Friday, February 17, 2012

same time, next year / one day





Uma agradável surpresa no Telecine Cult, noite passada. Há muito tempo vi - Tudo bem no ano que vem - o roteiro de Bernard Slade, na verdade uma Peça de Bernard Slade, o filme é de 1978, com Alan Alda e Ellen Burstyn. Quando pensava neste filme eu não conseguia recordar o título. Lembrava apenas da forte impressão que causou aquele enredo: Em 1951, em um hotel afastado, com chalés ao redor, um homem e uma mulher se hospedam. Uma dona de casa, que nunca se graduou em nada e um contador. No restaurante do hotel os dois se encontram na primeira noite. Ele está lá a trabalho, ainda faz a contabilidade do seu primeiro cliente e isto o leva aquele hotel na mesma data todo ano. Ela segue para um retiro, enquanto o marido e os filhos vão ao aniversário da sogra que a detesta. Por serem os dois únicos frequentadores do restaurante do hotel, se cumprimentam, conversam e este encontro vai engendrar uma história de amor surpreendente que os faz retornar por 26 anos, uma vez ao ano. A mudança do tempo é assinalada por sequências de imagens em preto e branco, as imagens dos acontecimentos no País situam o casal dentro do espaço/tempo. Por ser uma peça o filme lembra uma peça. O cenário é o chalé, com poucas cenas externas. Lá se desenvolve todo o enredo, com a performance dos dois é possível acompanhar o desenrolar da vida de ambos além do final de semana dos amantes. Eu era bem mais jovem quando vi o filme pela primeira vez, entendi que no enredo existia um desnudamento das relações humanas. Um casamento de nove anos e alguns amantes depois, o filme soa muito real, muito humano. Algumas escolhas estão acima do nosso sim ou do nosso não, se tivermos coerência com nosso interior, é claro. Um bálsamo assistir novamente ao filme, reconhecer-se em algumas cenas.
Buscando notícias do filme descobri que o filme - Um dia - com Anne Hathaway e Jim Sturgess repete - em alguns pontos - o enredo de same time, next year. Os dois se encontram durante vinte anos, o primeiro encontro em 1988. É uma versão moderna, o filme baseado no livro de David Nicholls. Não li o livro e ainda não vi o filme. Nada é tão simples. Não dá para dizer, bem, em 1951 uma mulher não deixava seu marido e os três filhos. O personagem de Alan Alda não deixaria a esposa e seus três filhos... Nestes tempos, parece estranho que duas pessoas que se amam não abram mão de outras hístórias para viverem lado a lado. Não li o livro, não vi o filme. Alguma razão ainda leva duas pessoas que se amam a viver em universos geográficos separados. Mas, as similaridades pedem que eu descubra como se desenrola o enredo de Um dia. algo me diz que é só mais uma comédia romântica (ou drama?) made in USA.

Tuesday, February 14, 2012

Carta Celeste em Esperanto - Bárbara Lia - Prosa Poética



O amor é uma carta celeste em Esperanto. Um céu que não se compreende. Constelações em desalinho. Temos diante dos olhos e diante dos dedos que apontam para esse céu que oprime, apenas códigos. É preciso embebedar-se de infinito. Rasurar retina dissecando imagens, então, quiçá, replicar aquela cena do matemático Nash que tece figuras pelo céu segurando a mão da amada naquele filme "Mente Brilhante". Talvez o amor seja apenas Matemática. Ou pura Gramática. Ou matéria desconhecida que ainda não chegou até aqui. O que sei do amor? O que o amor sabe de mim? As mulheres livres não convivem muito bem com as algemas do "amor". Esses códigos, jogos, submissões. Algumas mulheres preferem isso, seguir as regras. Empoar a individualidade para não ficar sem ter alguém ao lado. Existem lições para isso, muitos conselhos. Hoje estão pululando livros. Eu os desprezo. Livros que enganam, tantos que sobem ao topo das listas dos mais vendidos. A vida? Devo dizer o que é a vida. É alcançar o objeto do seu supremo desejo e calar. Esconder nas entrelinhas da carne a hora gloriosa. Não. A regra é não. O sim está na moda. Tão Facebook. Tão ciranda de fitas. Asfixiaram o amor com o politicamente correto. E o amor não é esta falta de senso. O amor é o centro. O atirar-se sem redes. É  doçura de doer sem dor.  O mundo me apavora. Jogo o anzol da memória e colho os amores que assisti ao vivo. Nenhum com o roteiro igual ao outro. Cada caminho tem uma cor, um cheiro, um lugar, um som. Cada pessoa tem seu próprio código e para dar de cara com isso  é preciso atingir o ápice do - humano. Basta ser. Mas, vão continuar semeando corações vermelhos e fitas lilases. Frases feitas e livros com a palavra - felicidade. E do que sei desse tipo de amor humano é que ele é uma luz, fagulha que despedaça, estilhaça seu coração em uma constelação invisível que vai ficar eterna em um céu (que tu conheces) e recuperas um dia, uma hora. Nada a dizer, para saber esse momento, há que viver. Talvez por isso as mulheres fortes. As mulheres que eu admiro morreram sozinhas, a grande maioria. Elas que possuíam a  força entranhada de mil estrelas em suas almas e a coragem de ir em busca da sua carta celeste pessoal. Para dizer: Esta é a minha estrela, minha constelação, nebulosa de fogo, minha cama na Via Láctea... Tenho asas.
Bárbara Lia 

