Monday, March 02, 2009

O sorriso de Leonardo





Lembro que foi na Biblioteca do Muma que encontrei a Biografia de Leonardo Da Vinci. Muito impressionada com o livro e com a descrição de Leonardo escrevi algumas poesias e fiquei mesmo com o desejo do inacessível - saber como era o sorriso de Leonardo. Homem sério este Leonardo. Mente e alma pululando e pulando de estrela em estrela e de uma teoria a outra teoria para construir pintar e deixar os inventos tantos e os quadros que deixou. O cientista genial, o poeta livre que não gostava de ver pássaros em gaiola, nunca pintou um autorretrato sorrindo.
Um jornalista científico - Piero Angela - notou que existia um nariz no texto que ele lia, em um manuscrito de Leonardo Da Vinci - Códice sobre o voo dos pássaros - e utilizaram novas técnicas - técnicas de investigação criminal - para revelar o rosto escondido.
Estava assistindo ao noticiário da Band News quando ouvi a notícia, antes de mostrarem a imagem eu pensei - naquele momento que antecede à uma revelação - será que neste ele está sorrindo? Que nada. Belíssimo, mas, sério. O sorriso de Leonardo vai continuar sendo impossível de ser vislumbrado, mas, pode ser imaginado e então a imaginação - que é das capacidades a mais bendita - inaugura uma luz neste rosto bonito.
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Um texto sobre a descoberta do rosto escondido:

Sunday, March 01, 2009

Uma imagem para Lia #7

Foto do meu amigo Cássio Amaral
(Violetas roxas/solo sagrado)
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Thursday, February 26, 2009

Para ler de manhã e à noite



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Aquele que amo
Disse-me
Que precisa de mim.
Por isso
Cuido de mim
Olho meu caminho
E receio ser morta
Por uma só gota de chuva.

BERTOLT BRECHT

Saturday, February 21, 2009

Como respirar nuvens

Magritte

....

Amava
como quem soluça
gesto repetido
dolorido
.
Para estancar
o trotear do ar
enchia-me de sustos
.
Só a ti
amo
como quem
respira
.
amo
sem sentir

nutrida
sempre .
.
Só a ti
amo
sem perder
o ar

o rumo
o lugar
;
Só a ti
BÁRBARA LIA

The Reader



The Reader é baseado no livro de Bernhard Schlink, de 1995. O livro tem alguns toques autobiográficos, segundo o autor. O filme, dirigido por Stephen Daldry, traz o encontro perfeito entre os atores David Kross e Kate Winslet. Como dançarinos que nunca se perdem na coreografia, como quem decorou todas as entranhas do labirinto. É assustador e ao mesmo tempo envolvente. O roteiro dos amantes e a própria paixão sai de foco quando chegam os questionamentos - O que mais importa? A lei ou a moral? O filme mostra o choque entre a geração pós-guerra e a geração que vivenciou e protagonizou o holocausto. A ênfase na importância dos livros captura os amantes dos livros e penso que só quem é leitor vai ter uma afinidade maior com este filme, o peso que é dado, o merecido peso ao ato de ler, à importância disto na vida de alguém, no caso, na vida de Hanna, personagem de Kate Winslet. O livro faz parte da paixão, incorpora-se a ela e acaba por tornar-se um rito, um fetiche dos amantes. O livro, uma ponte que está acima das mazelas humanas e dos julgamentos.
O Leitor

estante #9


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Ponto de Oiá
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ela habita o nome
com que a batizaram
senhora de espadas
é chispa e chibata
em carne de escravo
é céu em desagrado
..
ela investe a noite
que não tem começo
luz de lobisomens
quando lança o raio
muda de endereço
faísca sem cansaço
.
ela inventa a hora
em que predomina
dona do ambiente
da vida dos ventos
ela participa
feitiço de pimenta
.
ela aumenta a fonte
de toda memória
risca sobre a areia
é faca de um magma
que a pele incorpora
íntima de artérias.

