Thursday, February 17, 2011

L'amant

"O amante" de Marguerite Duras, li duas ou três vezes o livro, vi três vezes o filme. Ontem comentava com minha amiga Luciane sobre este livro de Marguerite Duras. Há vinte anos me senti próxima da menina que encontra o amante. Lembro que nesta época em que eu pensava recuperar o sonho de menina e escrever meus próprios livros, foi este livro que me deixou sem ar. E a Biografia de Frida Kahlo. E a poesia, sim. Sempre a poesia.
Fragmentos do livro "O amante" de Marguerite Duras:
"Muito cedo na minha vida ficou tarde demais. Quando eu tinha dezoito anos já era tarde demais. Entre dezoito e vinte e cinco meu rosto tomou uma direção imprevista. Aos dezoito anos envelheci. Não sei se é assim com todos, nunca perguntei. Creio que alguém já me falou dessa investida do tempo que nos acomete às vezes na primeira juventude, nos anos mais festejados da vida. Esse envelhecimento foi brutal."
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"A história da minha vida não existe. Ela não existe. Jamais tem um centro. Nem caminho, nem trilha. Há vastos espaços onde se diria haver alguém, mas não é verdade, não havia ninguém. A história de uma pequena parte da minha juventude, já a escrevi mais ou menos, quero dizer, já contei alguma coisa sobre ela, falo aqui daquela mesma parte, a parte da travessia do rio. O que faço agora é diferente, e parecido. Antes, falei dos períodos claros, dos que estavam esclarecidos. Aqui falo dos períodos secretos dessa mesma juventude, das coisas que ocultei sobre certos fatos, certos sentimentos, certos acontecimentos. Comecei a escrever num ambiente que me obrigava ao pudor."
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"Deixe-me contar de novo, tenho quinze anos e meio. Uma balsa cruza o Mekong."

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"Vejo agora que muito jovem ainda, com dezoito anos, com quinze anos, eu tinha este rosto, premonitório daquele que adquiri em seguida com o álcool na meia-idade da minha vida. O álcool desempenhou a função que Deus não exerceu, também a função de me matar, de matar. Este rosto de álcool, eu o adquiri antes do álcool. O álcool apenas o confirmou. Tinha em mim esse lugar reservado, eu o percebi como todos os outros, mas, curiosamente, antes da hora. Assim como tinha em mim o lugar para o desejo. Aos quinze anos tinha o rosto do prazer e não conhecia o prazer. Os traços do prazer eram muito acentuados. Até minha mãe devia vê-los. Meus irmãos os viam. Tudo começou assim em minha vida, com esse rosto visionário, extenuado, as olheiras antecipando-se ao tempo, à experiência."