Sunday, March 22, 2009

Mukhtar Mai - um símbolo


Na Vivare da Senador Alencar Guimarães está exposta uma tela de Maria de Lourdes Jaude, o rosto da paquistanesa Mukhtar Mai. Tema de sua poesia no último dia das mulheres.

Uma carta





Em 2006 organizei um recital de Poesia Árabe em apoio aos civís do Libano. No caminho desta tessitura fortaleci o carinho pelo poeta Michel Sleiman e conheci algumas pessoas da comunidade árabe. Nosso Diwan na noite mais gelada do ano foi um canto com acompanhamento do alaúde. Neste mês passei alguns dias em São Paulo e quando estava lá a editora de -A última chuva - Tãniz Diniz escreveu dizendo que Maria de Lourdes Jaude estava à minha procura. Ela esteve na noite árabe e nunca mais a vi. Ontem tomei um café com ela e suas irmãs Hamila e Jane. Um encontro de poesia e revelações. Lourdes canta ópera pelas ruas para os moradores de rua. Quer levar a poesia para a praça - contraponto aos crimes e dores que as ruas carregam - eu me encolho dentro do meu silêncio, cada dia mais silenciosa. Mas, toparia um movimento de rua que colocasse a poesia no topo, sem as auréolas pessoais e o narcisismo deste tempo. Só a poesia. Lourdes é advogada que se especializou em urbanismo, por isto sua vida passa pela rua. Os seus habitantes passantes que são o espelho da cidade. Ela não usa internet e retomamos o velho amigo telefone e ontem sai de sua casa com algumas páginas sulfite que ela entregou. Eu acreditando que eram seus versos, quando li era uma carta. ...


fragmento da carta de Lourdes Jaude:

...


L'etoile du vers
.
Bénie et
amoureuse,
rayon du miel, La
belle comme
a igual de la
racine oú il y
a
.
Lumiére! Ton
incommensurable est l'
aimable chemin a guider...


Poema para a Escritora Poeta "A estrela do verso" ..."Os seus caminhos sabe guiar"... Pelo perfil da estória. História. Esse halo bendito que coroa o Amor como escola das Letras. Favo de mel que alinhava o pensamento poético de gamas diversas. A Bela da Raiz da Palavra onde há luz de quimeras. O seu incomensuravel é ser guia das estrelas de suas proprias ideias...


... segue a carta e a poesia traçada em sete páginas, os fragmentos brilhando como os pingos na vidraça da janela do ônibus enquanto eu lia. "O poema é sopro divino num varal onde cada um apanha o que vê ou sente"... "Poeta é aquele que colhe do espaço o romance como romãs em ramas no bosque da sensibilidade"...

Saturday, March 21, 2009

estante #11





......Os nervos elípticos das metáforas desatam as bússolas sulfatadas
das periféricas emigrações-paraísos
..onde as insígnias dos comedores de planetas congestionam os ciclos
descoloridos dos úteros
..........para costelarem uma golfada de silêncio nos artelhos renascidos
sobre os cios mecânicos das fronteiras
.........que possibilitam aos sulcos figurativos das enlouquecidas bocas
....................................................uma habitação de espécies solares
As ressonâncias da lingua-sandália declinam-se perdidamente
................... ..sobre as técnicas implacáveis das luxuriantes cicatrizes
para preservarem as túrgidas vasilhas da luminosidade
...............................que impubesce as invasoras dinastias dos signos
........................................As cortesãs geométricas dos ancoradouros
retomam os resquícios imortais do bosque muscular
...........onde um farol vocálico inaugura a pulsação das fábulas
.............................entre o abandono sonâmbulo dum alfabeto terrestre
Luis Serguilha
A Singradura do Capinador
colecção golpe d'asa
Indícios de Oiro - 2005

estante #10


ficaram só nomes na paisagem dos nomes
dos amigos nomes dos pais nomes
dos inimigos nomes das árvores
nomes das pedras e das flores nomes
dos rios nomes dos capins ficaram só
nomes na despedida do que foi nomes
nas hastes nomes no ar no vento
nomes no tempo nomes é o que fica
ficarão pra sempre na paisagem:
nomes números & conceitos
Jairo Pereira
Espirithopéia
pg 157

Wednesday, March 18, 2009

Teatro #2




Relembrando a peça do Grupo Uninter - Céu.
Recebi o convite da Geisa Muller, com direito a fragmento de Ovidio.

