Tuesday, February 12, 2013

Um bilhão que se ergue - Curitiba





Dia 14/02
das 12:00 até 16:00
Praça Santos Andrade
Curitiba





http://umbilhaoqueseergue.blogspot.com.br/

One Billion Rising 14/02 - Curitiba - Praça Santos Andrade - 12 as 16h







O “Um bilhão que se ergue” (One billion rising) ou V-Day, é um movimento ativista global, realizado anualmente no dia 14 de fevereiro, para acabar com a violência contra mulheres e meninas, inspirado pela autora, dramaturga e ativista Eve Ensler, que relata ter sido fisicamente e sexualmente abusada por seu pai quando era uma criança.

Terá sua primeira edição em São Paulo, sábado, dia 16/02/2013 no Museu de Arte de São Paulo (MASP) das 14:00 às 18:00 hrs. A data oficial foi mudada devido a atividades realizadas durante a semana (trabalho, escola, etc) que impossibilitam alguns cidadãos a comparecer no evento.

O movimento teve inicio em 1998 quando uma instituição de caridade sem fins lucrativos, "V-Day", foi constituída com o objetivo de usar apresentações da peça “Os monólogos da vagina” para arrecadar dinheiro para beneficiar mulheres vítimas de violência e abuso sexual. 

Uma pesquisa aponta que, no mundo há 07 bilhões de pessoas, sendo que metade são mulheres.
Uma em cada três mulheres no planeta vai ser estuprada ou espancada em sua vida, ou seja, um bilhão de mulheres. 
Um bilhão de mulheres violadas é uma atrocidade.
Um bilhão de mulheres dançando é uma revolução.

Um bilhão que se ergue é:
Um ataque global
Um convite para uma dança revolucionária
Uma chamada para homens e mulheres que se recusam a participar da cultura de estupro
Um ato de solidariedade, demonstrando a indignação e a força das mulheres de todo o mundo
A recusa em aceitar a violência contra mulheres e meninas
É o nascimento de um novo tempo e uma nova forma de pensar e ser.



http://blogueirasfeministas.com/2013/02/evento-um-bilhao-que-se-ergue/



http://www.onebillionrising.org/




Monday, February 11, 2013

50 anos da morte de Sylvia Plath



50 anos do suicídio da poeta Sylvia Plath, em 11 de fevereiro de 1963.

Não esquecer jamais que sua obra poética suplanta esta sua liberdade de colocar um fim em tudo. Esta obsessão de alguns é aquela velha doentia mentalidade das almas nada criativas. O triunfo de Plath foi marcar com sua obra e não com seu gesto. No entanto, como todas as coisas essenciais, esta verdade é assimilada por poucos. A Poesia é um mistério perene, feito Deus e aqueles intocáveis segredos que atravessam séculos. Sylvia sabia e legou ao poema o veredito final. 

http://blog.oup.com/2013/02/on-this-day-sylvia-plath-odnb/


Monday, January 28, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno




(...) amorosa sedenta, encha a boca 
de lodo – oh, haste de luz no metal!
Não chega este amor à altura do seu
amor... Então, enterre-me no céu! 

(Marina Tsvetáieva)




Tsvetaeva pediu: Enterre-me no céu!
Sonhava viver mais perto do terrível falcão
Ansiava alturas para transformar-se em neve
E desmaiar em brancos flocos meio às crianças russas
Antes de a terrível guerra penetrar
Pele, ossos, vidas pequeninas
Sabia Marina da dor inexorável do adeus
Sabia que ninguém deve morrer sem conhecer:

Um boneco de neve e uma cama branca de amor


Bárbara Lia
C2H2 - Musas de Acetileno

Isso não é uma revista literária

 foto - Kátia Torres Negrisoli



A flor dentro da árvore - em um e-zine do Carlos Alberto Nascimento: Isso não é uma revista literária.

