Tuesday, December 11, 2012

A flor dentro da árvore em Porto alegre

Os outros Quixotes do evento - dia 07 em Porto Alegre: Sandra Santos - curadora do evento - sua trajetória poética nos escritos e na vida podem ser lidos aqui - o escritor de Atos de Paixão (dramaturgia) - Túlio Henrique Pereira, cuja trajetória literária pode ser conhecida aqui - e a artista plástica Rosane Morais. E eu, com o livro de poesia - A flor dentro da árvore. 


Poetas de Poa:

Eliane Marques

Alexandre Brito


Juliana Meira

Sidnei Schneider e "A flor..."


Túlio Henrique Pereira e eu


Sunday, December 09, 2012

E a flor vai para...


Rosane Morais em sua exposição "Retrospectiva" suas obras de Arte - à flor da pele - e os meus poemas - a flor dentro da árvore. Um diálogo inesperado para mim. Ela vestia um vestido/convite. Até as pedras do pequeno castelo transpiravam poesia na noite do dia 07.



- Rosane Morais -

MPB para completar a noite no Castelinho... Renato Borba teclando... Não era noite ainda e a música enchia o ar. 



Juliana Meira - Uma poeta e(m) Flor



O Castelinho do Alto da Bronze tem duas pequenas torres. Em uma delas o Túlio Henrique Pereira com seu livro - Atos de Paixão - e na outra torre eu com - A flor dentro da árvore. Nos andares inferiores a exposição da Rosane Morais, ao lado os músicos e acima de nós um céu quase noturno que ao final da noite abençoou-nos com a chuva fina - Uma festa!


_ Pausa para um Café no Parque da Redenção com Ana Cristina Gonzales e Sidnei Schneider - Sábado para ver Porto Alegre.





                              Festa para Mãe Oxum ontem, dia 08, dia dela que é Padroeira de Porto Alegre


-flores amarelas na orla-



Túlio & Sandra e o momento de mergulhar nas raízes do Rio Grande do Sul - Maravilha!



E a flor vai para...


Em primeiro lugar uma flor para Emily Dickinson. Ao pensar - flor - vejo as pétalas vermelhas das flores do dia do evento que vieram comigo para casa. Estou aqui. Estou aqui, de novo, estou aqui. Estou em Curitiba e o cinza é para lembrar que o sol e o Guaíba e os sorrisos estão estancados no plano da memória desta viagem surpreendente. Em primeiro lugar uma flor para Emily Dickinson, que foi para ela este livro, foi por ela este livro. Em segundo lugar uma flor *livro* para Sandra Santos que há quase um ano disse - Você precisa lançar este livro no Castelinho. Os adiamentos tantos para, finalmente, lançar o livro em Poa. O convite que permitiu o encanto e os encontros. Obrigada ao Túlio Pereira, companheiro de lançamento e cafés pleno de interrogações e trocas sobre nossos possíveis passos, novos escritos e os planos... Se cada escritor pudesse fazer cair na alma dos que podem permitir estes sonhos materializados. Onde estão os Mecenas? Nunca mais um Renascimento. Não entendam Mecenas como - as leis do mecenato - é neste espaço de possibilidade que estancam os "donos do pedaço" os que não estão olhando esta fatia de ternura: dois poetas confidenciando em um café, dois escritores à beira do lago, duas mulheres tentando encenar um texto maravilhoso no palco. Haja dinheiro público vazando para quem - muitas vezes não precisa ou muitas vezes coloca ele (o dinheiro) como o fator principal de sua arte, muitos que só estão nessa por terem proteções e apadrinhamentos - Sim, eu sou radical. Sim, eu estou cansada. Cansada de ver poetaços sucumbindo ao cansaço de não encontrar a mínima alameda, nenhum caminho, nenhum lugar. Cansada de ver poetas encerrados em seu próprio ar até murcharem como as flores de estufa abandonadas, todas as portas fechadas, todas as portas...
E voltando ao Porto Alegre... Obrigada às meninas poetas - Eliane Marques e Juliana Meira. Ao Cesar Pereira que evocou os velhos dias, seus passos dentro da Poesia Concreta, na sacada de um Castelo de Pedra. Um abraço ao Alexandre Brito que evoca a densidade dos meus versos. Obrigada a todos daquele dia 07, enfim. Os fragmentos de falas a valsar como aquela chuva fina. A partilha. Uma carícia essencial do Sidnei Schneider e da Ana Cristina Gonzales que foram anfitriões em um sábado lindo, um amigo de ouro o Sidnei, contemplar o Rio Guaíba, sentar em um café no Parque da Redenção e encontrar - ao acaso - Armindo Trevisan. Ganhar de presente uma aula sobre Arte, assim, em uma tarde de sol, diante de uma catedral gótica. Ah! O lançamento. Dois autores, uma artista plástica, muitos risos, a chuva que nos pega de surpresa ao final da festa. Comemorar. Comemorar. As imagens? Sim - As fotografias. Por enquanto alguns momentos que registrei. Dentro em breve mais imagens do evento.