Wladimir Cazé
Micro afetos, edições K - 2005

Thursday, February 19, 2009

Uma imagem para Lia #5

O mar by Paula - minha primeira filha:

Leque de nuvens para o deus das ondas
.
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O leque de nuvens se reflete
na areia e mármore.
Alento de tarde pagã.
.
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Distante a carranca do deus das ondas
escureceu o mar.
.
.
O coqueiro se eriça.
Cais sobre mim
.
.
feito neve nos Alpes.
E a tarde abraça o nosso abraço.
Bárbara Lia
in O sal das rosas

Monday, February 09, 2009

Uma imagem para Lia #2


foto - Tahiana Cláudia
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Acordei com desejos de unir fotos de amigos com minha poesia. Recebi algumas fotos de minha amiga Ana Mestre e entre elas uma que casa com algumas poesias do livro - A última chuva - Minha filha Tahiana é comissária e fotografou o céu acima das nuvens neste Azul. Quando vi a foto lembrei minha poesia - Mãos de abrir nuvens - que está nesta publicação do site Cronópios: http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=204

Uma imagem para Lia #1

foto - Ana Mestre (Portugal)

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A chuva baila cinza na vidraça
que abre a cidade e
as cicatrizes de concreto.
No mundo não há quem leve,
como eu, este solar crepitar na alma.


Bárbara Lia

in A última chuva

Saturday, February 07, 2009

Juliana






Juliana é minha sobrinha bailarina, atuou por um tempo na Verve Companhia de Teatro - uma companhia maravilhosa que existe em Campo Mourão. Pude ver três espetáculos da Verve, a cada apresentação da Ju em Curitiba. Para mim eternamente Ju. Para a companhia - Juliana Pepinelli. Uma flor. Esta menina de cabelos negros. A outra bailarina de cabelos claros é Mariusa Bregoli, este é o espetáculo Gambiarra, vi também Truveja pra nós chorá e (C2H4)n - Plástico.
Literalmente - um show.

Isadora Duncan


"Meu corpo é o templo da minha arte. Eu exponho-o como altar para a adoração da beleza." - Isadora Duncan (1877 - 1927)

Thursday, February 05, 2009

Antonio Gades








"Yo no voy a anunciar la retirada, para nada. Me iré como he venido, como el viento. Ocurrirá cuando tenga que ocurrir, por selección natural, por propio convencimiento"

Antonio Gades

1936-2004

- bailarino espanhol de Bodas de Sangue e
Carmen.

Wednesday, February 04, 2009

Borgianas








DEUS NO ORVALHO

(para Jorge Luis Borges)


Jardim perfumado de Istambul.
Sol intolerável beija a rosa azul
no vaso branco, dois cães cor da lua
ao redor.
Teus olhos se perdem na rosa nua.
Olhos da cor do Mar Cáspio na aurora.
Gota de orvalho baila na pétala.
Cristal.
Ponto no espaço - Aleph
descortina o universo.
Sonhos enxertados de sóis, desertos,
aromas, fauna, primaveras, borrascas.
Todo universo na gota clara
que cobre a rosa.
A lágrima desce solar
ao lábio carmesim,
e o peito arde de amor e luz.

- do livro O Sal das Rosas

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O ALEPH AZUL DE BORGES

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Deixastes aqui teu coração
- Aleph azul
povoado de tigres brancos
e miragens,
que pulsa como esta Milonga Del Angel,
nesta primavera desprotegida
- acordes de Piazzola –

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Nuvens brancas a acenar certezas:
teu coração Aleph azul
permanece – no suave ritmo del sul.
Deixastes um Livro de Areias
- tu’alma -
nós todos virando páginas
deste deserto metafísico - noturno e trágico -
que leva à aurora nítida do reino da poesia.

