Friday, February 11, 2011

Carlito Azevedo

Não é uma resenha, análise literária acadêmica. Os poetas merecem o apuro de um olhar sobre estes livros, todo cuidado para tocar um tesouro. Um livro de poesias de um poeta verdadeiro é um tesouro... então, a tarde que passo em volta dos livros na Biblioteca Pública engendra este tipo de diálogo, e escrevo no bloco artesanal ao ritmo das leituras...


Em 2002 o amarelo gritante da capa de - As banhistas - abduziu esta poeta. Li o livro em uma tarde de verão - Pasmada! Pisei mares e areias ao lado dele e pensei - UM POETA! Nem todos os livros que tem poemas impressos são livros de poesias escritos por poetas. As banhistas era.
Ao encontrar Monodrama na estante eu me agarro ao negror da lombada da capa e ao sentar para ler em um recanto sossegado neste começo de 2011 eu penso - MAIS QUE POETA!
Os poemas são longos. Belos, sugam-nos para um lugar. Não conheço muito bem o Rio de Janeiro. Os passeios sempre às pressas. Lembro a poesia da Enseada de Botafogo quando esperava o ônibus para o Aeroporto, ali perto da casa da Clauky Saba, onde ela vivia quando fui ao Rio lançar - A última chuva. Fiquei olhando e pensando em como o Rio me entotece.
E a luz que colho quando piso as ruas do Rio. Até então eu só me hospedara em Copacabana. Agora, piso ruas do Bairro Botafogo e percebo que aquela luz está em toda parte do Rio...
E é de luz que Carlito fala em um poema lindo e longo...


(...)

Quem diz luz
diz algas diz cianobactérias

quem diz luz
diz impressão de espaço

diz: logo à noite
cintilando para ninguém

de um só lance meu olhar
abraça os olhos da alpinista triste

e diagnostica
pânico de chek-in


(...)


é preciso ler monodrama, para trilhar poemas assim...

(...)

"Suba na minha asa esquerda
e eu lhe mostrarei
(vamos voar!)
os mais ocultos recantos
dessa potência comercial"

(...)