Sunday, September 03, 2006
diwan
Saturday, September 02, 2006
Darwich

- Na noite de poesia e música árabe, lerei poesias de Mahmoud Darwich, e o escasso tempo nestas semanas, deixou em suspenso a tradução de uma poesia - O inverno de Rita - Rita, a amada judia de Darwich, um longo e belo poema, com um fragmento abaixo. Esta poesia não irá ao recital, quem sabe em uma próxima noite.

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.www.icarabe.org
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semelhante ao pensamento de uma louca, e dos cavalos que se suicidam
no final do hipódromo.
Rita bebe o chá matutino
e a primeira maçã com seus dez lírios
Me diz:
Não leia agora os jornais, os tambores são os tambores
e a guerra não é meu ofício. Eu sou eu. Tu és tu?
Eu sou
o que te vê qual gazela atirando suas perólas
o que vê seu desejo correndo atrás de ti qual torrente,
o que nos vê perdidos em unicidade sobre a cama
e em divergência, como a despedida dos desconhecidos no porto. O exilio nos leva
em seu vento, como folhas, e nos atira em hotéis de estrangeiros
como cartas lidas depressa.
Me levarás contigo?
Serei o anel de teu coração despido? Me levarás contigo?
Serei teu traje em países que te criaram para derrubar-te
serei um cofre de boa erva que levarás em tua morte
e tu serás meu, vivo ou morto.
O guia está perdido, Rita,
E o amor, como a morte, é uma promessa sem devolução ou prazo de validade.
Rita me prepara o dia
qual perdiz que ondula acima em seus sapatos de salto alto.
Bom dia, Rita,
e nuvens azuis para os jasmins de tuas axilas.
Bom dia, Rita.
e frutas para a luz da manhã. Rita, bom dia.
Rita, retorna a meu corpo para que as agulhas
dos pinhos descansem um pouco em meu sangue abandonado. Sempre que
abraço a torre de marfim, fogem de minhas mãos as pombas.
Ela diz: Regressarei quando os dias e os sonhos mudarem. Rita. É longo
este inverno e nós somos o que somos.
eu sou,
essa que vendo-te pendurado em uma cerca, abaixou-se junto a ti e vedou tuas feridas.
Com sua lágrima te lavou, antes de cobrir-te de açucenas,
e passastes entre as espadas de seus irmãos e a maldição de sua mãe. Eu sou eu e ela.
Porém tu és tu?
Sunday, August 27, 2006
um poema
lava & enxágua
a m’água
me faz leve – grua -
origami na tua pele nua
até Allah, do outro lado da rua,
dá uma trégua
dentro do verde água
nosso amor flutua
apaga lampiões, acende a lua
verde água
verde água
a cor da doçura tua.
BÁRBARA LIA
Friday, August 25, 2006
Frei Betto

Thursday, August 24, 2006
nosso aniversário
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
Paulo Leminski
ALHAMBRA
Grata la voz del agua
a quien abrumaron negras arenas,
grato a la mano cóncava el mármol circular de la columna,
gratos los finos laberintos del agua
entre los limoneros,
grata la música del zéjel,
grato el amor y grata la plegaria
dirigida a un Dios que está solo,
grato el jazmín.
Vano el alfanje
ante las largas lanzas de los muchos,
vano ser el mejor.
Grato sentir o presentir, rey doliente,
que tus dulzuras son adioses,
que te será negada la llave,
que la cruz del infiel borrará la luna, que la tarde que miras es la última.
Jorge Luis Borges, Granada, 1976
*
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Monday, August 21, 2006
Borges

Friday, August 18, 2006
michel sleiman
Pego-me a colher o eco da onda quebrada já sem espuma
no instante sem tempo entre o escuro e o primeiro raio
pedra bêbada da água marinha
gasta mas ainda sedenta por cantoria
do ir-e-vir do grande ventre do mar, fêmea prenhe
ferida pelos dentes de Netuno.
Ó mar de esbelta figura
acossada pela loucura do sal excessivo...
queriam-te a concha do molusco
a escama do peixe
o couro da baleia
a areia a calçar o leito do monte invertido no fundo
queriam-te...
Manhã.
Foi levado à escola
- forçoso rito da civilização.
Levado no colo da menina guardiã.
Ali, no mar desencontrado das ondas
dos anfíbios sobre rodas...
deixou-se ir por tais ondas
a ouvir a sereia nas cordas dos anjos
o menino Tiago de 30 meses
confundiu o sangue na baba do mar
Ó mar queria-te a lágrima de Iemanjá riseira...
Por que Antígona ali assaltou a cidade
grito engolido pelo freiar no asfalto?
Michel Sleiman
Michel Sleiman leciona Literatura Árabe na USP.
Tuesday, August 15, 2006
no banheiro um espelho trincado