..
Deixastes aqui teu coração,
Aleph onde trafegam signos vários,
e mesmo que tenhas imprimido sonhos
em grego, sânscrito ou aramaico,
deciframos – em alfa –
tuas mensagens de estrelas.
És um vaso vazio de segredos,
pleno de sóis & luas & signos da nobreza,
em uma azul sinfonia que teces
entre seus dedos, enquanto apontas:
.

A eterna água, o ar eterno,
flanando em um vale de sombras
e a inscrição brilhante com fios de ouro
- não existe tempo –
Guardiões do impossível
levamos ao pescoço a ampulheta
como homens-bombas
explodindo a vida,
sem seguir teus passos-acordes.
.
.
Cegos, não percebemos,
a inutilidade da areia que cai em conta-gota,
teu coração quer nos gritar isto -
Aleph azul que guarda segredos rojos.
Alguns o folheiam em prece, como anjos.
Eu o folheio, deslumbrada,
com a mesma cálida e reverente ternura
com que olhava abismada a estrela Vésper.
.
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Azul como teu Aleph coração.
Seta e sinal em meu caminho:
A estrela Vésper
e o Aleph azul de Borges.

Bárbara Lia

Monday, February 02, 2009

Claricianas




Para te escrever eu antes me perfumo toda.

Clarice Lispector (Àgua Viva)

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CLARICE
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Dois corações selvagens
na selva do impossível
tão perto que o respirar
deles é transfusão de sangue.
Depois da noite nuclear –
amantes

rompendo o ventre
da laranja mecânica -
a mostrar viva as entranhas

do céu,
nego-me a escrever versos

para amores lúgubres
plenos de tédio
de flacidez no olhar e no abraço
no passo e no sorriso
Depois de deus...
Quem me levará ao paraíso?
Prefiro o inferno na selva.
Dois corações selvagens

Perto.
Perto.
Perto.

(Barbara Lia - A Última Chuva - Mulheres Emergentes / 2007)

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p/ Rebecca Loise



A porta do elevador se abre e todas as paredes mostram o rosto dela e as palavras. Clarice jovem, Clarice adulta, Clarice em suas últimas fotografias. A penumbra azul traz de volta um pensamento recente: O céu não é baunilha, luz, campos e regatos. O céu é uma penumbra. As mais belas horas vivi na penumbra. E Clarice me sussurra na penumbra "sinto que sou muito mais completa quando não entendo" e "viver ultrapassa todo entendimento". Entrei na penumbra azul da exposição de Clarice sabendo que em mim, como em tantos, nada permanece igual depois que se respira "o mistério e a chave do ar" - Clarice.
E a Estação da Luz fechou por alguns instantes (segurança papal). Não eu não quero ver o Papa, quero ver a palavra viva, fluída, que são regatos escondidos em gavetas escuras. E chorar lendo o poema de Drummond, que resume Clarice no último verso: mistério e chave do ar.
Há que se escolher o ar, e respirar puro. A exposição no Museu da Língua Portuguesa - A hora da estrela - é pura penumbra, e ao mesmo tempo luz. As fotos que ela tirou em sua polaroide. E as inúmeras fotos de Clarice, sua obra, seus passos, seu itinerário completo. Não pude fotografar como fotografei a exposição da obra de Guimarães Rosa. Em um momento da entrevista dela, ela se confessa cansada. Impressiona. E como ela se mostra humana, frágil, impressiona. Então respiro o ar, a penumbra dos gestos e palavras e o pensamento volta. Vivi instantes de céu, na penumbra asséptica entre verdes lençóis, quando o filho nasceu e contra todos os prognósticos, viveu. A penumbra de um porão salpicado de pétalas e poesias, a penumbra sempre... E toda a atmosfera delineia esta ideia que anda vagando em mim - é bem estranho o céu, é uma penumbra, caminhei pelo céu esta tarde. pelas relíquias, documentos, acervo pessoal, cartas, e sorrisos discretos dela. Clarice, a estrela.


(maio/2007)

...