A flor dentro da árvore já deu as caras no site Meio Tom - no Site Musa Rara e mais recentemente no Portal Cronópios. O livro encerra seu ciclo de impressões com a menor tiragem. Perde para meu primeiro livro de bolso, com apenas setenta exemplares. É isto. Um registro. Uma pequena anunciação. 


http://issonaoeumarevista.blogspot.com.br/

Thursday, January 24, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno Bárbara Lia e Geisa Mueller


Leitura Poética C2H2 - dirigida por Geisa Mueller. Algumas imagens da noite das Musas de Acetileno. Um instante único. Muito feliz pelo sim da - Geisa - quando pensei em levar ao palco estas poesias novas. O resultado é aquela poesia que continua depois que a gente deixa o palco. Isto é incrivelmente indescritível. Obrigada aos que fizeram da noite das - Musas de Acetileno - este sublime momento.

arsenal poético

Gabriela Caramuru, outra musa


Querido Adriano Smaniotto, poetaço no palco


Gigio Venturelli e Ricardo Pozzo


Jota Eme e Ricardo Pozzo

Ilse Bastos, minha amiga da Banda Égide


Monday, January 21, 2013

flor cronopiana



Algumas poesias do livro - A flor dentro da árvore - no Portal Cronópios - Literatura Contemporânea Brasileira:

http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=5607

Monday, January 14, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno - Bárbara Lia e Geisa Mueller - VOX URBE - 22 de Janeiro







Musas de Acetileno*




"Em Wall Street, dos andaimes até à rua, o meio-dia escorre

Como um rasgão luminoso no acetileno celeste;"
Hart Crane

O acetileno é utilizado nos maçaricos que forjam o vidro e para forçar o amadurecimento das frutas, a composição dele é poética – C2H2 – ele tem o poder de fogo ao mesmo tempo de vida e destruição como as poetas homenageadas em algumas poesias... Além da série - Musas de Acetileno - poemas inéditos, meus e da Geisa Mueller, focando essencialmente o erótico e a solidão.
Duas Vozes da Cidade em poemas que falam de amor, solidão, morte, desejo e alumbramento. 

Dia 22 de janeiro de 2013 -  22h pontualmente  (o Wonka Bar abre suas portas às 21h) - Vox Urbe (capitaneado pelo poeta Ricardo Pozzo) - Bárbara Lia (poeta e escritora) e Geisa Mueller  (diretora artística, mediadora de leitura, poeta) com a direção de Geisa Mueller, em - C2H2 - Musas de Acetileno.

* a série +Musas de Acetileno + é uma  homenagem a Sylvia Plath, Ana Cristina Cesar, Alfonsina Storni, Pizarnik e outras...
** a imagem do flyer é Landscape - MAGRITTE. Grande Magritte!

Thursday, January 10, 2013

Videocast Curitibano no Portal Cronópios







Cronopiana desde criancinha atendi ao chamado do Pipol quando ele visitou Curitiba. Sou complicada para fotografar e filmar, gosto mesmo é de ficar longe das câmeras, mas, Pipol conseguiu captar a o meu deslocamento e fuga e na entrevista falei essencialmente sobre o meu livro - A flor dentro da árvore.
Na tarde no Museu Oscar Niemeyer passeamos pela Exposição Múltiplo Leminski, tomamos um café e falamos sobre Cronópios, Poesia e a Cidade. Nesta passagem por aqui Pipol conversou comigo, com a poeta Marília Kubota que lançou recentemente Esperando as bárbaras e com o arte-educador Joba Tridente. Gracias Pipol. Muito bom estar nesta conversa ao lado do Joba e da Marília.

Wednesday, January 09, 2013

Andorinhas e outros enganos



Voltei de Porto Alegre em dezembro com esta pequena jóia na mala. Sidnei Schneider é uma pessoa muito especial, essencial para a Literatura. Dialogamos sobre Poesia desde que nos conhecemos em um Congresso de Poesia em 1998, ele me apresentou muitos poetas. Ele foi um dos meus Mestres quando comecei a escrever e imprimir meus poemas. Metodicamente ele publica seus livros, sempre pelo selo Dahmer. Em 1999 - Plano de Navegação. Somente em 2008 outro livro de poesia - Quichiligangues. Sua estréia em livro foi com a tradução de Versos Singelos do poeta cubano José Marti em 1997. Agora a estréia - narrativa curta - com este belo livro de contos - Andorinha e outros enganos. 
No blog do Sidnei uma resenha de Carlos André Moreira para o Jornal Zero Hora:


Sunday, January 06, 2013

Os homens que não sonham - Bárbara Lia






Os homens que não sonham
(Bárbara Lia)