**

II






Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu


Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.

Hilda Hilst




**

 
 
O amor é uma sombra.
Como você chora e mente por ele.
Ouça: estes são seus cascos: fugiram, como cavalos.
Sylvia Plath
 

**


"Conheces a cabra-cega dos corações miseráveis?"

Ana Cristina Cesar

**


Que mal amor es sus labios
El infierno es este cielo


Lila Downs
**

O que eu poderia fazer sem o absurdo e sem o efêmero?

Frida Kahlo
**


Quando é que o amor acaba? Se você disse que se encontraria com alguém às 7 horas e chega às 9, e ele ainda não chamou a polícia, o amor acabou mesmo.


Marlene Dietrich



**


Tão logo essa palavra ''amor'' lhe ocorreu, ela a rejeitou.

Virginia Woolf

**

Nem tudo precisa ser revelado.
Todo mundo deve cultivar um jardim secreto.

Lou Salomé


**


 

'Ninguém canta com tanta pureza como os que estão no mais profundo inferno; seu canto é o que acreditamos o canto dos anjos'
Franz Kafka, em carta a Milena Jesenská


**

Sáfaras noites bárbaras!
fosse eu por ti
vi'king's - cenário e fúria
nossa luxúria!

Correr coxias
Donne's - compassos -
porto in'seguro
e cuor ingrato!
De um bote ao éden
THALASSA! THALASSA!
possa essa noite ricochetear
maremotos!

Emily Dickinson
trad. Maria do Carmo Ferreira

Sunday, February 12, 2012

Valentine's Day V

Fernando Lemos: Hilda Hilst




Vida da minha alma:
Um dia nossas sombras
Serão lagos, águas
Beirando antiqüíssimos telhados.
De argila e luz
Fosforescentes, magos,
Um tempo no depois
Seremos um só corpo adolescente.
Eu estarei em ti
Transfixiada. Em mim
Teu corpo. Duas almas
Nômades, perenes
Texturadas de mútua sedução.
(LXVII)

Hilda Hilst(Cantares de Perda e Predileção -1983)


Para comemorar o 14 de fevereiro  - Valentine's Day - pensei em várias postagens, mergulho em amores e poetas. Acabei raptada pelo livro que escrevo e ficou este registro pequeno. Dois filmes, a frase de Anaïs Nin. Um soneto que escrevi vestindo a pele de Neera, uma das musas de Ricardo Reis. Melhor ler os livros de Henry Miller e Anaïs Nin. Passar meses lendo Fernando Pessoa, como fiz ano passado. Melhor ler a obra de Hilda Hilst. Ficamos replicando gigantes e é preciso que os poetas vertam sua tinta interior. Narrem seu tempo e seus amores. Importa é registrar a vida, esta que escorre liquida. Hoje li a segunda parte das memórias de Ana Lúcia Vasconcelos do tempo que ela conviveu com Hilda Hilst, está no site Musa Rara:



