Tuesday, March 06, 2007

PORÃO LOQUAX - O SAL DAS ROSAS




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Porão Loquax - Wonka Bar - fotos da noite de 27/02.
O livro - O sal das rosas - Lumme editor - publicação
possível graças ao editor Francisco dos Santos, que
recebeu o meu original e optou por tornar real um antigo
sonho. Março - em data a ser marcada - terá lançamento
em Curitiba - quem não mora em Curitiba pode adquirir
o livro diretamente com o editor:
www.lummeeditor.com
- As fotos da noite da poesia são de Elisandro Dalcin -
videomaker e fotógrafo.

DIANTE DA JANELA, O ROSEIRAL
























Testamento enterrado
à sombra do roseiral:

Deixo meu violão
para a balconista da padaria.
A erva benta
para a velha do sobrado.
A chaleira
que chia Villa-Lobos
para Frei Gustavo,
que costura almas
nas manhãs de quarta.
O livro de poesia
de Augusto dos Anjos,
para o cobrador do expresso 022.


Assinado:

A menina dos olhos tristes.
Chico me chamava de Carolina,
mas era só um disfarce.
Sou eu a menina
que viu o tempo passar na janela,
sem ver.

BÁRBARA LIA

- O SAL DAS ROSAS - Lumme Editor.

- Beliza Borba na noite do porão loquax - foto de Elisandro Dalcin

O QUE ME PERTENCE



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O que é maior que eu
abraço feito fosse Deus.
As coisas pequenas vazam.
Choro por elas, uma noite talvez.


(Demian Garcia (piano) - esta poeta)
porão loquax
o sal das rosas
foto - elisandro dalcin

TRENS TRITURANDO...


















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Tangência de ferros nos trilhos
rasga em uma ternura que ofende
de tão bela.
Existirá paisagem de dor mais fecunda
que trens rasgando trilhos?
Nuvem ao redor: que nuvem aquela?
Cenário trepida
por trás de uma cortina estremecida.
Até o ar se emociona
quando o trem se aproxima,
diante dele a ternura de açúcar fervido
balançando em dobras de olvido...
Esquecer!
Ser este trem que parte e vai levando
diante dele a cortina:
nossos corações diluídos
acima dos trilhos...

*

(Na foto - a atriz Beliza Borba)

...TRILHOS




Eu e você: recorda?
Recorda a fumaça do teu cigarro,
tua pele clara, o gozo líquido -
cortinas de açúcar.
Recorda?
Recordam – eternamente –
trens triturando trilhos.


Bárbara Lia

CÉU FULIGEM


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...
nuvens negras
o oriente geme
Krishna, Allah e os astros
nos deserdaram
estrelas apagadas
em um céu de fuligem
entre os cães e as carnes
de crianças do Iraque
uma lágrima rasga
em cicatriz, o poeta
(na selva-relva
acordes & solidão)
*
(No palco:
ADRIANO SMANIOTTO
Poeta - Professor de Literatura)

MÍSTICAS




















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LENDO CLARICE LISPECTOR
porão loquax - o sal das rosas

MAREJADAS


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Lençóis ao vento.
Vela de um barco
Onde o timão balança
Entre a neve
E a primavera.

poesia - Bárbara Lia
evento - porão loquax
o sal das rosas

Imagem do filme - Limite - Obra Prima de Mário Peixoto 

OUSADAS































Todos sofrem:
A gota prata
Do orvalho na rosa
É lágrima fêmea
Que brilha
Enquanto sofre.

Lendo Clarice Lispector
Bárbara Lia

imagem - projeção no palco do wonka bar - porão loquax - o sal das rosas

Monday, March 05, 2007

GRETA BENITEZ


MARCOS DE OLIVEIRA


























ladjane bandeira

REESTAÇÃO



Janeiro caiu
amarelo
do cajueiro.

Fevereiro se foi
em
redemoinho.

Março veio nublado e partiu
com
os olhos marejados.

Dos outros meses
nem mais lembro.
Só recordo
dos beija-flores
e da flor-de-lis nascendo na janela.

É setembro - pensei.

É setembro batendo à porta
da nova estação.

