Tuesday, August 15, 2006
Monday, August 14, 2006
Elegia tardia
O pai abrindo a cripta pequena
No terceiro degrau da escada
Escura
- Venham dizer adeus ao irmão!
Pedro nunca entrou na nossa casa;
Pedro nunca saiu do meu coração
A mãe procurando a tosca cruz
O coveiro confirmando o despejo
Pedro virou pedra revirada
Despejados os seus ossos
Com mortalha de nuvens e tudo
A mãe sugada
- Olhar de pedra fria-
No redemoinho da certeza
Da iniquidade da pobreza
As estrelinha fraturadas
Que me espiam em noites
De êxtase ou de amargura
São ossinhos de Pedro
- O anjo despejado -
Bárbara Lia
Saturday, August 12, 2006
AS ROSAS MORTAS A ME CONTEMPLAR
Quando eu era menina
tinha medo da cortina
que lembrava
Era adornada de pecado,
rosas em gritos menstruais
sangrando folhas descomunais.
Durante o dia, eram bizarras;
na noite me assombravam
formando rostos
na contra luz da lua azougue.
Eu farfalhava no colchão,
cerrava os olhos,
me encolhia em posição fetal.
Nunca disse à irmã ao lado,
nem à mãe
(que trocaria a cortina, para minha paz).
Eu nasci de frente para os fantasmas.
Contemplo.
Não expulso.
Não acendo a lâmpada.
Enfrento.
No quarto escuro
(agora da alma)
os mil rostos
de rosas mortas
a me contemplar.
BÁRBARA LIA
Monday, August 07, 2006
Stuart Angel

.
Stuart Angel
- I.
Emfim te vejo! — emfim posso,
Curvado a teos pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pezar de quanto soffri.
Muito penei! Crúas ancias,
Dos teos olhos afastado,
Houverão-me acabrunhado,
A não lembrar-me de ti!
Friday, August 04, 2006
DIANTE DA JANELA, O ROSEIRAL - BÁRBARA LIA - O SAL DAS ROSAS
Testamento
enterrado
À sombra do
roseiral:
Deixo meu violão para a balconista da padaria
A erva benta para a
velha do sobrado
A chaleira que chia
Villa-Lobos
Para Frei Gustavo, que
costura almas
Nas manhãs de
quarta
O livro de poesia de Augusto dos Anjos
Para o cobrador do
expresso 022
Assinado: A menina dos olhos tristes
Chico me chamava de Carolina
Mas era só um disfarce
Sou eu a menina
Que viu o tempo passar na janela
Sem ver
O sal das rosas
Lumme Editor
Thursday, August 03, 2006
Orgasmos de íris - Bárbara Lia
Teus olhos enlaçavam os meus
Em orgasmos de íris
Inflorescência de estrelas
Sempre acordo antes do sol
Agora - que comecei a te amar -
Amanheço antes que o dia
Espanto as Bacantes gélidas
Que seguem o perfume da tua pele -
lírio do recomeço -
Pedras destilam a bílis
E a mágoa vai vazar em áridas notas
De um blues sem juízo
As sapatilhas – talismã – azuis
Seguem-te em paralela senda
A dez centímetros e um véu
O mar recua ante teu passo
Estátuas vertem suor ao teu lado
Dentro o sol não te permite sombra
...E teus olhos enlaçavam
Meus olhos
Em orgasmos de íris
BÁRBARA LIA
NOIR
Wednesday, August 02, 2006
ICARABE
CARTA AOS CINEASTAS PALESTINOS E LIBANESES
Na ocasião da abertura da Bienal do Cinema Árabe em Paris (22 de julho de 2006)
Monday, July 31, 2006
Vinícius

"Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?"
Vinícius - simples assim - Vinícius apenas, o corpo todo que ri a alma toda que voa o coração que não cessa de amar, infinito sempre, olhar que acende lá no fundo do poeta a luz-farol da busca, pescando musas pela vida, amando-as enquanto há amor para dar, procurando - a eterna primavera prá só depois morrer - foi feliz? como chico diz no documentário, a felicidade... se o fosse não buscaria em ânsia embebida em uisque o amor. O que se tem ao final do filme VINÍCIUS é um desejo de VIVER, de viver a poesia, mais que escrevê-la viver na noite na boêmia na indignação na partilha, quem disse que um boêmio não pode escrever em refinada dor uma Rosa de Hiroshima, um Orfeu Negro, um canto de beleza aos orixás, quem diz que um boêmio não sabe que o homem é acima de tudo quem olha e fica indignado, que se magoa, que chora de saudade do primeiro amor, que na velhice ainda diz de quantas vezes teve vontade de bater à porta daquela que foi entre todas as amadas a mais amada e pedir um colo - orgulho de dois lados pode destruir mesmo um paraíso - e o medo, ele teve medo, ele disse. Lindo Vinícius, me fez ter vontade de balançar na lua, aquela lua em formato de rede de luz, aquela lua que por vezes me acena como se valsar no universo infinito fosse possível, dormir ao som do bandolim das estrelas, lembrar o tempo em que tínhamos um violão uma saudade e uma garota de Ipanema, e um poeta, sem frescura, um poeta na carne, na alma, na ânsia de vida que vida sem ânsia não é nada.
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz
Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor
Vinícius de Moraes
Direção: Miguel Faria Jr. Roteiro: Miguel Faria Jr. e Diana Vasconcellos, com colaboração de Eucanaã Ferraz Produção: Miguel Faria Jr. e Susana Moraes
Elenco
Friday, July 28, 2006
memórias de uma gueixa