Recolhendo similaridades - Hilda só fazia o que queria. Vivia apaixonadamente, não importava se a paixão era por um homem, ou uma idéia. Muitos estranharam quando Hilda publicou seus escritos eróticos. A escrita passa pela vida, por ela inteira, e o erotismo é parte da vida, não é possível separar corpo e alma. Somos uma entidade interligada e matar algo em nós no corpo ou na alma, acaba por matar corpo e alma. A arte diviniza o corpo. Pornografia é a ausência da Arte, o despir a alma e focar apenas na matéria/carne. Hilda colocava em tudo sua alma e sua obra, ainda que considerada pornográfica, era apenas o lado erótico, o desejo. O desejo que ela cantava sem pudores, este que é proibido. Principalmente em boca de mulheres, este que - já no terceiro milênio - a humanidade ainda estranha. Ainda assim, só conhece Hilda Hilst quem penetrou a densidade de luz de seus poemas.

Saturday, February 11, 2012

Valentine's Day IV




Hoje à noite eu o amo pelo modo adorável como ele me deu a Terra.
Anaïs Nin

Friday, February 10, 2012

Valentine's Day III

fragatas no Tejo




Aqui, Neera, longe
De homens e de cidades,
Por ninguém nos tolher
O passo, nem vedarem
A nossa vista as casas,
Podemos crer-nos livres.

Bem sei, é flava, que inda
Nos tolhe a vida o corpo,
E não temos a mão
Onde temos a alma;
Bem sei que mesmo aqui
Se nos gasta esta carne
Que os deuses concederam
Ao estado antes de Averno.

Mas aqui não nos prendem
Mais coisas do que a vida,
Mãos alheias não tomam
Do nosso braço, ou passos
Humanos se atravessam
Pelo nosso caminho.

Não nos sentimos presos
Senão com pensarmos nisso,
Por isso não pensemos
E deixemo-nos crer
Na inteira liberdade
Que é a ilusão que agora
Nos torna iguais dos deuses.
Ricardo Reis - Odes De Ricardo Reis

 
 
Usando a liberdade poética, pensei que - ao morrer Fernando Pessoa - com ele morreram todos seus heterônimos, criei alguns versos e um diálogo dos personagens dos poemas com o seu criador, em uma despedida, um adeus. Neste soneto que segue, Neera se despede de Ricardo Reis, emprestei o título do livro de Saramago para o poema... Um tributo aos amores inventados, alguns mais reais que os reais.
 
 
 
 
O ano da morte de Ricardo Reis



Não cante o desprezo aos deuses, Ricardo
Não colha as flores mortas ao lado do Tejo
Os fardos humanos são apenas isto – Fardos
E os beijos sensuais são apenas isto – Beijos

Sou toda verão na alcova, acesa, à tua espera
Estonteante mulher que levas a ver as flores
Enquanto os pássaros trinam alto – Neera!
Nada nos falta, mas, em ti brotam mil dores

Quando a morte te buscar, aquela que conheces
Voltarei aos prados colhendo as flores vivas
Tocarei a pele do planeta murmurando preces

Banquetearei na relva, as flores como convivas
Dói, Ricardo, saber que todos os campos serão meus
Ainda orvalhados de lágrimas dos belos olhos teus

 
Bárbara Lia
in Fotogramas em flor de algodão (livro em construção)

Wednesday, February 08, 2012

Valentine's Day II

Paul Giamatti interpreta Barney Panofsky em Barney's Version, que no Brasil tem o título - A minha versão do amor. Na noite do seu segundo casamento Barney dá de cara com Miriam. Ela é a sua versão do amor. E a persistência dele vai vencendo a resistência dela. Lembra uma canção do Vinícius de Moraes:


O meu amor sozinho
É assim como um jardim sem flor
Só queria poder ir dizer a ela
Como é triste se sentir saudade

É que eu gosto tanto dela
Que é capaz dela gostar de mim
E acontece que eu estou mais longe dela
Que da estrela a reluzir na tarde


Não é aquele humilhante - amar pelos dois - que pressupõe um ritual masoquista e não uma história de amor. É aquela aposta no Belo - Vou te amar tanto, até o meu amor te alcançar e te transformar em amada minha. Em resumo, ele  incorporou aquela bela máxima do Banquete de Platão - Amar é gestar o belo. E não é? Paul Giamatti é ótimo. O filme acompanha o fio da vida de Barney. Todas as suas loucuras, delírios e acima de tudo sua coragem. Um história de amor. Sem linha traçada e laços lilases, sem cinderelas ou principes, apenas as escolhas e as certezas. Também as grandes burradas que fazemos em nome desse mesmo amor. 