MARCOS DE OLIVEIRA
Coleção Ladjane Bandeira de Poesia
volume 1
(Prefeitura de Recife - Sec. de Cultura -
Fundação de Cultura Cidade do Recife)


Friday, March 02, 2007

DIÁFANA


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O som do oboé abafa
a melodia da caixa de música.
Cristal filtra o raio lilás
do sol que adormece.

Bicicleta atirada na calçada,
velhinho com olho antigo
no horizonte.

Abraço a vida, quando o dia acaba,
refrescante e calma...

Cerro cortinas diáfanas,
beijo tua foto desejando beijar tua alma.



BÁRBARA LIA
(O sal das rosas, 2.007
Lumme Editor)

Tuesday, February 20, 2007

CAOS DE PÉTALAS



(Rosas de Manhattan
desmoronam!
Hiroshima & Nagasaki
ao avesso)


Meus desmoronamentos,
assombros - apenas anjos malditos vêem -
recolhem estrelas despregadas da minha
pele-céu
em manhãs desgarradas.
Riem, em segredo,
da minha flor em pedra.


Anjo do avesso,
o que necessito,
pousa em meu ombro
como um raio de pétalas.


BÁRBARA LIA

- O sal das rosas - Lumme editor.

Monday, February 19, 2007

CHIEKO














Chieko (Rinko Kikuchi)
*BABEL. Um filme que você assiste mudo, como Chieko, que me toca a alma. O sonho de Chieko era o mais bonito, de todos do filme, o mais precioso: SER. A força de Chieko está na contestação. Ser é foda! Ser te aniquila. Ser te isola. Ser... Chieko É. Choca e toca mais que todas as cenas e todo o enredo, Chieko é a vida e seu grito, que espera nua na sacada pelo abraço do pai... E todos os pais do mundo abraçam a nudez dos filhos que não compreendem, ali, naquela sacada... Mais que a força do carisma do menino da aldeia do Marrocos - o que deu o tiro. Mais que a cena de beleza que impressiona, quando o casal se reencontra no beijo de amor, naquele lugar sujo, de sangue suor e urina. É ela que rouba a cena, em nome de todos os excluídos, contra todo preconceito – Chieko.
BABEL. Uma facada na artéria vital, de doer latente, esta certeza, de que mesmo no mesmo idioma ninguém se entende mais.
*
"Babel", de Alejandro Gonzalez Iñarritu (o mesmo de "21 gramas" e "Amore Brutos"), filmado no Marrocos, Tunísia, México e Japão. Globo de ouro de melhor filme -
Cate Blanchett (Susan) Brad Pitt (Richard) Gael García Bernal (Santiago) Adriana Barraza (Amelia) e Rinko Kikuchi (Chieko).

MIGUEL TORGA

DESFECHO


Não tenho mais palavras.
Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte.)

Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E paciente...

E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão.
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.

Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia...
Agora somos dois obstinados, mudos e malogrados,
Que apenas vão a par na teimosia.

Miguel Torga



LETREIRO



Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
De insatifação -,
Diante de qualquer adoração,
Ajuizo.
Não me sei conformar
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.

Miguel Torga



ÍCARO


O sol dos Sonhos derreteu-lhe as asas.
E caiu lá do céu onde voava
Ao rés-do-chão da vida.
A um mar sem ondas onde navegava
A paz rasteira nunca desmentida...

Mas ainda dorida
No seio sedativo da planura,
A alma já lhe pede impenitente,
A graça urgente
De uma nova aventura.

Miguel Torga
, Diário, XII


MIGUEL TORGA
( 1.907-1.995) - Portugal
Prêmio Camões (1.985)

Sunday, February 18, 2007

CARLOS QUIROGA⁸









neurona


Lembro que antes lembrava um rostro
do qual nom lembrava o nome

Agora nem o rostro lembro
e em breve nem lembrarei que lembrava

Carlos Quiroga
G o n g -
mais de 20 poemas globais e um posfácio esperançado
Fundaçom Artábria, Ed. Ferrol, 1999

Carlos Quiroga nasceu em 1961, em Escairom, na Galiza, Espanha. É escritor e professor de literaturas lusófonas na Universidade de Santiago de Compostela. Publicou g.o.n.g. - mais de 20 poemas globais... (1999), Periferias (1999), A espera crepuscular (2002), Il castello nello Stagno di Antela (2004) e O regresso a Arder (2005). Fundou e dirigiu a revista galega O mono da tinta e é o atual diretor da revista Agália.