LENDO CLARICE LISPECTOR
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Mulheres
Sofrem meio às rosas
Espinhos escondidos
Em seus cabelos
Seios nus
Beijados pelo amado
Lençóis ao vento
Vela de um barco
Onde o timão balança
Entre a neve
E a primavera


Todos sofrem:
A gota prata
Do orvalho na rosa
É lágrima fêmea
Que brilha
Enquanto sofre


Bárbara Lia - O sal das rosas - Lumme Editor / 2007.




Tuesday, January 27, 2009

À queima-roupa

Bárbara Lia à queima-roupa no site Poetas na oficina. Três perguntas que o Edson Cruz enviou e que ele define assim no seu blog

"Três perguntas para poetas
Estou fazendo um inquérito quase policial com os principais poetas em atividade, sejam novos, novíssimos, ou já tarimbados e carimbados pelo tempo ou pelo (des)reconhecimento."

minhas respostas aqui:
http://poetasnaoficina.blogspot.com/

para ler as entrevistas - no site acima e também no sambaquis:
http://sambaquis.blogspot.com/

rimbaudianas


Arthur Rimbaud, par Jean Ipoustéguy, 1984,
l'Homme aux semelles de vent
( Boulevard Morland)

quando ele corria
pelos telhados de ardósia
as pombas arrulhavam
em ventania
seu casaco - vela sacudida
estremecia
a maré da monotonia

.
.
Dans l’air
.
.
Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência
Tínhamos a mesma impaciência
– Rimbaud e eu –
.
Por isto
Pisamos telhados
Ao invés do chão
.
Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos
.
Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe
.
- Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade
.
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Mar/absinto
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Nossos olhos de dezoito anos
acomodaram o mar
Sobrou a maré em torno
um sussurro de conchas
a nos acordar nas noites brancas
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Nossos olhos de dezoito anos
beberem do mar/absinto
como ao vinho santo.
.
Nossos olhos embriagados.
Nossos olhos negros e azulados
Uma sereia recolhendo a rede
os corações de dois poetas ali
enredados
.
Nossos olhos de dezoito anos.
Nossas almas milenares.
Nossos amores fracos à soleira da incerteza.
Tanta beleza em ti, Rimbaud!
Tanta ausência em mim!
.
E nas marquises
bêbados ainda caminham
buscando o sol
que você guardou pra mim
Bárbara Lia
O rasurado azul de Paris

Sunday, January 25, 2009

leonardianas

tela- Leonardo Da Vinci







AVES DE ARREBENTAÇÃO
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Pássaros renascentistas
Libertados por Da Vinci.
Invadem as minhas pálpebras
Que meditam em silêncio
De monja
Louvam as aves
Do terceiro milênio.
Mão destra de Leonardo
Pinta o sorriso
De uma Monalisa escura
A aurora ausente
Do meu olhar
Que ele colore
Com luz de Florença
E sobre músculo sofridos
Estriados de saudade
E febre de amor
Pulsa a inocência poética
Das mulheres que venceram
O jugo secular
E cruzaram as linhas
E romperam os laços
E abriram os braços
Aves de arrebentação
A flanar entre
As azaléias púrpuras
E o grito ardente
De libertação.