"Pare, Cupido, de condenar seu poeta como um criminoso, eu que, tantas vezes, sob o seu comando, carreguei o estandarte que você me confiou. Frequentemente outros homens esmorecem; eu sempre amei, e se vc me perguntar o que faço ainda neste momento, eu amo."

Ovidio

Teatro #1

Uma mulher que, em um "jantar artístico" em homenagem ao famoso ator do Teatro Nacional e que faz até telenovela, percebe que está, na verdade, em uma reunião de talentos medíocres. Enquanto espera o famoso ator, que nunca chega, ela reflete sobre sua vida e o meio que a cerca, sob a lembrança de uma grande amiga de todos, enterrada naquele mesmo dia.

Festival de Teatro de Curitiba
dias: 20, 21, 22 e 25 às 19h
27, 28 e 29 às 21h
Ingresso: R$14,00 e R$7,00 (meia)
Casa do Damaceno - Rua 13 de Maio, 991 - inf.: 41-8493-3809

www.marcosdamacenocia.com.br
Texto e direção: Marcos Damaceno – a partir da obra de Thomas Bernhard

Com: Rosana Stavis - Composição, Adaptação e Direção Musical: Gilson Fukushima Violinista: Roger Vaz - Iluminação: Waldo León - Figurinos: Maureen Miranda
Arte e Design Gráfico: Foca Cruz - Fotos: Elenize Dezgeniski

Monday, March 16, 2009

A noite perfumada de Magnólia II




Segunda percepção – A luz se move


Vagalumes são faróis terrestres.
Siameses de estrelinhas verdes.
Espiões de meninas travessas.
Detrás das árvores de flores brancas eles abduziam Magnólia.
Piscavam, enfeitiçavam.
O luscofusco magnético fazia com que ela girasse em ciranda acompanhando a impossível luz.
Ninguém ensinou à Magnólia como colher vagalumes e estrelas.
A primeira vez que Magnólia entrou solenemente na vida, era esta a percepção:
Uma calçada clareada de chuva de mínimas flores brancas, uma janela com luz estranha lembrando o miolo de romãs e vagalumes distantes de seus dedos frágeis.
Magnólia colecionava palavras e não sabia qual a sua primeira palavra.
A mãe jamais dissera.
Por isto imaginava que sua primeira palavra tinha a ver com flor e luz e inseto que incendeia em luscofusco.
Talvez tenha sido um suspiro sua primeira palavra.
Ou uma interjeição.
Ah!
O que mais pode expressar o sentimento de inserção...
Talvez tivesse repetido o som da flor que cai suave e branca na calçada.
E este som era o prenúncio de que o paraíso está ali na esquina.
Andava com prenúncios de paraíso ouvindo o som da flor que cai.

Bárbara Lia

Friday, March 13, 2009

Toma os teus ponteiros

Toulouse-Lautrec



Que esse ar que me falta
é o troco dos relógios que invento.
2008, de fato, foi o ano da lama.
Todavia, que venha o vinho,
mais chuva no ninho,
&, por favor, meus corações todos num só umbigo.

Rebecca Loise
.
Minha amiga Rebecca escreve. Mantém seu blog e uma coluna em um jornal de sua terra - Dourados. Universitária, cursa Psicologia em São Paulo e me concedeu algumas horas da sua semana - reencontro e trocas - sentar novamente em um café e ler nossos escritos, comemorar e pontuar esta jornada. Uma menina que assombra com sua força de alma e com sua escrita.
Capturei estes versos de seu blog (link ao lado)
.
- Poeta em Viagem - São Paulo 13.03.09

Tuesday, March 10, 2009

Um poeta em carne viva

Um poeta em carne viva
não cabe
nas reentrâncias simétricas
das mentes obtusas
que desconhecem
os mapas de Tolkien
o barco bêbado de Arthur
a Pasárgada de Bandeira.
.
Um poeta em carne viva
abriga a terrível pulsação
de um coração-estrela
e um silêncio
encravado nas entranhas
como filho bastardo
que nasce
à revelia do seu canto.
.
Um poeta em carne viva
acorda com o poema
escorrendo na pele
e anota rápido o verso-raio
que invade o torpor
de estar vivo.
.
Um poeta em carne viva
pisa as pedras
imaginando-as
seda da China.
.
Um poeta em carne viva
é um louco no tribunal
das almas de chumbo:
culpado sempre.
..
Culpado de ser humano da fala ao falo.
.
Bárbara Lia
Sampa - 13:35 - março precioso.