Saturday, February 17, 2007

ADRIANO SMANIOTTO




comigo você não vai.
me desculpa
e vê se escuta desta vez:
estrelas não andam juntas.
só não percebe aquela que não vê

que muita luz também traz cegueira
fica queimando no teu canto
e avisa caso minhas pseudo-pontas
estiverem ficando agudas

por enquanto te mando esperança
e com um faz de conta sobrando
rumamos pra uma lua



****



me olhar cada vez menos.
cuidar para não refletir
nem ser refletido
ir me esquecendo.
até que um dia
alguém me grite nos tímpanos:
- porra, você é ou não é o Adriano?
e sereno então eu responda:
- acho o nome bonito
já ouvi outras vezes,
tem isqueiro?

esquecer-se de corpo e alma
não é projeto pra anjo.
é pra humano mesmo
porém sem o prejuízo dos anos
e a traição dos espelhos.

ADRIANO SMANIOTTO
(Curitiba, 1.975)

-do livro "Vinte vozes de uma mesma veia"

Thursday, February 15, 2007

SIERGUEI IESSIÊNIN







palácio de gelo - São Petesburgo


O homem morto mais belo que vi, foi em uma fotografia, em um livro que lia, de poesias de Maiakóvski - Sierguei Iessiênin. Dormia, no hotel Inglaterra, com uma placidez na face que tocou a alma, não poderia estar atormentado, queria descansar, apenas. Não creio nos dogmas, mas, na liberdade, de quem deseja descansar. Descansava, com uma roupa de sua época, os cabelos de trigo, o rosto de beleza imensurável, eternizado em versos e beleza. Plena de Rússia e meninos belos, tirei da gaveta uma poesia antiga, escrita quando rebeldes chechenos invadiram o teatro... pensei em reescrever quando aconteceu o massacre em Beslan, mas, afinal, ainda não aprendi a tirar a pele materna para falar de meninos mortos, crianças martirizadas... Desligo a tv e não abro nem um e-mail que fale sobre o menino morto no Rio de Janeiro, não faço poesia com esta atrocidade, calo o nome, não olho a fotografia, a barbárie extremada não se resolve com leis, incisos, parágrafos...



OURO & AZUL

Bárbara Lia


A Rússia é feita de lágrimas.
Tragédia regada à ópio.
Sangra mais que nuvens de Moscou
e o ouro azul das rosas.

A Rússia sempre sangra, balalaika chorando.
Girassóis por tanques esmagados.
Botas regendo a cantata do impossível.
Meninos mortos em submarinos submersos.

Rasgo meu dedo no espinho da rosa,
beijo a foto de Iessiênin morto,
escrevo em sangue no pergaminho branco -
"A Rússia não é vermelho-sangue,
é ouro & azul"



RÉQUIEM PARA UM MARINHEIRO


.No coração do coração da Rússia
No casebre de madeira
No qual nasceu o poeta Sierguei Iessiênin
Até mesmo as tábuas do soalho cantam
Sob os passos pé ante pé das crianças
Um canto mais delicado que o dos pássaros
Por quê?

Porque no porão, sob o chão,
O cordão umbilical de um poeta
Foi soterrado.
E onde quer que se encontrasse,
Em Moscou ou Nova York,
Seu cordão umbilical o puxava
Para casa
Para os odores da lenha que secava
Crepitando
Para as canções das últimas tropas
Da guarda nacional dos grilos russos.
Não é verdade que Iessiênin