Monday, February 06, 2012

Morena dos olhos d'água

Morena, dos olhos d'água,
Tira os seus olhos do mar.
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar.
(Chico Buarque)



Volver a los 17 - Campo Mourão (PR)





Nos bailes da vida, Coca Cola  na mesa. Clube 10 de Outubro - Campo Mourão - A garota ao meu lado é a Teka, esqueci o nome do cavalheiro...




Praia do Conde - Bahia -  1981

a flor dentro da árvore

“Uma migalha de mim”

 

Teço
Um ego-vidraça
Para que enxergues
Meu Eu


Teço
Uma nuvem lassa
Cortina que qualquer mão
Atravessa


Teço
Um hímen de fumaça
Sobre a virgem essência
- tudo o que sou Eu

Bárbara Lia
A flor dentro da árvore / 2011

Saturday, February 04, 2012

Hilda Hilst


Hilda Hilst (Jaú, 21 de abril de 1930 — Campinas, 4 de fevereiro de 2004)





Poema V

A Federico García Lorca




Companheiro, morto desassombrado, rosácea ensolarada
quem senão eu, te cantará primeiro. Quem senão eu
pontilhada de chagas, eu que tanto te amei, eu
que bebi na tua boca a fúria de umas águas
eu, que mastiguei tuas conquistas e que depois chorei
porque dizias: “amor de mis entrañas, viva muerte”.
Ah! Se soubesses como ficou difícil a Poesia.
Triste garganta o nosso tempo, TRISTE TRISTE.
E mais um tempo, nem será lícito ao poeta ter memória
e cantar de repente: “os arados van e vên
dende a Santiago a Belén”.

Os cardos, companheiro, a aspereza, o luto
a tua morte outra vez, a nossa morte, assim o mundo:
deglutindo a palavra cada vez e cada vez mais fundo.
Que dor de te saber tão morto. Alguns dirão:
Mas se está vivo, não vês? Está vivo! Se todos o celebram
Se tu cantas! ESTÁS MORTO. Sabes por quê?

"El passado se pone
su coraza de hierro
y tapa sus oídos
con algodón del viento.
Nunca podrá arrancársele
un secreto.”

E o futuro é de sangue, de aço, de vaidade. E vermelhos
azuis, braços e amarelos hão de gritar: morte aos poetas!
Morte a todos aqueles de lúcidas artérias, tatuados
de infância, de plexo aberto, exposto aos lobos. Irmão.
Companheiro. Que dor de te saber tão morto.

Hilda Hilst in "Poemas aos homens de nosso tempo”, Ed. Globo, São Paulo - 2003

Friday, February 03, 2012

Deus guarde o lobo atrás do qual nenhum cão corre latindo - Ted Hughes






































Sylvia in Paris, 1956

(Gordon Lameyer)"




Lá você o achou - o mistério do ódio.
Após bilhões de anos na matéria anônima.
Lá você foi achada e logo odiada.
Você tentou tanto alcançar essas pessoas, tocá-las, dar-se a elas -
Tal como suas primeiras palavras na infância,
Quando você corria para cada visita que entrava
E abraçava-lhe as pernas, dizendo: "Meu amor! Meu amor!"
Tal como você dançava para seu pai
Na casa da raiva - dando sua vida
Para adoçar-lhe a morte lenta e misturar-se a ela
Quando ele jazia no sofá, sobre as almofadas,
Açucarando-lhe o amargor da morte fera.
Você buscou a si para seguir se dando
Como se após o ocaso da morte dele
Você continuasse a dançar na casa escura,
Aos oito anos, coberta de ouropéis.
Buscando-se a si própria no escuro, a dançar,
Desajeitada, chorando baixinho,
Como quem procura um afogado
Em água escura,
E tenta ouvir-lhe a voz - com pavor de perder
Alguns segundos de busca no esforço de escutar -
Depois dançando com mais fúria no silêncio.
Os acadêmicos levantaram as cabeças. Pelo visto
Você estava perturbando uma perfeição
Recém-obtida, que eles seguravam com cuidado,
Inteira, até a cola secar. E como quem
Denuncia um crime à polícia,
Informaram-lhe que você não era John Donne;
Isso não lhe importa mais. E os nomes, você ainda lembra deles?
Fizeram questão de lhe deixar claro, a cada dia,
Que desprezavam toda tentativa sua,
E injetavam a bílis deles no seu café matinal,
Como se fosse remédio. Até assinavam
Suas cartas homeopáticas,
Envelopes com vidro cuidadosamente moído
Para pôr atrás de seus olhos e fazê-la ver
Que ninguém queria o seu brilho estranho - sua vida
Desajeitada, a se afogar, e seus esforços para salvar-se.
Nadando em pé, dançando o caos escuro,
Procurando algo para dar -
Tudo o que você achava
Eles bombardeavam com farpas,
Escárnio, lodo - O mistério desse ódio.

