voltando pra casa, depois mais imagens da noite da constelação - a foto é do Isaias Faria
Wednesday, September 29, 2010
Thursday, September 23, 2010
Poesia do Curitibano Márcio Davie Claudino
9
Nossos dedos
não trocaram alianças
nem fomos mais felizes
do que ainda podemos ser.
Somos apenas peixe e anzol, lua e sol,
num horizonte tardio
que se entreolham
num breve sorriso meio triste
cheio de suposições
que podem dizer muitas coisa e nada
ou qualquer clichê, como esse
de um poema que troca sua camisa desprezada;
Nossos dedos
não trocaram alianças
nem fomos mais felizes
do que ainda podemos ser.
Somos apenas peixe e anzol, lua e sol,
num horizonte tardio
que se entreolham
num breve sorriso meio triste
cheio de suposições
que podem dizer muitas coisa e nada
ou qualquer clichê, como esse
de um poema que troca sua camisa desprezada;
Wednesday, September 22, 2010
poesia de Minas
fotografia - Isaias Faria
da mesma forma
ele tem um jardim
que estampa bem a frente da casa.
dentro, o sol bate e faz as
paredes ficarem com bastante vida
por volta das 10 da manhã.
mas é muito estranho, confuso e
belo ao mesmo tempo,
porque tudo foi deixado como ela
gostava.
Isaias Faria
http://isaiasfaria.blogspot.com/
Mais poesias do Isaias Faria no Cronópios:
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4742
Sunday, September 19, 2010
O poeta
Bright Star retrata o amor de John Keats e Fanny Brawne. A veracidade do filme nos acolhe, é possível sentir o farfalhar das borboletas em um quarto branco a lembrar a eternidade do amor. Como se o poeta assinasse um atestado de vida, assim como assinam a morte da carne em atestados ele assinou o de vida. O que morre? Nada morre, nem Keats, nem Fanny, nem a poesia. As falas colhidas como se eu habitasse Keats - O que ele fala sobre a poesia, o nascimento dela, como quem sabe
- a poesia é uma experiência além do pensamento -
"A construção poética é uma carcaça, uma fraude. Se a poesia não vem naturalmente, é melhor que não venha"
- a poesia é uma experiência além do pensamento -
"A construção poética é uma carcaça, uma fraude. Se a poesia não vem naturalmente, é melhor que não venha"
O mundo está contaminado pelos discursos milenares, pela hipocrisia, pela era do - brilho a qualquer custo - O poeta sabe que é uma experiência de dor, abrir seu ser para conter multidões... Ser um outro... O poeta sabe e Keats sabia. O POETA vive a respiração da dúvida, a certeza de que não é nada, a angústia dos passos que o cercam, a incerteza de tudo. Os passos gastos perfurando a neve. É certo que ele viveu um período romântico, mas, é para o agora cada palavra:
"O poeta não é nenhum pouco poético. É a coisa mais antipoética que existe. Ele não tem identidade. Ele preenche continuamente outro corpo..."
Thursday, September 16, 2010
O ZAL DAS ROSAS
Título de livro é como nome de filho. Uma busca, uma dúvida e lá está - sem chance de retorno. Batizado. O que pensei nesta semana foi em algo inusitado. Uma segunda publicação de - O sal das rosas - ia ter um mudança pequena, uma mínima troca que eu já teria feito, caso tivesse lido há alguns anos o livro que leio agora - O funeral de Chopin, de Benita Eisler, ed. Planeta.
Na página 53 encontro a palavra. Lendo concentrada no ônibus para Paranaguá - terça - onde fui ver os monumentos e museus e bibliotecas para compor enredos e personagens do romance novo. Estava lá a palavra nova - ZAL. Eu mudaria o título de - O sal das rosas - pois cobriria de mistério e música com este adendo.
zal (essa palavra polonesa rica e intraduzível, carregada de todas as nuanças da tristeza, do arrependimento ao luto)
Andava com saudades de Chopin e foi muito especial ler um livro e conhecer sua vida de uma forma mais profunda. George Sand, Delacroix, Litz... E um lugar -Nohant- os amantes sempre tem um lugar, este espaço que se eterniza.
Lançamento de Verso para outro sentido - Felipe Stefani
FELIPE STEFANI
Eu vi o escasso tempo de malabarismos juvenis
A estalar a seiva acidentada da tarde,
A aurora pura entrelaçada ao meu próprio sono
Nos instantes precários de um segredo vago.