182 anos do nascimento de Emily Dickinson nesta segunda-feira.
92 anos do nascimento de Clarice Lispector. 
Aniversário da Sandra Santos no dia do evento.
E eu me sinto presenteada. 

O lançamento foi especial, loas à Poesia, Pura alegria.
Ah! e os músicos com Renato Borba enriqueceram a noite com a mais bela MPB.
E burburinhos de chuva & champanhe.
Passos de fantasmas de outro tempo.
Poesia em pequeno castelo de pedras.
Sem Pedra no Meio do Caminho.
Quase um ano da impressão de _ A flor dentro da árvore_ 
E a quem ofereço estes versos arquitetados dentro do silêncio? Ao sublime arquiteto que neste momento está deslocando as estrelas para compor suas curvas nos astros. Uma vontade de dizer: Niemeyer, que pena que não somos eternos. Isto causa esta dor e estranheza, merecias a eternidade neste mundo... 
Mais fotos dos lançamentos - de "A flor dentro da árvore" e "Atos de Paixão" de Túlio Henrique Pereira. Imagens da Exposição Retrospectiva de Rosane Morais, assim que possível.


Thursday, December 06, 2012

Uma flor, um castelo...

          O poeta chileno Leo Lobos no - Castelinho do Alto da Bronze - Porto Alegre



Uma trégua de alguns dias aqui na minha página. Vou para Porto Alegre e volto com notícias do lançamento do livro - A flor dentro da árvore. Pela austeridade e nobreza de Emily Dickinson muito bom lançar este livro, que é uma espécie de reverência a esta poeta incrível, neste espaço tão lindo. 

Fêmea!

Matisse





Gostei imensamente de ler a dissertação de Mestrado de Adriana Lopes de Araújo - Solidão Calcinada e Constelação de Ossos entre os livros estudados para compor - A REPRESENTAÇÃO DA MULHER NO ROMANCE CONTEMPORÂNEO DE AUTORIA FEMININA PARANAENSE - a orientadora: Profª. Drª. Lucia Ozana Zolin. Outras duas autoras neste estudo - Bebéti Gurgel e o livro - Pecados Safados - e Karen Debértolis e o livro - A estalagem das almas.



No texto me detive no quadro "Fases da literatura de autoria feminina paranaense" - Estas fases estão assim colocadas. A primeira fase - Feminina (1859-1944) com Júlia Maria da Costa: Flores Dispersas - Volume I e Volume II e Didi Caillet: Reviver. A segunda fase - Feminista (1944-1990) com Didi Fonseca: Ele, Pompília Lopes dos Santos: Abismo e  Iracelina Torres de Toledo e Souza: Uma Trajetória. A terceira fase - Fêmea (a partir da década de 1990) com Bárbara Lia: Solidão Calcinada e Constelação de Ossos, Bebéti do Amaral Gurgel: A quem interessar possa, O diário Secreto de Carolina e Pecados Safados, Karen Debértolis: A estalagem das almas, Eliane Somacal: A maldição, Maria Paula Ramos de Assis: Quando florescem as azaleias, Paola Rhoden: Caminhos sem volta e Dezessete anos e Silvia Peregrino de Freitas Rocha: A sacerdotisa.