Monday, March 09, 2009

Céu

(clicar na imagem)




A VOLÁTIL CIA. DE TEATRO DO UNINTER

convida para o ensaio aberto do espetáculo:

CÉU

Sexta-feira, 13/03/2009

HORÁRIO: 21H

TEATRO UNINTER

ENTRADA PELA RUA DO ROSÁRIO, 147

(próximo ao LARGO DA ORDEM)ENTRADA FRANCA



----- Geisa Muller convida para o ensaio aberto - e para a apresentação durante o Festival de Teatro de Curitiba------


cartas bahianas


Sunday, March 08, 2009

mujeres

Mi vestido cuelga aqui - Frida Kahlo - 1933.
Papilla Estelar, 1958, a pintura de Remedios Varo.


.
Um arrepio de emoção, pousar o olhar em um quadro de Frida Kahlo um dia antes do dia das mulheres. O vestido que ela pintou entre uma infinidade de signos novaiorquinos, um carimbo de sua etnia e força tolteca, evocação de sua saudade. O vestido em um varal que se estende entre um vaso sanitário e uma ânfora com uma fênix no alto. Um presente único neste dia que eu ouso celebrar: Ser mulher! Gosto desta fase de Frida, onde o tumulto e o estranhamento com outro país suscitou o quadro que está nesta exposição, o outro onde Diego despenca de um prédio, o outro onde o dedo necrosado sangra na banheira. No sábado uma festa que antecipa o dia de todas as mulheres. Quatro Mulheres. Um passeio ao museu, um jantar à luz de velas. Crepes & Martinis. Quatro Mulheres. Neuza Pinheiro me apresentou Shirley K. e Ana Machado. Uma tarde/noite de belezas. Os quadros todos belos, mas, como a compactuar este instante com as pintoras eternizadas ali que certamente comungam conosco a hóstia de fogo a vida o vôo o sonho o espanto, na exposição não me detive em Orozco, Siqueiros, nem mesmo em Rivera. A grandiosidade dos muralistas mexicanos esqueço, para contemplar a fêmea tessitura, o vendaval surreal desta mulher que me domina e a candura de uma outra mulher alimentando a lua com uma papinha de estrelas moídas. A ternura do coreto de madeira (amo coretos!) flanando no espaço meio a um mar de estrelas. A lua na gaiola - pura poesia. A lua é só uma criança faminta, devo lhe dizer - tu que temes a lua.
Dia da mulher, estou em São Paulo, é no Instituto Tomie Othake que acontece a exposição - Latitude: Mestres Latino-americanos. Confesso que quem me levou até lá foi Frida, mas todo o acervo está bem bonito.

Thursday, March 05, 2009

Reflexões sobre o mundo árabe contemporâneo





Cursos Icarabe
Curso do Icarabe Reflexões sobre o Mundo Árabe, agora
em Curitiba
Associação Comercial do Paraná, no Auditório Carlos Alberto Pereira de Oliveira – 9º andar;

XV de Novembro, 621 - Centro – Curitiba/PR (estacionamento próximo)
Nos dias 12, 13 e 19, 20 de março

Inscrições até dia 9 de março

Início das aulas, dia 12 de março
mais informações:

Wednesday, March 04, 2009

Prosa & verso

Ano passado conheci Izabel Liviski, um amigo comum indicou-me. Izabel optou por estudar uma autora contemporânea, e especificamente o meu livro - Solidão calcinada - para um trabalho acadêmico. No embalo da conversa sobre a dita - escrita de mulheres - saboreando um chocolate quente, conheci Izabel, que também é fotógrafa. Naquela tarde apresentei o meu livro - as personagens femininas e seus diários - e o texto dela começou a ser gestado ali, em uma tarde fria de final de primavera...
Não devo publicar seu texto, apenas a frase final que cita Orlando.
Uma bela experiência esta.
O poeta Márcio Claudino incluiu minha poesia em sua monografia de final de curso e considero o mais completo - até hoje - sobre a minha poesia. Izabel ficou com a prosa e amei o fecho e o encerramento do texto dela, que é mesmo aquilo que faz parte do meu caminho - escrever com todos os sentidos, agregando a alma e o corpo, para que não se torne esta escrita cerebral que espanta o leitor. Escrever e seguir sabendo como é o território inteiro, erguer minha mansarda e continuar apenas assim, dona de mim. Agregar esta precoce situação de ter pessoas estudando seus livros - e mesmo que isto seja o prêmio: os leitores e a escalada toda - sei que é o início, o começo de meu caminho como escritora.
Deixar a frase de Lygia Bojunga sempre diante dos olhos:
É preciso antes de mais nada levantar a casa.

