e descobrindo as palavras no idioma de Pizarro, tentando ver entre o sangue dos antigos povos a luz de ouro flanando por entre símbolos. Amei a musicalidade ardente da Espanha e suas palavras imantadas de calor. Amei Pablo e depois dele continuei a ler as palavras da Espanha. Garcia Márquez, mais um momento de êxtase. Percebi que o sangue de Espanha continha o sol e que este sol viajando nas veias dos povos espanhóis se transformava em sua escrita e nem mesmo Borges, com sua origem inglesa, deixava de ser solar, mesmo que diante dele se apagasse, aos poucos, o sol - Jorge Luis Borges traduzia esta luz em palavras mesclando-as com uma sapiência engenhosa, com sua timidez encantada, com sua mente iluminada. Os mais belos contos que leram meus olhos e então eu fui capturada por este idioma claro, mesclado com o som das castanholas, com danças de amor incendiado, com capas de toureiros em areia ardente. A poesia de pulsações e pétala de Garcia Lorca e as palavras barrocas e enfeitiçadas de Lezama Lima. Tudo isto meus olhos encontraram, encantaram-se e transformaram meu coração em um território de Espanha. Agora eu tinha as lembranças de sonetos antigos, de versos de Camões. A minha língua tão bela, a mais rica deste universo - Última flor do lácio... E tinha também a fúria de Cortéz e a beleza dos povos inca e astecas aglutinadas em minhas células.
Voltando às caravelas. Em um mar metafísico unem-se as caravelas de Pizarro e Cabral. Os homens se perdem neste mar e se tornam piratas do espaço, um mar entre as estrelas e uma solidão desgarrada. Que resultaria destas caravelas fundidas, destes idiomas da Europa flanando entre um mar de espumas de estrelas e entre a névoa das galáxias? Este mar metafísico que pode muito bem ser o "Mar Paraguayo" de Wilson Bueno. Neste mar, os marinheiros falariam de seus amores e de suas histórias e poderiam surgir "sonetos salvajes" como os escritos por Douglas Diegues. Falar de poesia e de idiomas e de Literatura apenas com a bagagem dos anos e com o amor desmesurado, a isto se propõe este ensaio de caravelas unidas que deságuam em uma praia exótica de sol e palmeiras e sexo ardente e de verdades tão cristalinas como há muito não vejo nesta literatura plastificada que se faz em meu país, com algumas exceções, é claro. O portunhol, eis o fruto destas caravelas extraviadas. Formando um mar na fronteira Paraguai-Argentina-Brasil, um mar banhado de lendas indígenas e poesia da melhor estirpe, sob as bênçãos de Manoel de Barros e diante dos pássaros do pantanal e dos peixes do Iguaçu e de todas as suas águas que deságuam naquela belíssima catarata. O portunhol de Douglas Diegues e de Wilson Bueno. Mar Paraguayo e Sonetos Salvajes, duas obras recentes de dois jovens escritores a me instigar com sua nova linguagem, e entre as noites frias do sul do Brasil este calor de uma cidade morena e de uma praia do Paraná, neles mergulho minha alma de poeta que nunca se resfria mesmos com estas garoas e chuvas, mantenho-me ardente por dentro. O portunhol raptando-me como se rapta uma donzela por entre labirintos de cercas vivas e mostra neste recanto que exala a natureza viva, as ardências do amor, a alma abismada diante do tempo, a indignação diante da literatura que se empobrece com suas tentativas de flashs. A vida e o poema que exalam destas palavras em portunhol, que me deixaram assim com desejos de falar sobre esta nova forma de linguagem e depois de tudo perceber que na literatura, mais que o idioma, importa a mensagem, a entrega, descobertas, a coragem. Por isto as caravelas continuam flanando em seu universo metafísico, convido Wilson Bueno a apreciar a Via-Láctea comigo do tombadilho, e ele me sorri, como sorri quando falam com ele, e me acompanha na caravela encantada, esta explosão de luzes lilases, anis, índigo, verde, tudo diante de um tombadilho em um navio ancorado nos astros. Vamos falar da marafona e de seus delírios e suas filosofias e de suas vidências. Um pouco de vinho, uma manta a me proteger dos súbitos ventos estelares e a marafona - invisível - senta-se, sensualmente, ao nosso lado. Abrimos o exemplar vermelho de Mar Paraguayo em uma coleção cujo título é -Américas- E penso que a cor do livro é sangue, mar de sangue, de dois idiomas aqui plantados substituindo a língua dos nativos, engendrando morte e extermínio. Abrimos o pequeno livro em um tombadilho que quase se choca com um recife de estrelas e, perdidos no azul, nos colocamos diante das primeiras palavras da narradora desta história - A Marafona - e ela vem para nos dar uma notícia, um aviso:
el guarani es tan essencial em nesto relato quanto el vuelo del párraro, lo cisco em la ventana, los arrulhos del português ô los derramados nerudas em cascata num solo só suicídio de palavras anchas. Um el error dela outra. Queriendo-me talvez acabe aspirando, em neste zoo de signos, a la urdidura essencial Del afecto que se vá em la cola del escorpión. Isto: yo desearia alcançar todo que vibre e tiene abaixo, mucho abaixo de la línea del silêncio. No hay idiomas aí. Solo la vertigen de la linguagem...
