
Split This Rock Poetry Festival:
Poems of Provocation & Witness
Washington, DC
March 20-23, 2008
http://www.splitthisrock.org/
info@splitthisrock.org
http://www.poetsagainstwar.net

UM TANGO COM DEUS
tranquei os covardes na sacristia
e explodi o templo
desci a rua de pedra rasgando em fúria
os ídolos e seus pedestais
as estátuas e seus ancestrais.
tranquei os covardes na sacristia
e tombei as torres áridas
que nunca chegarão ao céu
e impedem o tráfego
da poesia & pássaros.
tranquei os covardes na sacristia
guardei nas dobras da alma
os que amo e são meus,
na clareira incendiada de papoulas
dancei um tango com Deus.
BÁRBARA LIA
Mais fotos da noite do lançamento da Revista AbreLatas
- Palavras Todas Palavras - um outro espaço onde escrevo
onde fui batizada - Palavreira da hora.
http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/
.- todas as fotos da noite AbreLatas são do jornalista
Gustavo Henrique Vidal.
PRIMAVERA DESFOLHADA
p/Clifton Giovanini
De uma ponte de suicidas
surgiu o nome do poeta
que na Ilha do Mel
filosofou com astros
e na minha sala
derramava o século XIX
- cartola e fraque
e sorriso maroto -
Sempre trazia chocolate
e uma dama à tiracolo
histórias de noites
vagando entre túmulos
(hobby à
e planos de rasgar o sul
nos trilhos.
Agora, ele escreve fumando narguilé
batucando a velha Olivetti
diante da catedral gótica.
Meu amigo medieval
ponte de ternura rara
exilado em um lugar
onde a neve cai ao sol
onde ele não esquece
nosso carinho repartido.
Agora, vai descrever as pedras da catedral
com ternura embriagada,
breve, vai ultrapassar a soleira em luz
garrafa de vinho em uma das mãos
uma chama de vidro no coração
e no rastro
uma primavera desfolhada.
BÁRBARA LIA
- A última chuva -
(ME ed. alternativas - 2.007)
Jarro arcaico vermelho
A morte constrói montanhas
De pano. Sonhos de
Bela criança
Paisagem de setembro
Desenhos do artesão. (Thomas Gabriel, 2.002)


ALONE - Toulouse Lautrec
Ontem, no extracéu, tomamos chá de anis,
Diante de um poente branco.
No extracéu não há noites e pássaros pousam
Em nossa janela, enquanto tecemos mantos.
Você sorri, mais do que sorris agora, e estrelas
Fogem do céu-matéria para matarem a saudade
Do teu belo riso italiano.
Vez por outra, congelamos uma estrela fugidia
E a colocamos na parede de nossa sala.
BÁRBARA LIA (O sal das rosas - Lumme editor-2007)
PROFANA
A cor do amor é branca,
e o amor tem uma covinha do lado direito do rosto
e o amor me olha como alguém
que jamais vai tirar a minha calcinha
e gozar o céu dentro de mim.
O amor sempre vai me olhar
como se eu estivesse num altar de papel.
Para o amor, eu sou uma rima
e rima não tem vagina.
Para o amor, eu sou uma ode
com uma ode ninguém fode.
Eu sou um verso alexandrino
jamais tocado pelo herdeiro deste nome.
Eu sou a palavra, e a palavra, a palavra é Deus
Deus ninguém come, mas,
será que beber
pode?


Teu olhar de mel e folhas.
Rasgando árvores lunares
seguindo pássaros negros
em um céu de neve
-meu olhar-
Asas sem rota, que capturas
em seus dedos de segredos
e sopras fogo na íris
-novo olhar-fênix-delirante-
Reergues torres destruídas
abres asas em vida
injetas oxigênio e sangue.
Mel bálsamo
pululando em uma partitura
a tocata do amor.
Transparência que arde.
Meu olhar pássaro de fogo
refletido em teu olhar-espelho.
Música
este teu olhar:
Canção de folhas.
BÁRBARA LIA
A fotografia é da minha amiga Ana Mestre, que cursa a Faculdade de Paisagismo e vive em Évora: http://olhares.aeiou.pt/galeriasprivadas/browse.php?user_id=32802

Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro
Um arco-íris de ar em águas profundas.
Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.
Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.
(...)
Ouvindo "Quando te achei" - no site oficial de Hilda Hilst é possível ouvir suas composições... com Adoniran Barbosa. Ela morreu em 04.02.2004, apenas quatro anos, parece tanto tempo! E publico o sorriso dela aos doze, a idade que eu tinha quando pensei pela vez primeira nesta doçura árida que é escrever... Ouvindo "Quando te achei" pensando em amores achados e perdidos e no bem estar consumido que é amar alguém que merece o amor que a gente tem... A vida é esta - encontros e despedidas - eu que me encontro grávida de viagens, trens, amado, aves azuis, redes e poesia...
http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html
Suena serena lluvia en las tejas
Mínimos callejones lavados de cielo
Suena fuerte, viento en la aldea.
(Voz de Israfel).
Brilla estrella, navega arreboles.
Expande azul corazón - halcón.
Astros desplegados, ríos de misterios.
(Mirada de vía-láctea).
Lírica, leve, lirio.
Cubre alma inmortal.
Plena de abismos delirantes.
Rosa blanca, pétala de fuego.
(Piel ardorosa).
Fruto del Edén.
Ardiente,
Al beso clama.
Abierta, es flor
En alegría rara.
(Boca de arcángel).
BÁRBARA LIA
O Corpo, ao lado da Antologia "50 poemas escolhidos pela autora" (Editora Clóe) e do Pacote de Poesia - SESC (PR) "O Corpo...