Muito bom ler a classificação da minha escrita - Fêmea. Esta volta ao estado bruto adornada com a evolução e a roupagem de nossa época. Já não queremos ser as que vão podar os passos do macho que subjugou-nos por milênios, queremos ser a docilidade fera, a partilha em tudo, e isto é muito bom. Ainda não existe espaço para esta postura em nosso mundo. Fico me perguntando se um dia haverá. Quando Rita Lee canta - Eles amam as loucas, mas, se casam com a outra - está definindo o destino destas mulheres que tomam pra si seu destino, caminho, escolhas (inclusive de afetos, companheiros, amantes, etc.) esta falta de lugar no que diz respeito às relações, ou não... Alguns caras já assimilaram a nosso liberdade com tudo que ela tem de bom. Mas, apenas alguns... É preciso ser muito macho para encarar uma fêmea. Mas, não macho no sentido latente do imaginário latino-americano. Ser macho dentro, macho no âmago, aquele que olha de igual para igual e sabe que cada um tem a sua essência de vida e que é dentro desta essência bruta que mora esta possível partilha. É isto, mas, era para escrever sobre uma tese, de mestrado, era sobre personagens de ficção, no entanto, o autor que inventa não diz o que há de humano em nós.  A humanidade a gente não inventa a gente vive. E não dá para negar: Escrever é colocar a alma nua sobre a mesa. A mestranda ao relatar minhas personagens relatou esta mulher inteira. Esta que rompe com o patriarcado, que toma para si o próprio destino. Este é o meu grito. O estudo dela fala sobre este direito ao Grito. Ainda sem saber se alguém nos ouve e, se ouvindo, vai traduzir o que nossa voz quer dizer, ainda assim - Gritamos. Pois, mesmo com direito ao Grito muitas mulheres se calam e seguem com a roupagem das bisavós, é mais fácil, é mais cômodo. Da minha parte não abro mão da minha parcela de liberdade de ser mulher e livre e abraçar o tempo e romper as barreiras que conseguir e seguir batendo com a cabeça na parede daquelas barreiras que não consigo demolir. Eu sou assim... E as personagens dos meus livros, também...

Sunday, December 02, 2012

aquecendo os tambores...


Sexta-feira (dia 7) em Porto Alegre o evento de Dezembro no Castelinho do Alto da Bronze Espaço Cultural - Lançamento de - A flor dentro da árvore.


Grata aos sites que divulgaram o evento - Solda Cáustico:
http://cartunistasolda.com.br/2012/11/23/castelinho/

e Site Germina em sua coluna - classificados:
http://germinaliteratura.blog.uol.com.br/

Aos poetas Sidnei Schneider e Sandra Santos - Obrigada!

Saturday, December 01, 2012



A Editora Vidráguas (Carmen Silvia Pressoto e Ricardo Hegenbart) criaram a página - Vidráguas - dentro do Facebook. A Loja Virtual Vidráguas dentro do aplicativo Likestore. Nesta página é possível encomendar o meu romance - Constelação de Ossos - publicado em 2010. 




Friday, November 30, 2012

Ausência de Pessoa - Bárbara Lia


Ilustração de Rafa Camargo para o Jornal Rascunho - Poemas publicados na edição de março deste ano -
Ausência de Pessoa

O balcão feliz, o chão da Leitaria do Trindade
O fatal silêncio ocre escuro de folha outonal
O ar se altera — ventania, mistério e divindade
Prenúncio da chegada do poeta lusitano genial
Nas manhãs um copo de vinho, gesto costumeiro
— Bom dia, Trindade! O copo de vinho estendido
Nas noites escrevia com a luz da rua — candeeiro
Mil vozes e mil rostos em seu rosto, escondidos
Esta epopéia diária das paredes a abrigar a figura
Roupa escura, chapéu e óculos, passo que levita
Esta contumácia de pedra que abarca a água pura
Esta rotina de lírio e fogo que segue e nada evita
Quebrada em um novembro com a morte do poeta
Médico pastor escrivão engenheiro místico esteta

Bárbara Lia

77 anos de ausência de Pessoa no nosso Universo Físico, presença viva em nossos corações e vida. 