Thursday, July 27, 2006
Livro do Desassossego
"Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições."
"Uns governam o mundo, outros são o mundo."
Fragmentos:
Livro do Desassossego
ÁTICA, LISBOA, 1982
BERNARDO SOARES
(um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Wednesday, July 26, 2006
Líbano

SOB O CÉU DO LÍBANO
(Le Cerf Volant, de Randa Chahal Sabbag, LIB/FRA, 2003)
A atriz Flávia Bechara que interpretou Lamia no filme.
Vi recentemente este filme e sonho que as crianças do Líbano possam sair livres de casa para soltar pipas.
Monday, July 24, 2006
agenda
TERÇA 25 julho 2006:
Porão Loquax especial com Microfone Aberto
Traga seus textos ou de autores que você gosta e venha ler no Porão Loquax.
entrada R$1,99
WONKA BAR - Trajano Reis, 326
CARPINEJAR LANÇA LIVRO EM CURITIBA
NO CANAL FUTURA:- no dia do escritor 25/07:
- 20h30m -Todas as Letras (Monteiro Lobato)
- 21h30m - ao vivo, o Sala de Notícias em Debate, que discute a profissão de escritor no Brasil.
- 22h30m - Todas as Letras - segunda parte (Fernando Pessoa)
e encerra com umas palavras - Bia Correa do Lago entrevistando Jostein Gaarder, autor de - O livro de Sophia *
Durante a programação do dia do escritor uma série de interprogramas que homenageiam o escritor Mário Quintana. As peças foram produzidas pela UPF TV, a televisão da Universidade de Passo Fundo, parceira do Canal Futura.
http://www.futura.org.br/main.asp
Saturday, July 22, 2006
Amigos
CAFÉ COM MELADO
o sábado acordou
com céu cor de caramelo
eu fui tomar café
e lembrei do Mano Melo
MÁRIO PIRATA
OFERENDA
pequena e maluca
daquelas que cirandam
nas saias das ciganas
e caem
penduradas da ponta dos cabelos
das mulheres apaixonadas e menstruadas
dia desses te dou uma estrela
maluca e pequena
MÁRIO PIRATA
site do Mário Pirata, poeta, artesão e brincadeiro, de Porto Alegre
http://www.ailha.com.br/mariopirata/
Monday, July 17, 2006
A colheita da beleza - Bárbara Lia
Cão fiel e bizarro
Que esconde
Estrelas no olhar
A seguir teus passos,
Bebendo esta tua distração:
Mão esquerda
No bolso do jeans;
Mão direita
Segurando o cigarro.
Na memória a voz lavada
Em leveza:
- Eu sou um cara mau!
Do que sei da vida, amor
Os 'bons' enterram belezas
Vestidos de branco-asco
E asas de plástico
Os 'maus'?
Colhem a beleza em prantos.
Pés descalços na terra quente
Colhendo flores brancas
Para o funeral da felicidade
BÁRBARA LIA
- do livro inédito NOIR
Saturday, July 15, 2006
O aleph azul de Borges
O Aleph Azul de Borges
Deixastes aqui teu
coração
Aleph azul
Povoado de tigres brancos
E miragens. Pulsa nessa
Milonga Del Angel
Primavera desprotegida
Acordes de Piazzola
Nuvens brancas
A acenar certezas:
Teu coração Aleph azul
Permanece
– Suave ritmo del sul -
Deixastes um Livro de
Areia
- Tu’alma -
Viramos suas páginas
Neste deserto metafísico
- Noturno e trágico -
Que leva à aurora nítida
Do reino da poesia
Deixastes aqui teu
coração
Aleph onde trafegam
signos
Mesmo que tenhas
imprimido sonhos
Em grego, sânscrito ou
aramaico
Deciframos – em alfa –
Tuas mensagens de
estrelas
És um vaso vazio de
segredos
Pleno de sóis & luas
& signos
Da nobreza
Em uma azul sinfonia
Que teces entre teus
dedos
Enquanto apontas:
A eterna água, o ar
eterno
Flanando em um vale de
sombras
E a inscrição em fios de
ouro
- Não existe tempo –
Guardiões do impossível
Levamos ao pescoço a
ampulheta
Como homens-bombas
Explodindo a vida
Sem seguir teus
passos-acordes
Cegos, não percebemos
A inutilidade da areia
Que cai gota a gota
Teu coração quer nos
gritar isto -
Aleph azul que guarda
segredos rojos
Alguns o folheiam em
prece, como anjos
Eu o folheio,
deslumbrada
Com a mesma cálida e
reverente ternura
Com que olhava abismada a
estrela Vésper
Azul como teu Aleph
coração
Seta e sinal em meu
caminho:
A estrela Vésper
E o Aleph azul de Borges
O Aleph azul de Borges - uma poesia que escrevi na primavera passada, ao som de piazzola - está no site cronópios.
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1565
Sunday, July 09, 2006
DIA DO POETA
Ando vestindo um estranhamento de mim
Um estranhamento do mundo
Eu tinha conseguido banir a aurora ardente
Eu tinha varrido as canções
Das moças brancas de lábios vermelhos
Que bailam no bosque sagrado de Upsala
Todos os grandes cenários
Onde eu expandia o sonho:
As caravanas do deserto, os tuaregues
A lua crescente - que é meu totem -
O delírio das noites brancas
Eu tinha conseguido
Colocar a capa frígida de plástico na alma
Até o anjo astuto rasgá-la inteira
E me atirar nua no cenário
Aí está a mulher - nua –
Se esconde tanto
Que até da poesia se esconde
Se assusta tanto que não é mais Eva
Agora é Anaïs esperando Henry Miller
Agora é Frida rasgando a dor em telas
Agora trafega entre narcisos em Devon,
Amando um poeta britânico
Que vai deixá-la
E vai fazer sangrar a aurora
Que Ariel quer alcançar
E vai espantar a lua
Que nunca se entristece
E os estúpidos confetes
Agora apanha o casaco e segue ao rio
Corre! Corre!
Não deixe que Leonard a alcance
Contemplo as passadas todas
Das mulheres serenas de loucura
Agora está no rochedo em Mar Del Plata
E vai viver em uma casa de vidro
Em um oceano de translúcidas algas
Agora segue e atira ao vento
A tua dor consentida
Atira as palavras aos pés
Aos pés de quem nunca merece
Agora ensaboa este corpo
De musa divina
Agora cale a tua voz - catedral –
Agora cesse tudo
A luva de pelica
A mala
Tua complacência feminina
Ensaboa este corpo de neblina
E se afaste
Dos olhares túrgidos
Desta dor que avassala
Lá está aquela esquina
Onde quase todas elas se perderam
Eu me encontro em uma linha reta
E vou seguir em frente
Tem uma primavera no final
E eu sempre sonhei a primavera
Muito embora eu tenha que reconhecer
Elas merecem o meu respeito eterno,
Todas elas...
Anais Nin
Virginia Wolff
Alfonsina Storni
Um brinde
Com esta ternura e graça
Com esta ternura aflita
Construindo catedrais ocas
Os que viveram a poesia
Até secar a fonte e calar o grito,
Os Eternos
Que não se preocupavam
Em teorizar.
Eles insistiam em compor a Beleza
Com os rastros e restos
E sua verdade consentida,
Que eu quero como água
Mesmo ferindo um coração de vidro.
.
BÁRBARA LIA
04.10.2005 – dia do poeta.
Marcos Prado
não escreve aqui quem sabe de tudo
o que você quer, o que sabe, para mim, nada
apenas quero daquele que é mudo
dizer o que acha dessa palhaçada
.
O ritmo vale mais que a métrica e a rima
a métrica é salão e rima cozinha
tudo que a inteligência dizima
é fato a mim e idéia de fato minha
.
você, que é devorador de comida alheia
que se serve do talendo de outro prato:
seu sangue não vai mudar de veia
se não criar pra você um novo braço
MARCOS PRADO (1.962-1996)
Torquato Neto
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.
TORQUATO NETO - (1.944-1972)
do livro - Os Últimos Dias de Paupéria - Max Limonad - Rio de Janeiro, 1973,
luvas de pelica

