Thursday, January 17, 2008

UMA CARTA

Clarice...

Apagarias o cigarro. Recolherias o olhar pousado em um ponto longe a ultrapassar as balas perdidas e toda a beleza do Rio. Sentarias à janela, bloco e caneta preta, letra da minha mãe, para responder a esta interrogação, querida?

Nadavas no escuro? Que lagoa recôndita entre rochas lázulis atravessavas para buscar o espanto? Bebi tua Água Viva e escrevi como quem ainda não te elucida: A gota clara do orvalho na rosa é lágrima fêmea, que brilha enquanto sofre.

Guardaram tua vida em gavetas onde caminhei por uma tarde. Na tela teu rosto reverberava de dor escondida. Deti-me, e fluiu esta pergunta de mulher que busca a chave dos mistérios – como lavar a mágoa com tinta como tu, eu que só tenho águas e espumas?

BÁRBARA LIA


Penso que foi no site da Rocco que havia esta proposta, escrever uma carta à Clarice e ganhar um livro, escrevi a carta, mas, não enviei... Não queria contar palavras, virar do avesso meu desejo prá entrar sempre na medida que me pedem... Reli a carta e pensei em dividir aquilo que sempre vai ser quando eu ler a obra dela: interrogações, interrogações, interrogações...