Sunday, November 25, 2012

DNA da "flor"

foto: Kátia Torres Negrisoli





Seis poemas dos nove premiados no Prêmio UFES de Literatura:

"Dentro da minha flor me escondo"
"A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la"
"Sinal cifrado pra enovelar o divino"
"O gelo da morte na vidraça"
"A real cicatriz você tem?"
"Escanear os céus com um ar suspeito"



"A flor dentro da árvore" traz poesias premiadas no Prêmio UFES de Literatura - organizado em 2009 pela Edufes - Editora da Universidade Federal do Espírito Santo. A apresentação do poeta Sidnei Schneider, que vive em Porto Alegre, recentemente lançou seu primeiro livro de contos - Andorinhas e outros enganos. O livro traz epígrafes/versos de Emily Dickinson em cada poesia - Emily Dickinson figura como uma paixão inseminadora - conforme palavras de Sidnei Schneider. A seiva viva da poesia de Emily na qual mergulhei enquanto escrevia estas poesias do livro levaram-me a vê-la como uma grande árvore. Árvore da vida. E o título nasceu deste encontro/vertigem. A flor - Bárbara Lia - dentro da natureza bruta e avassaladora que é a poesia de Emily Dickinson.

Dia 07 de dezembro o livro vai ter o seu primeiro e quiçá único lançamento, dentro do evento organizado pela poeta Sandra Santos no Castelinho do Alto da Bronze em Porto Alegre:



Para ler a apresentação e algumas poesias - no site Musa Rara - clique aqui


Tuesday, November 20, 2012

Sobre pássaros e palavras




Acordo todo dia feliz com a serenata de um pássaro que desconheço. Ele tem um canto tão lindo que acordo antes do sol pra ouvi-lo... Um ornitólogo, por favor! Acordo todo dia feliz, pois nas manhãs brotam palavras, a resolução para um personagem, a finalização de um enredo, os títulos tão difíceis. Um dia vou escrever um romance sem título. Vai se chamar - Romance. Só romance. Ou Livro. Cada um que coloque o título que quiser. Melhor deixar em branco uma linha extensa para os títulos vários. Minha amiga Geisa Mueller escreveu poesias com a palavra calcinada pela qual ela se apaixonou após conhecer meu romance - Solidão Calcinada. Estas coisas podem deixar uma poeta derretendo-se qual caramelo em calda, estas coisas poéticas, ternas, únicas. Estas palavras que estas mulheres do meu tempo dizem e então eu sei a razão do meu caminho fragmentado, do meu destino, dos meus percalços e recomeços, da minha poesia... e isto soa tão lindo e tão único qual o canto do meu pássaro trovador... meu pássaro que também é um livro sem título, mas quando abre seu peito (páginas?) ecoa esta poesia que é única, que quero colar dentro de um enredo, que quero dizer como diziam as primeiras poetas e a primeira pessoa que amou neste planeta...

Bárbara Lia - 20/11/2012

Sunday, November 18, 2012

AS LOUCAS


Mulheres comportadas raramente fazem história. (Marilyn Monroe)


O estranhamento que causa uma mulher que não segue o - Manual das Senhorinhas Bem Comportadas de Todos os Tempos - pode render um livro. Confesso em cadernos e arquivos word as minhas inquietações. Um livro inteiro tentando dizer - Livre não é louco, Livre é Livre. Muitas coisas em carrossel diante dos meus olhos, valsam veias, valsam íris, valsam dentro da alma. Quando as pessoas encontram alguém livre ficam procurando o adjetivo. Todo mundo pode ser nominado de tantas coisas... Você é carismática, você é forte, você é guerreira, você é corajosa. Ouvi muito pela vida, a necessidade de encaixar cada um em um lugar. Os manuais e seus conceitos. A sociedade e suas classificações. Há muito descobri que sou uma - desviante do sistema. Alguém que não segue o que está escrito. Gosto de ter este diferencial, mas, é preciso muito tutano e força e asas para seguir inteiro, algumas vezes recolhendo pedaços.
Ninguém diz diante de uma pessoa alada - Você é Livre.
Encontram outro título pra justificar todo espanto - Você é Louca.
Ouvi muito isto. Sigo louca (LIVRE) e tentando entender cada fala.
Uma mulher que não se enquadra nas normas vive quebrando tabus.
Meu caminho pelas vielas da paixão é um nó sem fim, pois eu não abro as portas para nada e ninguém. Só me dou a quem desejo e me atrai e diz bem mais que atração apenas e diz um mundo e diz um encanto e diz poesias em sua fala, figura, caminho, estampa, voz e verdade. Por isto, só me apaixono por caras feras, com carisma e força (já me enganei também e das poucas vezes que me enganei foi com uma categoria chamada - zen. quando um homem se disser iluminado e vier com este papo de alturas, caia fora. estes se acham acima do bem e do mal e brincam com as pessoas, por acharem que tem o direito de não se dar, afinal, são tão puros e tão altos e tão iluminados que estão ali apenas para serem amados, admirados, tocados... entendeu? fuja deles, prefira os malucos todos, os bêbados, os tortos. fuja dos santos de pau oco) e então eu fico nesta via de mortes e ressurreições. A única coisa que sei é que minha loucura me salva de ligações pífias, uniões por interesses que não seja em si o encontro e a entrega, me salva do tédio, de um novo casamento sem afinidade, de dias e noites pensando em artimanhas e em como sobreviver dentro deste jogo doentio que é realmente o que embala a maioria dos casamentos, namoros e etc. Não namoro - eu me apaixono. Não jogo, eu dou as cartas no jardim de Afrodite. Se sou louca, viva! Na reta final, qual um velho trem que dá seu último apito, atira a última fumaça ao céu, quero mais é a solidão dos dias em paz. Não fosse o velho bicho da paixão atrás da porta, debaixo da cama, ao telefone, naquele livro, naquele palco, naquela rua... A paixão. Ela é a dona de mim e da minha "loucura". E mesmo com o maior susto diante da liberdade minha, a paixão me puxa, a paixão me leva, a paixão me expulsa e um belo dia, ela volta... -