Na oblíqua solidez dos corpos
Abre-se a rosa inicial sem nome, turva e casta,
Impura como a brisa imaculada dos sonhos, da voz,
Em uma espécie de chamado.
Eu vi o estrondo de uma gloriosa infância,
A alegria que em mim eram crianças cintilantes,
Na tarde volúvel, onde o mar, em silêncio maior,
Faz dos corpos uma presença errante.
Devo amar calado o triunfo crepuscular da juventude,
Seus beijos ao mar e sua oferenda de mistérios,
Na rosa oblíqua de um chamado puro,
Na vastidão precária dos instantes.
Eu vi tudo isso e amei, sendo eu mesmo uma oferenda eclusa
Aos mistérios juvenis, que desafiam os segredos do mar.
tratado sobre o silêncio - Karen Debértolis
O silêncio dói muito mais na pele do inimigo que o grito.
Pousa, assim, cálido, como uma resposta sem pontuação.
Deita suave nas concavidades do ouvido.
Desconserta.
Hospeda pulgas atrás da orelha.
Arma afiada
Toque lancinante
Estratégia zen
Linguagem dos deuses da arte da guerra
KAREN DEBÉRTOLIS
- poesia extraída da coluna - "A Genética da Coisa" do site Germina:
://www.germinaliteratura.com.br/2010/ageneticadacoisa_karendebertolis_set10.htm
Pousa, assim, cálido, como uma resposta sem pontuação.
Deita suave nas concavidades do ouvido.
Desconserta.
Hospeda pulgas atrás da orelha.
Arma afiada
Toque lancinante
Estratégia zen
Linguagem dos deuses da arte da guerra
KAREN DEBÉRTOLIS
- poesia extraída da coluna - "A Genética da Coisa" do site Germina:
://www.germinaliteratura.com.br/2010/ageneticadacoisa_karendebertolis_set10.htm
Wednesday, September 15, 2010
diálogos poéticos
Na noite do lançamento de - Constelação de Ossos - a poeta Berenice Sica Lamas contou da poesia escrita após a leitura de - Solidão Calcinada - Inspirada na história de Pietra / Serena / Esperança e Bárbara. Recebi a poesia e publico. Estes diálogos que a Arte permite. A construção a partir da construção - o olhar sobre o olhar. A alegria com estes frutos pela passagem de - Solidão Calcinada - no Clube de Leitura -Rastros de um livro.
Poema das 4 geraçoes
Orfilia Rosa Marília Berenice
linguagem força fragilidade
mulheres
transgeracionais
gerânio pêssego jasmim
sombras e luzes umas sobre
as outras
leite mel e sal, historias
(des)construidas
possibilidades de
nuanças mudanças
irradiam
eu, pluri-habitada
evolui a desabitante
desmim
berenice sica lamas
julho/10
Berenice Sica Lamas:
http://www.artistasgauchos.com.br/portal/?id=90
Sunday, September 12, 2010
Constelação de Ossos
Jackson Pollock
O ar raspando o sangue seco da alma. Alma mutilada a minha. Sangue incrustado em suas paredes desde a infância, algumas feridas já cicatrizadas. Minha alma um painel de Pollock. Onde ainda não cicatrizara, a tinta escorria espessa. Por muitas noites eu não dormia. A cor que mais doía era o amarelo aflito, aquele amarelo gritante.
Constelação de Ossos
Bárbara Lia
(Vidráguas/2010)
pg.35
Kandinsky
Pensei: vou morar em uma lágrima.
E vi cenários de Kandinsky
atrás da cristalina dor.
Vi os retorcidos rostos
detrás dos espelhos d’água.
Vi uma casa-banheira
eu sempre líquida.
Vi um teto vidro fosco
eu a olhar estrelas.
E quando secasse a minha casa?
E como secar meu coração?
Bárbara Lia
À Sombra dos Murais em Flor
À sombra dos murais em flor
(para Frida Kahlo)
(Cravos na pele
Os seios
Os seios
A coluna jônica
A pele tolteca
Os pregos
Os pregos
Via crucis
Expiação)
Pinto em palavras
A tua dor
Vivo os maremotos sutis
As espinhosas horas
Que nos traz o amor
Pinto girassóis de aço
Espumas
Estrelas
Vou colorindo
Com vulcânicos
Abraços
A solene tela
(Riso-sol de meu Diego.