No duerme nadie por El cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de La luna huelen y rondan sus cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan.
(Federico Garcia Lorca – fragmento de Ciudad sin sueño)




Os homens que não sonham demolem pontes catedrais parques cânions praças
Os homens que não sonham incineram as rosas cálidas das núpcias da moça feia
Os homens que não sonham afogam pássaros em nuvens escarlates enquanto riem
Os homens que não sonham pisam prímulas pálidas em varandas centenárias
Os homens que não sonham pintam máscaras de dor em crianças, com traços de Dali
Os homens que não sonham queimam o violino roto do último anjo que passou aqui
Os homens que não sonham armazenam cédulas, pepitas, moedas, esmeraldas, royalties
Os homens que não sonham caminham vestindo Armani olhos foscos atrás dos óculos
Os homens que não sonham trituram sonhos dos reais sonhadores como quem respira
Os homens que não sonham pisam pontes de gelo e alçam asas em pássaros niquelados
Os homens que não sonham nunca leram Lorca, não sabem de Las criaturas de la luna
Os homens que não sonham pisam flores de cerejeiras - tapete aveludado - e nem rezam
Os homens que não sonham odeiam flores nascidas pós-bombas em beleza voluntariosa
Os homens que não sonham ignoram iguanas vivas seus dentes de serra e olhar de vidro
Os homens que não sonham não veem os dentes afiados de iguanas tristes na pedra fria
Os homens que não sonham ignoram a mordida de iguana e ignoram que não sonham
Os homens que não sonham fecharam a via estreita que nos aproxima de um éden
Os homens que não sonham não amam iguanas, cidades, pedras, éden, cerejeiras, anjos
Os homens que não sonham não amam nada, não tocam nada, não vivem nada...

- poesia da série AZUL DESMORONADO

Thursday, January 03, 2013

Peabiru!




Recebi do Arléto Rocha este livro. Um passeio pelas ruas da cidade da infância. Banzo envolto em Beleza. Sempre esta Poesia que salta à flor dos dias, basta rememorar Peabiru. Neste livro os rostos são conhecidos, as ruas, a Praça onde a infância encantou com os pirilampos e estrelas confundindo-se na dança da felicidade, as brincadeiras noturnas em todos os domingos após a missa. As mães nos bancos a conversar sobre a vida, as crianças a correr em alegria desmedida. Peabiru. Só quem viveu lá capta este mistério. Como se fossemos assinalados para levar costurado em cada poro um encanto. O cara da rua tem vários nomes. Em um momento é meu inesquecível e mais que amado professor José, que durante as aulas de Francês falava de sua paixão por Rosa. Assinalou em brasa a Marselhesa dentro de mim, confesso que já tropecei nas linhas do Hino Nacional, mas, gravei a Marselhesa intacta. O professor de Geografia - Nely Pinheiro, a sua alma era tão grande como seu corpo, mapa de bondade a apontar as ruas do mundo. O professor de Português - Antonio Bassi. A cada página salta um mundo inteiro de um tempo onde não existia perigo. Onde só tive medo dos tipos da cidade. Nossas mães o usavam para nos colocar medo, lá tinha um mendigo que andava com um cajado e a cada esquina ele gritava bem alto - Tirrapadinho - era assim que eu ouvia e nunca soube o que ele queria dizer com isto. Uma saudade latente de um lugar onde as noites estancavam em estrelas aturdidas, desciam ao chão e brilhavam dentro das romãs, dentro dos olhos das crianças, dentro das palavras de um poema, dentro da vontade de ser feliz, e éramos. Peabiru é o meu lugar. Saí de Assaí com três aninhos. Não recordo a cidade onde nasci. Recordo este lugar de poeira e estrelas com uma saudade de pedra.







Monday, December 31, 2012

Borges






"Deus no orvalho" é o título de uma poesia dedicada a Jorge Luis Borges que escrevi no início deste século, com o passar do tempo voltei a citar Borges em alguns poemas. Reuni estas poesias em um livro de apenas 20 páginas e este pequeno diálogo com Borges está na coleção de livros artesanais - 21 gramas. 