TED HUGHES
Cartas de Aniversário
Ed Record
Tradução - Paulo Henriques Brito

Wednesday, February 01, 2012

Melancholia II


melancholia (lars von trier)




esta tristeza vaga profunda e permanente
esta música persistente - Nona Sinfonia
rasga meu coração ouço acre odor podre
do teu adeus lavo-me com bucha vegetal
sabonete de lavanda para espantar a fria
carnadura de dor das minhas entranhas
anseio ir viver em um antro de gueixas
onde um velho cultua uma espada fria
para transpassar tua alma – cimabaixo –
e nadar nas águas tuas de dentro – nua -
o meu canto é negro, denso e triste, nada
vai alterar esta caótica visagem – esfuma
a cada giro das asas do temível beija-flor

Bárbara Lia
2011

Monday, January 30, 2012

A reinvenção de Bárbara Lia: não vim quebrar as pernas do sol - Sidnei Schneider

O poeta Sidnei Schneider publicou em seu blog - Umbigo do Lago -  o prefácio do meu mais recente livro de poesias - A flor dentro da árvore. Link para a leitura:


http://umbigodolago.blogspot.com/


Sidnei Schneider é poeta, tradutor e contista. Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999) e tradutor de Versos Singelos/José Martí (SBS, 1997). Participa de Poesia Sempre (Biblioteca Nacional/MinC, 2001), Antologia do Sul (Assembléia Legislativa, 2001), O Melhor da Festa 1 e 2 (Nova Roma, 2009; Casa Verde, 2010) e de outras dez publicações. 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS, 2003 e 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM, 1995, de um total de treze premiações. Publicou artigos, poemas, contos e traduções de poesia em jornais e revistas. Participa do projeto ArteSesc e é membro da Associação Gaúcha de Escritores.



Cá estou: O afrodisíaco das almas enferrujadas. Cá estou o amigo dos livres e das mulheres sem cinto de castidade. Cá estou o simples. O simples mais simples. Puro como a gota clara na rosa. Puro como todas as gotas jorradas nos espasmos gloriosos. Cá estou como uma criança inofensiva. Cá estou eu, o desejo. Eros puro caminhando sem sapatos. Eros puro roçando as paredes de todas as casas e sendo enxotado para que o mundo não abrace o simples. O simples desejo...

(...)
E como explicar o desejo?
A flor que se abre – à revelia-
Sôfrega, desvairada, atônita
Tudo se reparte
Em crisálidas mirabolantes
Parindo estrelas adormecidas
Aos borbotões
Até secar o sol
Bárbara Lia
série - livros artesanais - 21 gramas

Tuesday, January 24, 2012

Ressurreição

(khepra - escaravelho sagrado, símbolo de ressurreição no antigo Egito)





Khepra ancorou na sala – Negro nó
Com sua escaramuça tecida de filó
Escura escarpa no túmulo de Faraó
- Ressuscita! Ele diz. Largue sem dó
A túnica da Letargia – Mova o Sol!
Longe da maldição da lenda da avó
Triture grão da dor na metafísica Mó
Poderosa Poesia nunca te deixará Só
Ainda que tudo volte – um dia – ao Pó.

