Tuesday, April 01, 2008
MICHEL SLEIMAN

Sunday, March 30, 2008
CIGARRAS NO APOCALIPSE
Quando o poema emerge,
Estridente,
Emudece o verão
Escurece a primavera
Incendeia o outono
Poetas são cigarras
No apocalipse
Sempiterno som
Canto que incomoda
Sacode as esfinges
As filosofias vãs
Permeia a triste Ingrid
Na serra colombiana
Canto ecoa
Em muralhas pagãs
Invade corredores
Cola ao som o hortelã
Das festas de antes
Arranca lágrimas cinzas
No silêncio laranja
De Guantánamo
O som ardido trinca o sol
Escorre gema zelosa
Na chaga das crianças
Da África inteira
Canta a primavera afogada
Da vida ceifada.
A cigarra segue
No apocalipse sem volta
Anoitece areias de Fallujah
Todas as ruas da Faixa de Gaza
Cigarras no apocalipse
São poetas em desalinho
Gestados no ventre escuro
Ninfas subterrâneas
Emergem em canto e vôo
Ao som da trombeta
De um anjo sem olhos.
NONADA
CONFLUÊNCIAS
Friday, March 28, 2008
Samba bloody Samba
Não eu não gosto nem de lembrar.
Das tuas propostas de fuga da tua farsa cega de progresso e civilização
Mas se estou aqui é porque gosto
De retorcer tuas antenas esperar teus profetas provocar teus excessos
Desbancar tuas apostas reprovar teu destino
E reclamar reclamar
Para alimentar as ruínas de certo a vida inteira
Sim daqui do alto da onde estou posso nos ver brotando
Ali bem perto do asfalto em chamas no calor dos carros
Destruídos entre a fumaça resta apenas uma cabeça
De cavalo morto a vomitar no estreito da desordem
Na chuva contínua nos seus desencantos e desencontros
Na noite que termina tão cedo
Não eu não agüento mais teu culto ao convencional
Teus surtos de bondade teu triste passado de fera
Teus impulsos suicidas
Teu mito conservador encarcerado desdentado
Na boca maldita dos teus poetas
Não eu não agüento mais teu povo submisso
Teus tiras tão bem trajados teu enxame de turistas
Teu sangue frio de inveja dissimulada
O desespero dos teus loucos
O descontrole dos teus pares
Teus vanguardistas de mesa de bar que nunca vingam
Sonhadores de segunda mão
O trato com o dinheiro
O germe do magnetismo pessoal
Teus braços contidos passeios públicos
Teu triste samba torto teu carnaval de morte
Samba bloody samba
Sim eu me ajoelho ao que vem de fora
Ao novo diluído
Sim eu me ajoelho ao que vem de fora
Ao planejado estabelecido
Sim eu me ajoelho ao que vem de fora
Ao bem recebido e tão logo esquecido
A indiferença de quem tudo sabe
De quem passa por cima de tudo
Acima de tudo
Acima de qualquer país
Água verde onde tudo brota
Onde tudo jorra
Tímpanos enlouquecidos habitam a torre
Nossa Senhora da Luz dos Pinhais
Ilumina minha queda
Considera meus lábios na terra
HAMILTON DE LÓCCO
Músico, compositor, artista plástico. Lançou o cd Compilação pelo selo De Inverno records. Publicou o livro de poemas Sonífero das Almas (Feira do Poeta)
Thursday, March 27, 2008
CORETO LOQUAX
Coquetel no Coreto da Unicenter, Campus Divina Providência. Na primeira noite que estivemos lá para conhecer o local a Luciana Cañete disse, olhando para o coreto: que lugar ideal para um recital! Não fosse a parafernália de microfone e a tela que projetamos ontem as imagens e as gavetas da Lindsey, fosse verso e voz, o Coreto Loquax aconteceria, em encantadas noites, de vento atravessando leve. Nesta semana, lembrei aquela cena do filme - A noviça rebelde - onde a menina dança com o soldado que ama, dentro do coreto e a chuva, a chuva... Cena de amor tem que ter chuva, coretos, varandas e música. Mas, só o coquetel foi ali no coreto. Poemas & Poetas de Hoje aconteceu meio ao Festival de Curitiba, passou incólume e branco como a poesia - esta fantasma de roupa transparente cheia de fogo dentro... Afinal, tudo dá certo quando é poesia. O espírito da Arte conduz tudo... E a platéia de poesia é tão pouca que cabe em um coreto, assim, aconchegante de vinho e conversas e a senhora de cabelos grisalhos eu consegui clicar, a menininha que esteve na noite anterior não, pena... Pois tinha esta linha de vida das mulheres, tão bem cantadas ontem pela Luciana e quiçá por mim, e até pelos poemas masculinos do Jorge... até penso que cabe, prá encerrar, aquela poesia e a pergunta grave - Você é feminista? Sempre penso que sou livre, mas, quero ser feminina, e olhar sim os homens de igual para igual, mesmo que nada sobre que não seja o coreto branco e a dança da chuva diluindo na memória, a dança do amor virando fumaça na chuva, mas, eternizada e tatuada em corações tão iguais em suas diferenças...
Ele perguntou grave:
- Você é feminista?
Assim olhos de fundo de mar.
Ao que revelou suave:
Quero viver a minha uteralidade.
Ser esse caminhar ritmo inconstante como sendo o natural.
Viver o rir gargalhar gritar da instabilidade policística.
chorar chorar calar
Sem imposta retidão hormonal.
Sem eixo x/y do cartesiano masculino.
O sentimento desobstruindo lógicas de estampa de gravata.
Chego ao endereço sem mapa, porque nasci com a bússola por dentro.
Deixa eu domar cabelos e emoldurar sorrisos em troca da tua cara de
satisfação na porta.
Quero mergulhar água de ervas e te esperar desmaiada em besteiras românticas.
Deixa eu falar voz de menos de um grama, assim leve
quase sussurro sempre.
Permita-me, com gentileza, mais alvura, menos peso, menos músculos.
Chorar sozinha na janela enquanto me faço em bolo de teu preferimento.
Deixa eu ler Adélia Prado e a igualdade dos sexos abandonando-me.
- desabafou peso de mundo lastimando ovários.
Invisibilidades
Esta noche en este mundo (Alejandra Pizarnik)
FRAGMENTO
...no
las palabras
no hacen el amor
hacen la ausencia
si digo agua ¿beberé?
si digo pan ¿comeré?
en esta noche en este mundo
extraordinario silencio el de esta noche
lo que pasa con el alma es que no se ve
lo que pasa con la mente es que no se ve
lo que pasa con el espíritu es que no se ve
¿de dónde viene esta conspiración de invisibilidades?
ninguna palabra es visible...
vida «árbol de diana» #35 alejandra pizarnik
35
a Ester Singer
Vida, mi vida, déjate caer, déjate doler, mi vida, déjate enlazar de fue-
go, de silencio ingenuo, de piedras verdes en la casa de la noche,
déjate caer y doler, mi vida.
Wednesday, March 26, 2008
LINDSEY ROCHA / Porão Loquax - 25/03
seis da manhã de domingo. nunca acordaria naquele horário não fosse a enorme lua cheia lá fora. majestade, dando ordens por trás da vidraça. com tanto sono entre os cílios, difícil acreditar que fosse mesmo a lua. quase um grito. abriu os olhos e virou o corpo, atendendo ao chamado. sem domínio nenhum sobre os lábios, sentiu o sorriso dado em oferenda. travaram uma espécie de conversa mágica. a hora morta. e foi aí que o dia nasceu. ficou decretado que os dias só nasceriam após o sorriso de um artista.
LUCAS HASS CORDEIRO
Perfurada, grudada ao lixo mais sórdido
HAMILTON DE LÓCCO / Porão Loquax
HAMILTON DE LÓCCO
Monday, March 17, 2008
POESIA NO TEATRO DA UNINTER