No Jornal Rascunho em 2003 - o poema "Deus no Orvalho"

Wednesday, December 26, 2012

2012



Sonetos no Rascunho - Março/2012

Polêmico e nosense para tantos, poético e terno para mim. Ainda bem que foi assim, só a Poesia visitou meu MUNDO - Meu pequeno santuário é a Palavra e meu coração só bate por amor extremado. Feliz 2013 e até lá.
Antologia - Amar, Verbo Atemporal
Minha Poesia "Umbrática Nuvem"
neste livro organizado por
Celina Porto Carrero
(Ed. Rocco)
                                                                            Poesias do livro - A flor dentro da árvore
                                                                                                               no site Musa Rara
                                                                                                                                                         Março/2012




Lançamento do livro
A flor dentro da árvore
Dezembro em Porto Alegre
Castelinho do Alto da Bronze


O conto "Aquela Viagem" integra a Antologia;
Ocultos Buracos - Pastelaria Editora
lançado em Lisboa em outubro/2012
Fragmento da minha poesia - Cigarras no apocalipse
n
a

Exposição: Volva
de Andrea Nardi, Eleonora Gomes,
 Lourdes Duarte, Milena Costa e Raquel Camacho.
Museu Alfredo Andersen
Muito Especial 2012 - Em Maio fui a Foz do Iguaçu - esta Maravilha da Natureza - em Agosto fui ao Rio de Janeiro para participar do lançamento da antologia - Amar, Verbo Atemporal e no início de Dezembro a Porto Alegre para lançar o meu livro de poesia - A flor dentro da árvore. Um ano lindo, pleno de horas únicas. A Poesia tem me levado a lugares, recantos, livros, encontros. Estes enumerados aqui são os de 2012. Em 2013 tem mais...
A produção literária migrou para a prosa, um romance concluído, outro iniciado. Que logo encontrem editores. A Poesia segue no ritmo poético dos trens antigos. Segue lenta e suave por uma paisagem solitária, em alguns dias me visita e em outros debanda para corações menos cansados. Bárbara Lia cansada de guerra, com a vontade de voltar a ser aquela loba, leoa, mulher que enfrentava TUDO. O tempo vem soprar esta humanidade implacável, o corpo estanca em um tempo de dor que enche o saco, mas, ao final, não impede que o verbo frutifique, que os livros aconteçam, que o poema permaneça, e que brotem nas madrugadas inconclusas, com o perfume inesquecível que só o poema tem. 


/


Visita ao Salão Internacional do Livro - Foz de Iguaçu;
Premiação Prêmio Cataratas - 2° Lugar
Maio / 2012





Monday, December 24, 2012

um poeta fictício



O personagem se chama Julio (Josep Maria Domènech) pai do personagem Juan Antonio (Javier Bardem) no filme Vicky Cristina Barcelona. Na cena onde Vicky (Rebecca Hall) e Juan Antonio chegam a sua casa, ele os recebe com entusiasmo, perguntando sempre por Maria Helena (Penélope Cruz) a ex do moço que o pai admira. O que vem a seguir é para deixar qualquer poeta pensando. Juan Antonio conta para sua acompanhante que o pai é Poeta e jamais publicou seus escritos. O pai considera que o mundo não merece a Beleza da Poesia. Penso neste poeta fictício... Ainda que ele tenha se livrado das agruras do meio literário, valeu a pena reter a Beleza? Se é que eram belos seus versos. E quanto à sua filosofia estranha? Afinal, o mundo merece ou não merece ter acesso aos versos dos poetas? E um vento provocativo rapta de um dia distante um verso que li, no tempo da felicidade, quando eu ainda não estava perdida nesta caótica arapuca que se chama - mundo literário - dois versos de Jorge de Lima, do poema n° 4 daquele livro - Anunciação e Encontro de Mira-Celi:

Os grandes poemas ainda permanecem inéditos,
e as grandes palavras dormem nas línguas secas.