BÁRBARA LIA

Thursday, January 19, 2012

Eunice & Berenice


a máscara
às vezes,´
pode ser pessoa-verdade

o grau de loucura
às vezes,
pode ser o grão do amor

Berenice Sica Lamas
pg. 33 - Copo de Violetas (ALF/2011)







O ensaio da psicóloga e escritora Berenice Sica Lamas traz uma reflexão sobre o fenômeno do duplo abordado pelo pensamento de vários autores, tecido com clareza e apresentado em uma linguagem sedutora que estimula a leitura de maneira prazerosa. (Eloá Muniz) - fragmento da orelha do livro

*****************************************************************





(...)

São textos voltados para o existencial, com suas precariedades, contrastes e fragilidades da vida, no seu sentido totalizante. Eis porque não se detém em simples exposições de pequenos dramas, que são, inversamente, a veia jugular dos grandes dramas. Fosse só isso e já diria muito.
(...)
Sem perder de vista a realidade vai do mágico, ao fantástico, ao alegórico, em flexibilidade surpreendente, como se tudo viesse e acontecesse - como acente e vem - em personalíssima simplicidade narrativa, dom sensível dos bons ficcionistas e negação da facilidade.

(...)

Fragmentos do texto de apresentação de Caio Porfírio Carneiro, para o  livro de contos de Eunice Arruda - Dias Contados (RG Editores/2009)

**********************************************************

Três livros que acabei de receber das poetas Berenice Sica Lamas e Eunice Arruda. Para conhecer a prosa de ambas,  no ensaio de Berenice - O duplo: busca do si-mesmo e no livro de contos - Dias contados - de Eunice Arruda. Certamente uma leitura rica para acompanhar estas tardes nubladas...







Wednesday, January 18, 2012

dois quartos vazios

Quarto de Virginia Woolf in Pilgrimage (Annie Leibovitz)



Preciso voltar e olhar de novo aqueles dois quartos vazios.
(Ana Cristina Cesar)

PARA COMENZAR TODO DE NUEVO

El verano en que resucitemos tendrá un molino cerca con un chorro blanquísimo sepultado en la vena. (1969)

HÉCTOR VIEL TEMPERLEY (Argentina, 1933-1987)





Wednesday, January 11, 2012

AS MULHERES POETAS NA LITERATURA BRASILEIRA (14)






Rubens Jardim vem publicando em sua página - As mulheres poetas na literatura brasileira.
Nesta etapa alguns poemas meus, ao lado de Alice Spíndola, Teruko Oda e Alice Ruiz...






Rubens Jardim - Poeta e Jornalista, autor de três livros de poemas: ULTIMATUM (1966), ESPELHO RISCADO (1978)e CANTARES DA PAIXÃO (2008). Promoveu e organizou o ANO JORGE DE LIMA em 1973, em comemoração aos 80 anos do nascimento do poeta, evento que contou com o apoio de Carlos Drummond de Andrade, Menotti del Pichia, Cassiano Ricardo, Raduan Nassar e outras figuras importantes da literatura do Brasil. Organizou e publicou JORGE, 8O ANOS - uma espécie de iniciação à parte menos conhecida e divulgada da obra do poeta alagoano. Integrou o movimento CATEQUESE POÉTICA, iniciado por Lindolf Bell em 1964, cujo lema era: o lugar do poeta é onde possa inquietar. O lugar do poema são todos os lugares.. Participou da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (2008) com poemas visuais no Museu Nacional e na Biblioteca Nacional. Participou de várias antologias nacionais e internacionais.

Tuesday, January 10, 2012

a gata por um fio



3 poesias do novo livro - A flor dentro da árvore -  No site -  A gata por um fio, da poeta gaúcha - Sandra Santos


Poetas convidados: Ademir Assunção, Alexandre Brito, Armindo Trevisan, Bárbara Lia, Cesar Pereira, Edson Cruz,Eduardo Tornagui,E. M. de Melo e Castro, Floriano Martins, Jurema Barreto de Souza, Lais Chaffe, Lau Siqueira, Leonardo Brasiliense, Luis Serguilha, Marcelo Morais Caetano, Marco Celso Huff... entre outros.


http://www.sandrasantos.com/poesias/Entradas/2012/1/9_Barbara_Lia.html


**

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...