*

Estudos Avançados - II - História (Gêneros da escrita: literatura, história e a teoria feminista sobre a escrita de mulheres) - Izabel Liviski

**
...emprestamos a frase que Virginia Woolf disse em/para Orlando, e que parece se aplicar também à nossa autora: “Pois, segundo parece – seu caso prova isso -, escrevemos não com os dedos, mas com a pessoa inteira. O nervo que controla a pena enrola-se em cada fibra do nosso ser, amarra o coração e trespassa o fígado."

**

*
DUAS TENDÊNCIAS DA NOVÍSSIMA POESIA CURITIBANA NO ALVORECER DO SÉCULO XXI - MÁRCIO DAVIE CLAUDINO DA CRUZ...
-mínimo fragmento da monografia - Márcio estudou duas tendências - vital e onírica - estou entre os poetas de escrita onírica, embora o próprio Márcio tenha me segredado que muitas poesias minhas têm este aspecto visceral e vital...
*
A poesia de Bárbara Lia quer sempre atrair o universo do sonhador para o real, para a rua, para a casa, para os amigos e para o que mais lhe pertence intimamente: filhos, amigos, amores: “guardei nas dobras da alma / os que amo e são meus” (A última chuva, p. 17)
[1]. E por que o real é fato nos McDonald’s da vida e no “fluxo anêmico dos carros (de luxo)” (A última chuva, p. 15), a mística busca dessa poesia é erotizar e sonhar a partir do real, com a espreita ritual da vidente na “água calêndula no ralo” que “revela”: a forma exata do rosto estrangeiro e o sexo formigueiro de prostituta de Veneza... Espie pelas frestas do Zeppelin dos sonhos... Meu mundo: Sem Florais de Bach Feng Shui Mantras.” (A última chuva, p. 15). Revelando formas de rosto e sexo pelo transe e pelos sonhos, o mundo se compõe de ausências, “sem florais de Bach / Feng Shui / Mantras”. Sem esses auxílios místicos para viver. A realidade avistada com estranhamento significa, em poesia, colocar ao lado de um termo real outro surreal. Porque é preciso revigorar a realidade, virando o disco, tocando outra faixa. Estar atento à faixa que emerge súbita, fora do plano cotidiano é tarefa de quem avista, de repente, coisas ditas como: “andando por calçadas molhadas / -uma lâmpada grávida / estremecida de sol” (A última chuva, p. 11), “o algodoal menstrua / sangue branco / antes da primavera” (Noir, p. 31)[2], “meninas nuas em camas de areia / com o pó negro de Kohl / derretendo em prazer / no olhar” (Noir, p. 41), “Como quem olha entre as frinchas de um biombo, / vi tuas mãos – lua de Isfahan” (p. 27). Os elementos em A última chuva são líquidos e noturnos, nota-se o emprego abundante do vocábulo água, além de outros correlatos como chuva, lágrima, gota, pingos, lago, menstrua, bebe, vinho, chá, abraço líquido, vendaval molhou, enxurrada, enxágua, sede, sangram, óleos, barco. A maioria dos poemas traz essa marca indelével, a considerar a partir do próprio título do livro. A poeta prefere a água à areia, pois, dentro do silêncio quebrado pelo ritmo incômodo dos pingos de “uma torneira vazando / enlouquecendo em azul / a noite”, o tempo é marcado pelo elemento líquido que “cai em ritmo de segundos, / tatua o tempo em estilhaços líquidos”.

(...)

[1] LIA, B. A última chuva. Belo Horizonte: Mulheres Emergentes Edições Alternativas, 2007.
[2] LIA, B. Noir. Curitiba: edição do autor, 2006.