Wednesday, March 12, 2008
O SAL DAS ROSAS
| Meu livro de poesias - O sal das rosas - Lumme Editor - 2007, está em dois pontos, além do site da Lumme, pode ser adquirido na Livraria Cultura e Susan Bach Books From Brazil. Susan Bach Books From Brazil Rua Visconde de Caravelas nº 17 22271.030 - Rio de Janeiro - RJ fone (21) 2539.3590 fax (21) 2527.6940 http://www.sbachbooks.com.br/ Livraria Cultura www.livrariacultura.com.br |
EU TAMBÉM CAMINHAVA ASSIM TÃO DISTRAÍDA
UMA VALSA COM CONRADO MOSER

No interior da Igreja Matriz de Peabiru as esculturas de Conrado Moser. Conrado vive hoje em Treze Tílias – SC. O tio dele também era escultor e a casa onde ele vivia tinha uma escultura de uma sereia na varanda e a divisória da varanda era um pequeno exército de peixes enfileirados. Na formatura do ginasial ele me ensinou a dançar a valsa. Meu irmão foi o meu padrinho, mas, o cara querido que ensinava as meninas a dançarem a valsa era o Conrado. Afastávamos as carteiras e ele nos ajudava a enfrentar o baile, a emoção da primeira valsa. Eu tinha 14 anos e minha primeira dança foi na sala de aula, com um artista de alma lírica que eu nunca mais vi. A poeta, o escultor, uma valsa, quase-infância. |
UMA MENINA ME LEVA PELA MÃO
Monday, March 10, 2008
DE SILÊNCIOS E PARTITURAS
“Os grandes poemas ainda permanecem inéditos
e as grandes palavras dormem nas línguas secas”
(Jorge de Lima – Mira-Celi)
Poesia é música. Pensar que a primeira “partitura” foi escrita em Erech, na antiga Mesopotâmia. Pensar que o nascimento da escrita propiciou ao homem colher o belo e torná-lo arte em forma de palavras. Pensar que em cada poesia existe um ritmo de sangue e sol. Pensar que alguns amores são leves colibris em varandas brancas, outros são uma ópera rock sangrada, uma revoada de corvos ao som de Iced Earth e seu holocausto dos anjos. E quando se busca em outro lugar e nas alturas um sentimento que não é nosso, voam flamingos sobre belos lagos africanos, e vestidos rodados valsam salões de Viena.
A poesia e a música, para mim, são siamesas. Mostram o ritmo da vida, o silencioso rio vermelho das veias, o tamborim alucinado no peito. A vida segue rendada de tangos, sambas, salsas e blues. O som puro da beleza costurando manhãs de delicadeza.
BÁRBARA LIA
Wednesday, March 05, 2008
ARTE DO CHÁ
ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo
ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo
PAULO LEMINSKI
Friday, February 29, 2008
La nave va...
Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie
“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...