2012 foi o ano polêmico. Polêmico no Jabuti, e agora com esta premiação a um livro de Drummond no Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional. Não dá para entender mais nada. Como sou quase bruxa, sabia que não devia me angustiar, gastar com inscrição para o Jabuti, tentar o Portugal Telecom ou este Prêmio da FBN que por pouco não enviei - A flor dentro da árvore. Enquanto não mudar esta postura das editoras de grande e médio porte e não passarem a publicar Poesia Contemporânea e enquanto não existir uma divulgação maior. Enquanto a Poesia seguir como este pequeno animal desconhecido, não adianta. Se pintar um Drummond na área, adeus para todos nós. Posso estar errada, mas, a maioria dos jurados gosta do que é palatável - principalmente no Jabuti. No fim de tudo o que o velho pai do moço bonito do filme fez foi precipitar o inevitável. Algum dia ele quedaria ao cansaço da falta de senso. E nem todas as mudanças e a tecnologia alteram esta verdade que evoca a 3º Lei de Newton: Toda força que um corpo recebe é conseqüência da força que ele aplicou. Se tua Poesia tem força, fique preparado para receber golpes inesperados de todo lado. Sem contar a falta de carinho e cuidado com que grande parte do mundo literário e as grandes editoras tratam os poetas deste tempo...

Tuesday, December 18, 2012

fragmento de um romance inédito








Picasso



(...)


O pesadelo da noite seguinte foi amenizado pela presença de Samuel, um rosto conhecido no meu sonho. No meu pesadelo estranho ele costurava a pele de um homem branco como a aurora, bem na altura do coração. Aos pés do homem uma infinidade de harpas negras. Os gestos de Samuel eram frenéticos. Uma agulha grande com um fio cirúrgico tecendo em ritmo alucinado uma infinidade de pequenos “xis” no peito do homem, unindo peles separadas. O sangue do homem era ralo, vermelho pálido. Eu me comunicava com Samuel qual me comuniquei com o pássaro do sonho anterior – telepaticamente. Ele me dizia que o sangue dele era ralo, pois ele era fraco como as árvores jovens. Estagnado de amar e sem coragem para nada. Samuel dizia que são os fracos que engendram o apocalipse. Que eles não dão seu sangue e ossos para o mundo, que eles não acenam para as naus que partem e nem as esperam no caís quando regressam com a vitória ou a derrota. Os fracos aceitam as marés e os ventos. Os fracos são notas musicais em uma fictícia partitura. Eles compõem a Sinfonia Negra das Vidas Perdidas. Uma lágrima caia pela face bronzeada de Samuel enquanto ele narrava. Ele segredou que odiava os fracos, os que levam a vida como quem quer se livrar dela, aqueles que aceitam os falsos dogmas para não questionar nunca. Não se debruçam sobre suas almas, não descem ao porão viscoso das verdades que cada qual guarda dentro de si. Enquanto fazia aquele pequeno sermão sobre os covardes, ele chorava. Cada lágrima fervia e evaporava como se a pele dele súbito se tornasse o Etna. Outra lágrima caiu e era granizo, mínima pedra de gelo. E então brotou a lágrima viscosa, sêmen aperolado. E o rosto dele foi sendo banhado de todo líquido, amalgamando em estrias de fogo e gelo e ao redor a vida semeada nas gotículas de sêmen. Indaguei se não se incomodava em jorrar seu sêmen pelos olhos e ele sorriu e iluminou a cena. A sutura no peito do homem branco não impediu que uma harpa rasgasse a pele logo abaixo e caísse aos pés dele eletrizando sons entre Lá e Sol. Era um trabalho vão, mas, Samuel ajoelhou-se, tomou a agulha e retomou o trabalho. Cerzia a pele rasgada com as mãos ensanguentadas e os olhos jorrando lágrimas. Lágrimas de gelo e água fervente, sêmen cristalino, visgo de orvalho, gota de chuva, neve do Himalaia, urina de pássaro, sumo de jabuticaba. Os olhos dele em uma miríade de cores em uma simbiose estranha. Após cada lágrima o rosto dele voltava a ser de novo aquela limpidez divina de pele firme e lisa, de barba recém-feita, de covinhas tentadoras, de cicatrizes eróticas.

(...)