Tuesday, March 03, 2009

Ressonâncias

Está na hora de explodir as outras torres gêmeas - Sebastião Nunes
http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=3845

Lendo o texto acima do Sebastião Nunes e pensando:
como é bom encontrar ressonância em algo.

Monday, March 02, 2009

O sorriso de Leonardo





Lembro que foi na Biblioteca do Muma que encontrei a Biografia de Leonardo Da Vinci. Muito impressionada com o livro e com a descrição de Leonardo escrevi algumas poesias e fiquei mesmo com o desejo do inacessível - saber como era o sorriso de Leonardo. Homem sério este Leonardo. Mente e alma pululando e pulando de estrela em estrela e de uma teoria a outra teoria para construir pintar e deixar os inventos tantos e os quadros que deixou. O cientista genial, o poeta livre que não gostava de ver pássaros em gaiola, nunca pintou um autorretrato sorrindo.
Um jornalista científico - Piero Angela - notou que existia um nariz no texto que ele lia, em um manuscrito de Leonardo Da Vinci - Códice sobre o voo dos pássaros - e utilizaram novas técnicas - técnicas de investigação criminal - para revelar o rosto escondido.
Estava assistindo ao noticiário da Band News quando ouvi a notícia, antes de mostrarem a imagem eu pensei - naquele momento que antecede à uma revelação - será que neste ele está sorrindo? Que nada. Belíssimo, mas, sério. O sorriso de Leonardo vai continuar sendo impossível de ser vislumbrado, mas, pode ser imaginado e então a imaginação - que é das capacidades a mais bendita - inaugura uma luz neste rosto bonito.
.
Um texto sobre a descoberta do rosto escondido:

Sunday, March 01, 2009

Uma imagem para Lia #7

Foto do meu amigo Cássio Amaral
(Violetas roxas/solo sagrado)
.

Thursday, February 26, 2009

Para ler de manhã e à noite



.
Aquele que amo
Disse-me
Que precisa de mim.
Por isso
Cuido de mim
Olho meu caminho
E receio ser morta
Por uma só gota de chuva.

BERTOLT BRECHT

Saturday, February 21, 2009

Como respirar nuvens

Magritte

....

Amava
como quem soluça
gesto repetido
dolorido
.
Para estancar
o trotear do ar
enchia-me de sustos
.
Só a ti
amo
como quem
respira
.
amo
sem sentir

nutrida
sempre .
.
Só a ti
amo
sem perder
o ar

o rumo
o lugar
;
Só a ti
BÁRBARA LIA

The Reader



The Reader é baseado no livro de Bernhard Schlink, de 1995. O livro tem alguns toques autobiográficos, segundo o autor. O filme, dirigido por Stephen Daldry, traz o encontro perfeito entre os atores David Kross e Kate Winslet. Como dançarinos que nunca se perdem na coreografia, como quem decorou todas as entranhas do labirinto. É assustador e ao mesmo tempo envolvente. O roteiro dos amantes e a própria paixão sai de foco quando chegam os questionamentos - O que mais importa? A lei ou a moral? O filme mostra o choque entre a geração pós-guerra e a geração que vivenciou e protagonizou o holocausto. A ênfase na importância dos livros captura os amantes dos livros e penso que só quem é leitor vai ter uma afinidade maior com este filme, o peso que é dado, o merecido peso ao ato de ler, à importância disto na vida de alguém, no caso, na vida de Hanna, personagem de Kate Winslet. O livro faz parte da paixão, incorpora-se a ela e acaba por tornar-se um rito, um fetiche dos amantes. O livro, uma ponte que está acima das mazelas humanas e dos julgamentos.
O Leitor

estante #9


.

Ponto de Oiá
.
.
ela habita o nome
com que a batizaram
senhora de espadas
é chispa e chibata
em carne de escravo
é céu em desagrado
..
ela investe a noite
que não tem começo
luz de lobisomens
quando lança o raio
muda de endereço
faísca sem cansaço
.
ela inventa a hora
em que predomina
dona do ambiente
da vida dos ventos
ela participa
feitiço de pimenta
.
ela aumenta a fonte
de toda memória
risca sobre a areia
é faca de um magma
que a pele incorpora
íntima de artérias.

Wladimir Cazé
Micro afetos, edições K - 2005

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...