Friday, November 16, 2012

O que tinha que ser...




O Que Tinha Que Ser
Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem 
E eu tua mulher.

Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser.




Mais um título para Éder Jofre -




Mais um título para Éder Jofre
(Portal Cronópios e Editora Patuá)



- Participo desta Antologia com a Poesia: No tempo em que éramos invencíveis.
Breve notícias sobre o lançamento.

Thursday, November 15, 2012

Vuelvo al sur...Lançamento de "A flor dentro da árvore" em Porto Alegre, 07 de dezembro

Volto a Porto Alegre a convite de Sandra Santos para lançar meu mais recente livro - A flor dentro da árvore. Em um evento do dia 07 de dezembro no Castelinho do Alto da Bronze Espaço Cultural.
Volto ao Sul do Sul, nesta cidade que é parte da minha jornada poética. Lançamentos e publicações e partilhas. Porto Alegre em final de primavera, a flor e a árvore já se preparam...

Convite especial - para a exposição Retrospectiva de Rosane Morais - A flor dentro da árvore e Atos de Paixão de Túlio Henrique Pereira (dramaturgia)

Wednesday, November 14, 2012

Prendimi l'anima - Bárbara Lia



No táxi ela recordou o signo: Um selo com o personagem daquele filme da tarde que se encontraram no cinema. Sincronias. Na tarde em que ela foi aos Correios viu o moço retirar os selos da gaveta e atirar diante dos olhos dela aquela imagem que evocava o encontro com o amante. Comprou o selo, pensou em postar uma carta com ele. Depois, decidiu presenteá-lo - um signo. Qual aquele outro filme onde o personagem de Carl Jung entrega a Sabina Spielrein uma pedra e pede que ela a guarde. A pedra pequena representava sua alma, ele disse. E ele pediu que ela levasse sempre a sua alma com ela. Como a mulher no táxi se sentia tênue e quase dissolvida, sua alma era de papel. Sua alma era um selo dos Correios. A imagem daquele mito ali impressa, suas palavras de asas, as mesmas que ela ouviu abismada naquele cinema onde se conheceram. No táxi o silêncio da noite compactuava com o seu espanto e com a certeza de que ele a tinha entre seus dedos. Esquecera o signo ao encontrá-lo, esquecera a promessa de entregar a ele aquela memória que a representaria. Esquecera tudo. Só lembrava o corpo dele e aquele filme onde Jung e sua amante estão enlaçados. Só lembrava ela e ele enlaçados e loucos e aquele outro casal enlaçado do filme. Da importância de dar sua alma para alguém levar pela vida e daquele filme e dos corpos nus e do gosto do sexo dele ainda brilhando entre seus dedos e o calor que evaporava de seu gozo ainda aura de luxúria em sua roupa... Não sabia quase nada dele. Embarcara em uma jornada de corpos. Não podia dizer-lhe não desde que as primeiras palavras de desejo pingaram em sua tela por conta de insólitas sincronias de imagens. O cinema é culpado. Por muitas horas de sexo, por muitos beijos, suspiros, encontros, lágrimas, gozo, gozo, gozo. O cinema... E ele era culpado por ser pura doçura envolvida em magnetismo daqueles homens que olham e enlaçam, alma a alma. No caso deles, pele a pele, corpo a corpo, gozo a gozo. O silêncio da noite e as lâmpadas pálidas. Ela pagou o taxista, entrou quintal adentro leve feito pluma. Girou a chave na porta, entrou e abriu a bolsa. Sua alma dançava na bolsa grande como a lembrá-la que era preciso entregar, entregar a alma nas mãos dele... Sabendo que já a entregara ao ficar ao lado dele naquela cama larga, nus e enlaçados, qual no filme Sabina & Carl. Tudo estagnado naquela hora agoniada - La petit mort... 
Amanhã ela enviaria pelos Correios a sua alma-papiro, sua alma-poema, sua alma-louca, sua alma-fêmea...