À sombra
Dos murais em flor)
Bárbara Lia
O sal das rosas/Lumme - 2007
Mondo Modigliani
Amedeo Modigliani
Paris e um amor
A voz de Piaf acorda
As pedras de um beco:
“C'est lui pour moi
Moi pour lui dans la vie”
Um passo uma dança
O peito tísico abraça:
Pele lunar de Jeanne
- A musa sem olhos -
Os bêbados rasgados
A lua amassada
E o triste passado
Do menino de Livorno
Bárbara Lia
A tela e eu
Edvard Munch
“Grito” de Munch
Estupor
Raspas do limão da alma
Fumaça do escândalo
Solidão emparedada
Pelos ginetes sem Deus
Intrusos em nossa cena
“Grito" de Munch
Estupor
Fumaça do limão
Estilete em minha carne
Tua palavra
Tatuada:
NÃO!
Bárbara Lia
Wednesday, September 08, 2010
Namorado para os namorados
Estrela
de Gil escorre de seus dedos
Quando
dedilhas o violão
“Há
de surgir
Uma
estrela no céu
Toda
vez que você sorrir...”
O
Jarro d’água espelha os olhos mortiços do peixe
Preparado
com esmero de gueixa
-
Namorado para os namorados -
Esqueci
o olhar da banhista
Nosso
amor é forte – almíscar -
O
pássaro azul do lençol se enche de angústia
Empalidece,
sempre que me deixas
Bárbara Lia
A canção:
https://www.youtube.com/watch?v=RJlMtEROMN4
Tuesday, September 07, 2010
Dois corações selvagens
na selva do impossível
tão perto que o respirar
deles é transfusão de sangue.
Depois da noite nuclear –
amantes
rompendo o ventre
da laranja mecânica -
a mostrar viva as entranhas
do céu
eu me nego a escrever versos
para amores lúgubres
plenos de tédio
de flacidez no olhar e no abraço
no passo e no sorriso
Depois de deus...
quem me levará ao paraíso?
Prefiro o inferno na selva.
Dois corações selvagens
Perto
Perto
Perto
Bárbara Lia
- corações - arte de Ia Santanché
foto de Rebecca Loise - eu na madrugada curitibana
LAYLA
calçadas molhadas
- uma lâmpada grávida
estremecida de sol
pequeno -
a lembrar
que ainda é verde o trigo.
florirá
amanhã
em sol granulado,
farpas de doçura,
sempre.
Bárbara Lia (A última chuva/2007)
DESDÊMONA
Olhou-me como nuvem,
a sugar os vapores
da minha alma.
Por que ele é meu deus,
guardei-o em um lago
onde iago
jamais chegará.
Bárbara Lia - A última chuva/2007
Chiaroscuro
Hora suspensa. Horizonte de sangue.
Despediu-se o sol, não brilha a lua.
Barcas estremecem em marés de fogo.
Sinos dobram a Ave-Maria.
O Bem chora a evaporação do dia.
Lágrimas de anjos pela humanidade crua.
Encontro e fuga de almas no ocaso,
Bebendo o sangue solar – poção
De luz para os dias de aço.
Crepúsculo incendiado.
Átimo de esperança: Um Serafim alado,
Flauta de estrelas flana acima de algas e corais.
Toca a música divina estremecendo cristais.
(Jazz, blues, salsa cubana, sinfonia?)
Som azul unindo sangue celeste e marinho.
Serafim, flauta e sol
Evaporam em silêncio de prece.
A branda noite abraça o arrebol.
O eco da flauta aos puros adormece.
Bárbara Lia - O Sorriso de Leonardo/2004
Despediu-se o sol, não brilha a lua.
Barcas estremecem em marés de fogo.
Sinos dobram a Ave-Maria.
O Bem chora a evaporação do dia.
Lágrimas de anjos pela humanidade crua.
Encontro e fuga de almas no ocaso,
Bebendo o sangue solar – poção
De luz para os dias de aço.
Crepúsculo incendiado.
Átimo de esperança: Um Serafim alado,
Flauta de estrelas flana acima de algas e corais.
Toca a música divina estremecendo cristais.
(Jazz, blues, salsa cubana, sinfonia?)
Som azul unindo sangue celeste e marinho.
Serafim, flauta e sol
Evaporam em silêncio de prece.
A branda noite abraça o arrebol.
O eco da flauta aos puros adormece.
Bárbara Lia - O Sorriso de Leonardo/2004
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