Se enforcou em São Petersburgo.
Foi seu cordão umbilical que o lacerou
No aperto do abraço.
Seu cordão umbilical
O tinha ligado para sempre
Não à morte tão esperada,
Mas à sua amada Anna, ressurgida,
Que uma vez o rejeitou
Quando era jovem e vivo.
E mais de meio século depois
Jovens marinheiros russos cantaram
Sua canção: “Meu Ácer Desfolhado”
Sob as águas do Norte
Num submarino condenado
Engolindo desesperadamente as palavras
Junto com as últimas migalhas do ar de casa.
O seu canto camponês veio à flor da água
Sobre as ondas como sulcos de espuma
De um campo recém-arado.
Por que aquelas ondas mataram os rapazes
Que cantavam o canto de Iessiênin
Sobre as notas de sua guitarra submarina?
Adeus, meus “rodnìe”.
Só em russo existe
Essa expressão insondável:
“compatriotas” ou “caríssimos”
“mais sinceros”, “amados” e “queridos”.
Não há segredos militares eternos
Há somente um único segredo: a alma humana.
Os discursos sobre a imortalidade dos heróis
São para as mães apenas palavras vazias.
Como uma mãe poderia velar
Seu filho sepultado num cemitério
Tormentoso?
E se hoje a Rússia inteira,
Como o submarino ferido,
Não pudesse mais sair à superfície
Do abismo,
Seria ainda possível recuperar,
Sepultado no solo ou nas águas russas,
Como último recurso,
Seu cordão umbilical?


Ievguêni Ievtuchenko(Poema em homenagem aos marinheiros do submarino russo Kursk, publicado no jornal “La Reppublica” e traduzido do italiano para o “EU&Cultura” do jornal “Valor”, em 2000)


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A Sierguéi Iessiênin


Maiakóvski

Partistes,
como dizem
para o outro mundo.
O vazio...
Estais
planando,
até o céu bordado de estrelas.
Chega de adiantamentos
e de pinga.
Sobriedade.
Não, Iessiênin
isto não é
zombaria.
Na minha garganta
nada de escárnio
mas uma bola de tristeza.
Eu vos vejo
com uma mão de cera hesitando
agitar
o saco
de vossos próprios ossos.
Parai,
deixai para trás!
Que idéia é essa
de derramar
no vosso rosto
este giz mortal?
Vós
que sabíeis escrever coisas
como ninguém
no mundo.
Por quê?
E como?
Derramam-se em hipóteses
Os críticos gaguejam:
“De quem é a culpa?
Muito a dizer...
mas sobretudo
lhe faltava ‘ligação’
O resultado?
Muita cerveja e vodca.”
Dizem
que vós deveríeis
ter trocado a boêmia
pela classe;
A classe vos teria influenciado,
fim das brigas.
Mas essa classe
a sua sede
ela a sacia com kvas?
A classe
ela também, para beber
entende um bocado.
Dizem
que se vos houvessem juntado
alguém de Sentinela
teríeis
feito
muitos progressos:
poderíeis
a cada dia
escrever
vossos cem versos,
chatos
e compridos
como Doronine.
Para mim
se este delírio
se tivesse realizado
vós teríeis
muito mais cedo
sobre vos mesmo se atacado.
Melhor
morrer de vodca
do que de tédio!
Nem a forca
nem a faca
nos darão a chave
desta perda.
Talvez
se tivesse havido tinta
no Hotel Inglaterra
o Senhor poderia ter evitado
de se cortarem as veias.
Os imitadores se alegram:
“Bis!”
Todo um pelotão
que faz
sobre si mesmo, justiça.
Por que
aumentar
o número dos suicídios?
Melhor seria
aumentar
a produção de tinta!
Para sempre
agora
esta língua
fica presa atrás destes dentes.
É duro
e deslocado
fazer mistérios.
O povo
aquele que cria a língua
perdeu
um de seus artesãos
farristas
e sonoros.
E trazem
as quinquilharias dos versos funerários
quase os mesmos
desde o último enterro.
Deveríamos dispersar
no féretro
com um cajado
estes versos inexpressivos.
É assim
que se homenageia
um poeta?
Ainda não vos
construíram um monumento;
onde estão os quilos de bronze
ou os gramas de granito?
que diante da grade da lembrança
já traga
mas bugigangas
das homenagens e dedicatórias.
O vosso nome
é colocado em lenços,
Sobinov
baba as vossas palavras
e sob uma árvore magrinha
ele agoniza:
“Nem mais uma palavra, meu amigo,
nem um suspi-i-i-ro”
Ah!
é de outra forma que deveríamos falar
a esta espécie
de Leonid Lohengrin!
Levantar-se
em fulminante escândalo,
– Eu não permito
que se mastigue
e se massacre
assim os versos!
Assobiar com os dedos
até deixá-los surdos
e mandá-los ao diabo!
Que fujam
esses detritos sem talento,
enchendo
as velas de seus paletós.
Que Kogan
levado em sua debandada
espete os transeuntes
com seu bigode.
A sacanagem
hoje em dia
ainda não ficou rara.
A tarefa é grande
mal bastamos
É preciso primeiro
refazer a vida,
uma vez refeita
poderemos cantá-la.
O nosso tempo, para a pena,
não é muito fácil.
Mas digam-me
os aleijados, os impotentes.
Onde
e quando
aqueles que são grandes
escolheram
os caminhos traçados e fáceis?
A palavra
é capitã
da força humana.
Para a frente, andemos
e que o tempo
estoure em bombas.
Que o vento que sopra
para os dias passados
só leve
mechas de cabelos misturados.
Para a alegria
o nosso planeta
ainda está mal preparado.
É preciso
extorquir
a alegria
aos dias futuros.
Nesta vida,
morrer não é difícil
Construir a vida
é bem mais difícil.