Bárbara Lia




Tuesday, November 13, 2012

A flor dentro da árvore / Noir / Cantata Fugace


A flor...

Poesia do livro Noir




A árvore...


Poesia do livro artesanal - Cantata Fugace - Poemas em Espanhol


Noir, último exemplar para a amiga de Adamantina


Barco de Lia no Rio de Cora


Poesia!



- Ensaio fotográfico da minha amiga de Adamantina Kátia Torres Negrisoli, dos livros a ela enviados.
A flor dentro da árvore - 2011
Noir - 2006
Cantata Fugace (Edições 21 gramas - 2010)



Monday, November 12, 2012

Corta!


                                               
                                               


Minha vida nunca foi assim:
filme ruim
(onde tudo dá certo no final)

Nunca choro, ainda que doa
viver dentro de enredos de Pasolini
ou dramas poéticos de Zurlini

Meu caminho - roteiro de pura Arte -
Deus/Fellini dirige
(Ele sempre sabe a hora de gritar: - Corta!)
Bárbara Lia

Imagens: cenas dos filmes -  La ragazza com la valigia e la prima notte di quietta - valerio zurlini

Saturday, November 10, 2012

Torquato Neto




Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível


eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora


eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim


eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

Torquato Neto
(09/11/1944 - 10/11/1972)

Friday, November 09, 2012

Cinema Americano / Thais Gulin



fragmento de - Cinema Americano - de  Rodrigo Bittencourt
A ponte de safena Hollywood e o sucesso
O cinema a Casa Branca a frigideira e o sucesso
A Barra da Tijuca Hollywood e o sucesso
Prefiro os nossos sambistas
Prefiro o poeta pálido anti-homem que ri e que chora
Que lê Rimbaud, Verlaine, que é frágil e que te adora
Que entende o triunfo da poesia sobre o futebol
Mas que joga sua pelada todo domingo debaixo do sol
Prefere ao invés de Slayer ouvir Caetano ouvir Mano Chao
Não que Slayer não seja legal e visceral
A expressão do desespero do macho americano é normal
Esse medo da face fêmea dita por Cristo é natural
É preciso mais que um soco pra se fazer um som um homem um filme
É preciso seu amor seu feminino seu suíngue
Pra ser bom de cama é preciso muito mais do que um pau grande
É preciso ser macho ser fêmea ser elegante
Prefiro os nossos sambistas

Balada Literária 2012





Balada Literária 2012 - De 28 de novembro a 2 de dezembro

Homenageado - Raduan Nassar



link para a programação:

http://baladaliteraria.zip.net/



Wednesday, November 07, 2012

Mia Couto segue encantado e encantando



Parece que foi ontem, Mia Couto. Todo encanto de Maputo que ficou flanando dentro. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra foi o primeiro livro que li, depois de ler matérias e matérias na Internet. Depois de ler poemas, biografia. Em 2006 encontrei a escritora Helena Sut em um café. Ela voltava de Portugal e estendeu aquele livro azulado com um pégasus branco na capa: Raiz de Orvalho e outros poemas, da editora Caminho. Um presente pra mim, de Portugal. Traçou alguns paralelos entre nossas poesias. Fiquei me sentindo estranha, sempre fico estranha quando alguém me eleva ao lado dos meus mitos. Ainda nem acredito que sou poeta, foi outro dia, foi quando ele lançava Um rio chamado tempo... Foi neste tempo de primavera e anseio que atravessei a cidade para ir atrás da primeira possibilidade de publicar um livro. Toda vez que ele vem ao Brasil eu penso: Não é desta vez, ainda. Não posso ir até lá. 
Amanhã Mia Couto está aqui. Na minha cidade, convidado do Marcelo de Almeida em seu projeto - Conversa entre amigos - que é sempre nas Livrarias Curitiba. O encontro com o Mia foi transferido para o Teatro Paulo Autran, no Shopping Novo Batel, amanhã 19:30. Estava aqui contando as horas para ver este escritor fabuloso, este poeta moçambicano e apareceu um imprevisto. Família. Se meus filhos e neto me chamam, isto é mais que ver o Mia Couto. Não se abandona o céu e eles são meu céu...
Um dia desejei aprender com Mia Couto como "estrondar o encanto". Gosto de ler autores que te atiram meio a ondas de beleza e com elas te elevam súbito enquanto você lê um livro. Estas guinadas inesperadas. "Encantado silêncio das areias de Maputo" foi recentemente publicado na Revista Literatas, de Maputo... Entrou no meu livro Noir(2006)... Sempre escrevo aos que admiro, ou sobre eles. Algum dia eles entram em meus poemas. Mia entrou, sua imaginada figura pra sempre caminhando por uma branca praia, combinando com a luz de um dia bonito. Os escritores levam pras suas vidas o tom de seus livros. Não dá pra imaginar Alan Poe nesta luz que cega os olhos. Quando penso em Alan Poe tem sempre o lúgubre ao redor. Uma casa escura, um silêncio sinistro e é claro - corvos. Quando penso em Borges eu vejo escadarias, labirintos, bibliotecas, alfabetos vários. Vejo um lugar tranquilo também, alamedas, seus passos calmos ao lado de Estela Canto. Esta luz de Mia que o atira em seu próprio lugar, solar, branco, marinho... Tem a ver com sua vida de biólogo, com sua escrita perfeita que encanta, com a calma que ele transmite. Então, ele vai seguir encantado pra mim. Não importa. Algum dia em outro lugar em outro palco em outro espaço em uma noite ou dia, quiçá eu possa me aproximar com um livro, tímida como sempre fico diante dos gigantes, tentando pedir pra que ele assine e dizendo meu nome e guardando como relíquia o livro e as palavras. 
O que importa é seguir a traduzir o silêncio, a ver-se para não macular os livros com a falta de humanidade. Só aquele que se vê dentro pode inserir a humanidade naquilo que cria. E a humanidade faz muita falta hoje em dia. Seja bem-vindo à Curitiba, Mia. Seja acolhido com a força de um lugar que lê sua obra com ternura, que se encanta e respira fundo e pensa como pensei enquanto te lia: Que coisa mais linda...


(Escre)ver-me


nunca escrevi

sou 
apenas um tradutor de silêncios

a vida
tatuou-me nos olhos
janelas
em que me transcrevo e apago

sou
um soldado
que se apaixona
pelo inimigo que vai matar

Fevereiro 1985

Mia Couto
Raiz do Orvalho e outros poemas
p. 60
Ed. Caminho



A morte é um silêncio suspenso
e o sol um silêncio vermelho
Nuvens em seu passeio
diante da janela do apartamento
Uma sinfonia em tons vários
a gritar – Silêncio!
Silencio.
Branca como estrelas e algas
passeio alvas areias de Maputo
olhando ao redor 
em busca de Mia Couto
ansiando que ele me ensine 
a estrondar o encanto

Bárbara Lia
(fragmento da poesia -  Encantado Silêncio das Areias de Maputo - Noir (2006) - poema reescrito)



Wednesday, October 31, 2012

Dia D


imagem: Wikipédia




Há 110 anos nascia Drummond, em Itabira (MG). O site Germina em uma publicação - Especial Dia D - o homenageia. Lembrei a leitura do Carlito Azevedo na FLIP, uma homenagem belíssima.



La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia

Connor Storrie (Ilya Rozanov). Cenas da série canadense 'Heated Rivalry'. Baseada no livro de Rachel Reed. Direção e Adaptação do ge...