Fragmento do romance inédito -  Bárbara Lia

(Quando descrevi este sonho da garota sem nome, o velho que tinha a pele costurada foi inspirado neste quadro de Picasso. Pensava nele enquanto escrevia sobre o homem frágil que tinha a pele rasgada por harpas negras... O livro tem como personagem central uma garota que cai de um viaduto e perde a memória, Samuel é o policial encarregado de desvendar o mistério e descobrir quem ela é... Este romance escrito neste ano tem toques de realismo mágico, a Literatura Fantástica batendo na porta... Pode entrar)


Saturday, December 15, 2012






“Toda coberta de insidioso musgo”


Sol magenta de maio
Alma dos ancestrais
No corredor
As goiabeiras
O relógio cuco
O mundo tinha musgo
No chão
Nas paredes
Nos alfarrábios
O mundo inabitado - Esquecido
Que se fecha sem ruído
Em saudade - Evapora
Azul de signos
Molhado de lágrimas

Bárbara Lia 
in A flor dentro da árvore


Wednesday, December 12, 2012

A flor dentro da árvore - poesia bárbara lia





foto - kátia torres negrisoli

O amor nos tempos do cólera

"Solitário entre a multidão do cais, dissera a si mesmo com um toque de raiva: 'O coração tem mais quartos que uma pensão de putas'." - O amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Márquez


O ano termina. Um dos momentos sublimes deste ano foi no dia das mães, no encerramento do Salão Internacional do Livro em Foz do Iguaçu onde fui receber o Prêmio Cataratas (2° lugar), ouvindo Eric Nepomuceno contar sobre a sua amizade com Gabriel Garcia Márquez. A leitura deste livro em 1995 reascendeu o meu desejo antigo de escrever romances. Aquela sensação de menina - quero narrar histórias como estas que fazem as pessoas entrarem em outro lugar e acompanhar outras vidas. A proximidade de Eric Nepomuceno com o amigo é narrada com a ternura de quem sabe que a lâmpada do tempo tem prazo de validade, para todo mundo. O que resta dos grandes escritores geniais é justamente esta vida/livro, como  se eles permanecessem vivos e eternamente ao nosso lado. Este romance em especial me cativou muito. Não consegui ficar tão deslumbrada com Cem anos de solidão. Fascinada com Florentino Ariza, seu amor secular, sua espera instigante, sua vida atabalhoada à espera de um único instante. 




Javier Barden no papel de Florentino Ariza





Bárbara Lia in Noir, sept ans plus tard:



Guardar a malha branca
Despida entre seios e dentes
- Relíquia –

Qual personagem de Garcia Márquez
Que comprou o espelho do restaurante
Na noite em que ele refletiu a amada

Tuesday, December 11, 2012

A flor dentro da árvore em Porto alegre

Os outros Quixotes do evento - dia 07 em Porto Alegre: Sandra Santos - curadora do evento - sua trajetória poética nos escritos e na vida podem ser lidos aqui - o escritor de Atos de Paixão (dramaturgia) - Túlio Henrique Pereira, cuja trajetória literária pode ser conhecida aqui - e a artista plástica Rosane Morais. E eu, com o livro de poesia - A flor dentro da árvore. 


Poetas de Poa:

Eliane Marques

Alexandre Brito


Juliana Meira

Sidnei Schneider e "A flor..."


Túlio Henrique Pereira e eu


Sunday, December 09, 2012

E a flor vai para...


Rosane Morais em sua exposição "Retrospectiva" suas obras de Arte - à flor da pele - e os meus poemas - a flor dentro da árvore. Um diálogo inesperado para mim. Ela vestia um vestido/convite. Até as pedras do pequeno castelo transpiravam poesia na noite do dia 07.



- Rosane Morais -

MPB para completar a noite no Castelinho... Renato Borba teclando... Não era noite ainda e a música enchia o ar. 



Juliana Meira - Uma poeta e(m) Flor



O Castelinho do Alto da Bronze tem duas pequenas torres. Em uma delas o Túlio Henrique Pereira com seu livro - Atos de Paixão - e na outra torre eu com - A flor dentro da árvore. Nos andares inferiores a exposição da Rosane Morais, ao lado os músicos e acima de nós um céu quase noturno que ao final da noite abençoou-nos com a chuva fina - Uma festa!


_ Pausa para um Café no Parque da Redenção com Ana Cristina Gonzales e Sidnei Schneider - Sábado para ver Porto Alegre.





                              Festa para Mãe Oxum ontem, dia 08, dia dela que é Padroeira de Porto Alegre


-flores amarelas na orla-



Túlio & Sandra e o momento de mergulhar nas raízes do Rio Grande do Sul - Maravilha!