Fonte: Maiakóvski. 2006. Vida e poesia. SP, Martin Claret. Poema originalmente publicado em 1926.


Wednesday, February 14, 2007

A POESIA DO PERTENCIMENTO DE BÁRBARA LIA








- Tahiana - Thomas - Paula - 1.989

O QUE ME PERTENCE


O que é maior que eu
faz parte de mim.
A chuva cabe no mar,
a areia no deserto. Sempre foi assim.


O que é maior que eu
abraço feito fosse Deus.
As coisas pequenas vazam.
Choro por elas, uma noite talvez.


No outro dia
sol clareia a alma.
Descubro o que é meu


para sempre. Os sonhos, as lembranças.
Nossos passos calmos na areia.
O riso dos meus filhos, isto me pertence.

BÁRBARA LIA

A POESIA DO PERTENCIMENTO DE BÁRBARA LIA
Quando eu disse à poeta Bárbara Lia que percebesse, mediante circunstâncias singulares, o que realmente fazia sentido e que se traduzia em um sentimento de pertencimento, minha intenção era que estimasse tal noção partindo de critérios avaliativos subjetivos, ou seja, do que fosse mais verdadeiro e autêntico em sua vida e projeto literário; e não pensei que ela levasse tão a sério aquelas palavras. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com o poema que abre este “O Sal das rosas”, cujo título é “O que me pertence”.
Somos assim, e que bom, movidos algumas vezes pelo verso do outro, por palavras escritas ou proferidas em algum momento, em alguma luz ou treva, e que o atento escriba sabe captar em suas faixas, para irradiar na sintonia de outros canais. Afinal, o que mais nos pertence, além da extensão de nós mesmos e de nossa alma? Algo como os filhos, por exemplo; ou a própria literatura, porque viaja nessa dimensão, do pertencimento mágico ao real,num movimento pendular entre o que temos e somos e o que anelamos e projetamos.
E, afinal, o que não nos pertence? Algo que nos escapa ou no qual não nos encaixamos, este sentimento de não-adequação tão comum à própria noção de não-pertencimento. E a quê? A tantas coisas inumeráveis, situações e coisas não-poesia.
O projeto de Bárbara Lia continua, ainda que na contramão das coisas não-poesia, das condições não-pertencimento, contrapondo-se justamente pelo viés do autêntico e do verdadeiro, do que mais lhe pertence. E aqui, neste “O Sal das Rosas” ela os apresenta, como se vê, na maioria dos poemas, seja através do “riso dos filhos”, dos amores e dores, ou do seu constante exercício de pensar e reescrever o mundo de suas leituras e diálogos, indissociáveis, de todo modo, de suas identificações ideológicas, passionais e de sua busca constante pelo ideal humanista.
Márcio Davie Claudino
Curitiba,verão de 2007.

Monday, February 12, 2007

FRED ROBERTY

Depois do primeiro beijo
o terceiro mundo
nunca mais foi o mesmo

FRED ROBERTY
divulga suas poesias pelas ruas do Largo da Ordem.

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...