Cacaso

Cacaso (1.944-1.987)
PSICOLOGIA DO ETERNO
Meu corpo visto no breu
não envelhece: tal a fúria
da gaivota devoradora de tempo.
Meu corpo, no tempo, é negro.
Existo na véspera. O que sou
não anuncia: se repete.
Assim a música prevê
sua intenção de estátua.
Longe da morte me lanço.
No crepúsculo congelado
meu suicídio se exala.
Fico na morte irrealizado:
Casta paisagem cria o olho
que apenas se constatou.
Rio, 1965
CACASO
do livro LERO - LERO (1.967-1985)
7 Letras e Cosac & Naify
Héctor Viel Temperley
Pabellón Rosetto, larga esquina de verano, armadura de mariposas: Mi madre vino al cielo a visitarme.
Tengo la cabeza vendada. Permanezco en el pecho de la Luz horas y horas. Soy feliz. Me han sacado del mundo.
Mi madre es la risa, la liberdad, el verano.
A viente cuadras de aquí yace muriéndose.
Aqui besa mi paz, ve a su hijo cambiado, se prepara - en tu llanto - para comenzar todo de nuevo.
Héctor Viel Temperley (1.933-1994)
Argentina
do livro Hospital Británico
La nave va...
Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie
“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
-
INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...