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CHIAR(O)SCURO
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Hora suspensa. Horizonte de sangue.
Despediu-se o sol, não brilha a lua.
Barcas estremecem em marés de fogo.
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Sinos dobram a Ave-Maria.
O Bem chora a evaporação do dia.
Lágrimas de anjos pela humanidade crua.
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Encontro e fuga de almas no ocaso,
Bebendo o sangue solar – poção
De luz para os dias de aço.
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Crepúsculo incendiado.
Átimo de esperança: Um Serafim alado,
Flauta de estrelas flana acima de algas e corais.
.
Toca a música divina estremecendo cristais.
(Jazz, blues, salsa cubana, sinfonia?)
Som azul unindo sangue celeste e marinho.
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Serafim, flauta e sol
Evaporam em silêncio de prece.
A branda noite abraça o arrebol.
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O eco da flauta aos puros adormece.
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BEM-TE-VI
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Ramagem arranha janela.
Sonho: Aeroporto fantasma.
Espíritos de náufragos do Titanic.
Ku Klux Kan ateando fogo ao enforcado.
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Seqüência horripilante:
A mulher sem olhos na cama,
entre lençóis úmidos de chuva.
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Acordo com o bem-te-vi
na manhã de sol
na mesma paisagem.
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DEUS SORRINDO NA VARANDA
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O quintal de Deus é o céu.
Um paraíso em uma ilha.
Alcançaremos quando formos náufragos.
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Aguaçal encoberto de dor,
nascituro rompendo em harmonia a eternidade
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- Deus sorrindo na varanda.
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BRISA
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Entardecer lilás
brisa de raro fôlego
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do deus das nuvens.
Pés descalços
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liberdade de estar amando
na era dos mísseis.
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BÁRBARA LIA

- Poemas do livro “O sorriso de Leonardo” – Kafka edições baratas. - 2004

Friday, January 23, 2009

goya's ghosts

Javier! Javier! Javier!


sleep - goya
goya - los desastres de la guerra
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Quem homem é esse? Javier Bardem. Rouba a cena em todos os filmes. "Antes que anoiteça" me apresentou Javier, depois "Mar adentro". "O amor nos tempos do cólera" onde ele incorpora o triste Florentino Ariza. Meu personagem mais amado a dizer que o amor vale a espera de meio século.
Tem aquele momento do encontro, quando você e o teu "ator mais amado" ficam frente a frente pela primeira vez - Javier na pele do escritor cubano homossexual - Reynaldo Arenas. Liguei a tv ao acaso em uma madrugada insone e o título do filme lembrou aquele livro que eu li e amei, fiquei o filme inteiro sugada pela imagem áspera e doce que ele carrega, e filme a filme
Javier se impõem como um mito. Roubando a cena de Goya - Frei Lorenzo - o que é aquilo?
Neste filme de Milos Forman, Goya é obcecado pela imagem de Inés, presa pela inquisição espanhola, de quem ele pintou um quadro. O filme retrata os horrores da Inquisição Espanhola, e as loucuras - do amor e da guerra. Goya recolhendo as imagens do seu tempo, registrando o horror como um cinegrafista antigo, com a perícia de um dos maiores pintores do mundo.
Javier Bardem (Irmão Lorenzo)Natalie Portman (Inés / Alicia)Stellan Skarsgard (Francisco Goya)

Thursday, January 22, 2009

Wandula



Wandula canta Nara
Um show especial em homenagem a musa da bossa nova Nara Leão elaborado pelo grupo de música contemporânea Wandula, com releituras originais e curiosas do repertório da cantora.

Sesc da Esquina
Rua Visconde do Rio Branco, 969
Curitiba - Paraná

41 3322 6500
R$10

R$5 + 1kg de alimento não perecível
R$0 = alunos da Oficina de Música
http://www.wandula.com/

Wednesday, January 21, 2009

guantánamo



Mi verso es de un verde claro
Y de un carmín encendido
Mi verso es un ciervo herido
Que busca en el monte amparo
José Marti