A sutileza da Literatura permite que um escritor se coloque na pele de alguém de outro sexo, há que ter sensibilidade pura para incorporar uma mulher. Mestre nesta arte é Chico Buarque com suas canções. Embora recentemente eu tenha lido um livro surpreendente do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar - Cinco Marias. Após a notícia da Marafona, o primeiro capítulo do livro tem como subtítulo - Ñe'e - Palavra, no idioma guarani. Todo o livro segue em uma narrativa enfeitiçada, vertiginosa, surreal, idiomas entrelaçados, e além do português, espanhol e guarani, no início ela usa uma expressão francesa evocando o mar."La mer" e conclui como desabafo "Merde la vie que yo llevo."
A Marafona, que está na praia de Guaratuba perdida em solidão em uma casa onde tudo parece ser fictício - o velho, o cão brinks, o menino bronzeado da praia de Guaratuba. O primeiro capítulo, como mencionei é Ñe'e, o último que também tem um subtítulo - Añareta - Inferno, no idioma guarani. Como a marafona coloca-se no final como Îyá - duende das águas, uma divindade aquática guarani, é como se ela própria não fosse real.
Eu esqueço o desvario das nebulosas cálidas, a chuva de estrelas que entontece e pergunto a Wilson Bueno, neste navio ancorado na Via-Láctea, se os pensamentos da Marafona não passam de um mergulho do escritor no inferno da criação, criando um livro que é uma metáfora da solidão que nos assalta, dos nossos desejos e sonhos, onde Ñe'e - palavra, leva-nos a Añareta - inferno.
E gravo a tela ao fundo - luzes de galáxias fixando o misterioso sorriso de Wilson Bueno.
Bárbara Lia
novembro/2004
novembro/2004
e a poesia segue...
Roteiro da poesia para dia 05 de junho em Curitiba:
A Lu convida para o coquetel junino de lançamento do livro - "Meu coração bate e às vezes me espanca" - que vai acontecer neste sábado 05/06 a partir das 15h, na livraria-sebo Joaquim - Rua Alfredo Bufren, 51 - Praça Santos Andrade
O livro vai estar com preço promocional de lançamento
e também pode ser comprado depois pelo site da editora:
- atenção - o cartaz está com a data errada - o lançamento é dia 05.
--
*
Café Com Leite Quente e Poesia. Julio Almada e Adriano Smaniotto serão os convidados para falar do Feio e do Belo. Será um sábado de muitos eventos mas podemos entrelaçá-los como são entrelaçados os ensejos poéticos mais contraditórios!
O Belo X O Feio - Adriano Smaniotto e Julio Almada
Data:05/06
Hora: depois das 16:00
Local: Café do Paço da Liberdade
Monday, May 31, 2010
aos que morreram em águas internacionais
------
Ouço o eco dos séculos
chega em perfume de sândalo
rasga-me em cimitarras frias
acende a lua crescente
em meu coração Amrik
Bárbara Lia
Sunday, May 30, 2010
Canção para Jane e Edith
Só em pensar que existe um jardim inglês
Um lago retangular pleno de flores d’água
Cercado por lanternas vermelhas e névoa
Só em pensar que sob alguma árvore
Três cavalos meditam ao entardecer
Um branco, um negro, um caramelo
Só em pensar nas similaridades ternas
Viver da minha caneta como Jane Austen
Tricotar casacos para o amado como Edith Piaf
Só em olhar tudo e recolher os ossos espalhados
Cerzir a pele rota de paixões pífias - para o amado puro -
Longe das ruas geladas e do assédio dos egos afetados
Bárbara Lia
nov/2009
Saturday, May 29, 2010
Mondo Modigliani
Amedeo Modigliani
Paris e um amor
Ode de absinto
E dança
A voz de Piaf acorda
As pedras de um beco:
“C'est lui pour moi
Moi pour lui dans la vie”
Um passo uma dança
O peito tísico abraça:
Pele lunar de Jeanne
- A musa sem olhos -
Os bêbados rasgados
A lua amassada
E o triste passado
Sepultado em Livorno
Bárbara Lia para Modigliani
maio/2010
maio/2010
NooN
(21 gramas - artesanais)
Thursday, May 27, 2010
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La nave va...
Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia
Connor Storrie (Ilya Rozanov). Cenas da série canadense 'Heated Rivalry'. Baseada no livro de Rachel Reed. Direção e Adaptação do ge...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
-
INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...










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