E a flor vai para...


Em primeiro lugar uma flor para Emily Dickinson. Ao pensar - flor - vejo as pétalas vermelhas das flores do dia do evento que vieram comigo para casa. Estou aqui. Estou aqui, de novo, estou aqui. Estou em Curitiba e o cinza é para lembrar que o sol e o Guaíba e os sorrisos estão estancados no plano da memória desta viagem surpreendente. Em primeiro lugar uma flor para Emily Dickinson, que foi para ela este livro, foi por ela este livro. Em segundo lugar uma flor *livro* para Sandra Santos que há quase um ano disse - Você precisa lançar este livro no Castelinho. Os adiamentos tantos para, finalmente, lançar o livro em Poa. O convite que permitiu o encanto e os encontros. Obrigada ao Túlio Pereira, companheiro de lançamento e cafés pleno de interrogações e trocas sobre nossos possíveis passos, novos escritos e os planos... Se cada escritor pudesse fazer cair na alma dos que podem permitir estes sonhos materializados. Onde estão os Mecenas? Nunca mais um Renascimento. Não entendam Mecenas como - as leis do mecenato - é neste espaço de possibilidade que estancam os "donos do pedaço" os que não estão olhando esta fatia de ternura: dois poetas confidenciando em um café, dois escritores à beira do lago, duas mulheres tentando encenar um texto maravilhoso no palco. Haja dinheiro público vazando para quem - muitas vezes não precisa ou muitas vezes coloca ele (o dinheiro) como o fator principal de sua arte, muitos que só estão nessa por terem proteções e apadrinhamentos - Sim, eu sou radical. Sim, eu estou cansada. Cansada de ver poetaços sucumbindo ao cansaço de não encontrar a mínima alameda, nenhum caminho, nenhum lugar. Cansada de ver poetas encerrados em seu próprio ar até murcharem como as flores de estufa abandonadas, todas as portas fechadas, todas as portas...
E voltando ao Porto Alegre... Obrigada às meninas poetas - Eliane Marques e Juliana Meira. Ao Cesar Pereira que evocou os velhos dias, seus passos dentro da Poesia Concreta, na sacada de um Castelo de Pedra. Um abraço ao Alexandre Brito que evoca a densidade dos meus versos. Obrigada a todos daquele dia 07, enfim. Os fragmentos de falas a valsar como aquela chuva fina. A partilha. Uma carícia essencial do Sidnei Schneider e da Ana Cristina Gonzales que foram anfitriões em um sábado lindo, um amigo de ouro o Sidnei, contemplar o Rio Guaíba, sentar em um café no Parque da Redenção e encontrar - ao acaso - Armindo Trevisan. Ganhar de presente uma aula sobre Arte, assim, em uma tarde de sol, diante de uma catedral gótica. Ah! O lançamento. Dois autores, uma artista plástica, muitos risos, a chuva que nos pega de surpresa ao final da festa. Comemorar. Comemorar. As imagens? Sim - As fotografias. Por enquanto alguns momentos que registrei. Dentro em breve mais imagens do evento.

182 anos do nascimento de Emily Dickinson nesta segunda-feira.
92 anos do nascimento de Clarice Lispector. 
Aniversário da Sandra Santos no dia do evento.
E eu me sinto presenteada. 

O lançamento foi especial, loas à Poesia, Pura alegria.
Ah! e os músicos com Renato Borba enriqueceram a noite com a mais bela MPB.
E burburinhos de chuva & champanhe.
Passos de fantasmas de outro tempo.
Poesia em pequeno castelo de pedras.
Sem Pedra no Meio do Caminho.
Quase um ano da impressão de _ A flor dentro da árvore_ 
E a quem ofereço estes versos arquitetados dentro do silêncio? Ao sublime arquiteto que neste momento está deslocando as estrelas para compor suas curvas nos astros. Uma vontade de dizer: Niemeyer, que pena que não somos eternos. Isto causa esta dor e estranheza, merecias a eternidade neste mundo... 
Mais fotos dos lançamentos - de "A flor dentro da árvore" e "Atos de Paixão" de Túlio Henrique Pereira. Imagens da Exposição Retrospectiva de Rosane Morais, assim que possível.


La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...