Gosto do tom da voz do novo presidente norte-americano - Obama - temia que a força de seu discurso morresse na areia da posse, mas, chega com a força dos que escolheram os mais fracos e vão em frente, quando li que ele optou por estar entre as comunidades carentes como um lider comunitário - em detrimento de advogar em Washington - tive esperança. Meu amigo Frei Betto ao deixar a prisão no início dos anos setenta foi para o Espírito Santo viver entre as comunidades de base. Um homem que quer uma humanidade mais livre e que honra a sua luz interior não vai direto ao topo, ele vai buscar a raiz e vai se irmanar e buscar um caminho que comece a escalada da igualdade. Igualdade, quando? Talvez jamais. Mas, o mínimo de direitos partilhados e de justiça. Um olhar de amor sobre este moço de alma bonita nesta manhã e um desejo de que ele não ceda à pressão que virá... Que ele não esqueça seus heróis - Lincoln e Luther King, jamais.
Como quem sabe que o aliado cruel deixou o trono, Israel debandou da Faixa de Gaza. Qualquer coisa que se diga contra os atos do povo judeu pode levar a um carimbo na testa de anti-semita. É preciso ampliar o horizonte da visão e dizer da covardia de Israel, parar de martelar com martelo alheio, saber primeiro o que acontece realmente, quem é o invasor e quem é o invadido, quem é humilhado e tratado como tem sido tratado o povo palestino, quem utiliza deste poderio bélico e sitia um povo e o cerca e o elimina, com requintes de crueldade. Li no blog do Georges Bourdokan textos de arrepiar.

Vejo em alguns lugares textos falando sobre o momento que vive a Palestina sem saber nada sobre... Muito antes das primeiras explosões como última forma de defesa, Israel já era o opressor há decadas... os primeiros homens-bombas surgiram nos anos oitenta, sendo que desde 1948 Israel pratica esta invasão de extermínio e ocupação forçando os palestinos a se refugiarem e serem o único povo que tem mais habitantes fora que dentro de seu próprio país. Israel tem como justificativa a -herança de Abraão - a terra de Israel é um legado bíblico, mas, é também de Ismael - e então? Se o filho de Abraão e Sarah deve herdar a terra, também deve herdar o filho de Agar... ou não? Os decendentes de Agar vivem sua modéstia entre as oliveiras e não querem nada mais que o ar e o mar e o desejo de viver... o povo judeu quer avançar até que nada mais reste, no blog de Bourdokan há o mapa da escalada de Israel.
Um momento difícil este e uma esperança que não esmoreça o discurso da ONU e as medidas contra o governo prepotente de Israel:
"O secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, exigiu ontem que os responsáveis pelos ataques contra civis sejam julgados, durante a visita a uma escola da ONU em Gaza, bombardeada durante a ofensiva e onde morreram pelo menos 42 palestinianos.
Várias organizações humanitárias preparam-se para interceder junto do Tribunal Penal Internacional, para denunciar a utilização de bombas de fósforo contra zonas civis, proibida pelas convenções internacionais.
Vários diplomatas de países árabes exigiram um inquérito paralelo à Agência Internacional de Energia Atómica, sobre a alegada utilização de ogivas com urânio.
O exército israelita abriu um inquérito interno, mas as acusações arriscam-se a ficar sem efeito, Israel não está sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional.
A questão repousa agora sobre a pressão diplomática de Washington, quando Obama se prepara para nomear o novo enviado do país para o Médio Oriente."
... luz de lua amena em torno deste novo secretário da ONU, com nome de lua no final, luz de sol para Obama que pode clarear um novo tempo, mas, é só o primeiro dia, de qualquer forma é um sopro de vento que cura a pele endurecida por tantos golpes contra a humanidade. Fechar Guantánamo, julgar Israel, dizer afinal que é preciso nivelar os direitos humanos, acabar com o abuso e a prepotência, já é um grande passo.

Tuesday, January 20, 2009

O caderno negro de Bárbara Lia





(clicar para ler)

O poeta Cássio Amaral trouxe doce de leite de Araxá de presente e eu fico olhando a galeria de carinho que recebo. Este caderno negro ganhei de Luiza Chagas e amei. Kit de aniversário do MAM. Olhei o caderno de desenho e pensei no meu sonho de aprender a desenhar. Por enquanto fico tecendo palavras e o caderno de desenho virgem ali me olhando. Um dia desenharei um poema. Por enquanto guardo a flor que recebi das crianças do colégio, os quadros da Analu e da Ane e o carinho patchouli da Marina, e livros que recebo, alguns cds e todo o carinho que recolho...

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...