DE NEUSA SUELI PRA VADO, CARINHOSAMENTE
Baseado na peça Navalha na Carne, de Plínio Marcos
não me importa, Vado, que você ande com outras putas
enquanto cato pulga na cama
como quem tira bolinha do velho suéter
cheirando a veneno pra baratas
enquanto cato
pela manhã após a lida
migalhas de pão dormido
humanamente possível graças
a um gole de café preto requentado
migalhas que junto
minuciosamente
que nem uma carreira pra você
carinhosamente
sobre a mesa nua
rabiscada de desenhos obscenos e palavrões
feitos em dias felizes
com esmalte de unha e faca de espalhar manteiga
dias felizes em que você
de cueca camuflada e botas de vaqueiro
me dava pontapés nas canelas
me pegava pelos cabelos e...
Vado, serei sempre a sua puta
a mais velha delas
um exemplo
Sérgio Mello
(Ciência do Acidente, 2.004)
Monday, August 14, 2006
Elegia tardia
O pai abrindo a cripta pequena
No terceiro degrau da escada
Escura
- Venham dizer adeus ao irmão!
Pedro nunca entrou na nossa casa;
Pedro nunca saiu do meu coração
A mãe procurando a tosca cruz
O coveiro confirmando o despejo
Pedro virou pedra revirada
Despejados os seus ossos
Com mortalha de nuvens e tudo
A mãe sugada
- Olhar de pedra fria-
No redemoinho da certeza
Da iniquidade da pobreza
As estrelinha fraturadas
Que me espiam em noites
De êxtase ou de amargura
São ossinhos de Pedro
- O anjo despejado -
Bárbara Lia
Saturday, August 12, 2006
AS ROSAS MORTAS A ME CONTEMPLAR
Quando eu era menina
tinha medo da cortina
que lembrava
Era adornada de pecado,
rosas em gritos menstruais
sangrando folhas descomunais.
Durante o dia, eram bizarras;
na noite me assombravam
formando rostos
na contra luz da lua azougue.
Eu farfalhava no colchão,
cerrava os olhos,
me encolhia em posição fetal.
Nunca disse à irmã ao lado,
nem à mãe
(que trocaria a cortina, para minha paz).
Eu nasci de frente para os fantasmas.
Contemplo.
Não expulso.
Não acendo a lâmpada.
Enfrento.
No quarto escuro
(agora da alma)
os mil rostos
de rosas mortas
a me contemplar.
BÁRBARA LIA
Monday, August 07, 2006
Stuart Angel

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Stuart Angel
- I.
Emfim te vejo! — emfim posso,
Curvado a teos pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pezar de quanto soffri.
Muito penei! Crúas ancias,
Dos teos olhos afastado,
Houverão-me acabrunhado,
A não lembrar-me de ti!
Friday, August 04, 2006
DIANTE DA JANELA, O ROSEIRAL - BÁRBARA LIA - O SAL DAS ROSAS
Testamento
enterrado
À sombra do
roseiral:
Deixo meu violão para a balconista da padaria
A erva benta para a
velha do sobrado
A chaleira que chia
Villa-Lobos
Para Frei Gustavo, que
costura almas
Nas manhãs de
quarta
O livro de poesia de Augusto dos Anjos
Para o cobrador do
expresso 022
Assinado: A menina dos olhos tristes
Chico me chamava de Carolina
Mas era só um disfarce
Sou eu a menina
Que viu o tempo passar na janela
Sem ver
O sal das rosas
Lumme Editor
Thursday, August 03, 2006
Orgasmos de íris - Bárbara Lia
Teus olhos enlaçavam os meus
Em orgasmos de íris
Inflorescência de estrelas
Sempre acordo antes do sol
Agora - que comecei a te amar -
Amanheço antes que o dia
Espanto as Bacantes gélidas
Que seguem o perfume da tua pele -
lírio do recomeço -
Pedras destilam a bílis
E a mágoa vai vazar em áridas notas
De um blues sem juízo
As sapatilhas – talismã – azuis
Seguem-te em paralela senda
A dez centímetros e um véu
O mar recua ante teu passo
Estátuas vertem suor ao teu lado
Dentro o sol não te permite sombra
...E teus olhos enlaçavam
Meus olhos
Em orgasmos de íris
BÁRBARA LIA
NOIR
Wednesday, August 02, 2006
ICARABE
CARTA AOS CINEASTAS PALESTINOS E LIBANESES
Na ocasião da abertura da Bienal do Cinema Árabe em Paris (22 de julho de 2006)
Monday, July 31, 2006
Vinícius

"Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?"
Vinícius - simples assim - Vinícius apenas, o corpo todo que ri a alma toda que voa o coração que não cessa de amar, infinito sempre, olhar que acende lá no fundo do poeta a luz-farol da busca, pescando musas pela vida, amando-as enquanto há amor para dar, procurando - a eterna primavera prá só depois morrer - foi feliz? como chico diz no documentário, a felicidade... se o fosse não buscaria em ânsia embebida em uisque o amor. O que se tem ao final do filme VINÍCIUS é um desejo de VIVER, de viver a poesia, mais que escrevê-la viver na noite na boêmia na indignação na partilha, quem disse que um boêmio não pode escrever em refinada dor uma Rosa de Hiroshima, um Orfeu Negro, um canto de beleza aos orixás, quem diz que um boêmio não sabe que o homem é acima de tudo quem olha e fica indignado, que se magoa, que chora de saudade do primeiro amor, que na velhice ainda diz de quantas vezes teve vontade de bater à porta daquela que foi entre todas as amadas a mais amada e pedir um colo - orgulho de dois lados pode destruir mesmo um paraíso - e o medo, ele teve medo, ele disse. Lindo Vinícius, me fez ter vontade de balançar na lua, aquela lua em formato de rede de luz, aquela lua que por vezes me acena como se valsar no universo infinito fosse possível, dormir ao som do bandolim das estrelas, lembrar o tempo em que tínhamos um violão uma saudade e uma garota de Ipanema, e um poeta, sem frescura, um poeta na carne, na alma, na ânsia de vida que vida sem ânsia não é nada.
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz
Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor
Vinícius de Moraes
Direção: Miguel Faria Jr. Roteiro: Miguel Faria Jr. e Diana Vasconcellos, com colaboração de Eucanaã Ferraz Produção: Miguel Faria Jr. e Susana Moraes
Elenco
Friday, July 28, 2006
memórias de uma gueixa


Thursday, July 27, 2006
Livro do Desassossego
"Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições."
"Uns governam o mundo, outros são o mundo."
Fragmentos:
Livro do Desassossego
ÁTICA, LISBOA, 1982
BERNARDO SOARES
(um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Wednesday, July 26, 2006
Líbano

SOB O CÉU DO LÍBANO
(Le Cerf Volant, de Randa Chahal Sabbag, LIB/FRA, 2003)
A atriz Flávia Bechara que interpretou Lamia no filme.
Vi recentemente este filme e sonho que as crianças do Líbano possam sair livres de casa para soltar pipas.
Monday, July 24, 2006
agenda
TERÇA 25 julho 2006:
Porão Loquax especial com Microfone Aberto
Traga seus textos ou de autores que você gosta e venha ler no Porão Loquax.
entrada R$1,99
WONKA BAR - Trajano Reis, 326
CARPINEJAR LANÇA LIVRO EM CURITIBA
NO CANAL FUTURA:- no dia do escritor 25/07:
- 20h30m -Todas as Letras (Monteiro Lobato)
- 21h30m - ao vivo, o Sala de Notícias em Debate, que discute a profissão de escritor no Brasil.
- 22h30m - Todas as Letras - segunda parte (Fernando Pessoa)
e encerra com umas palavras - Bia Correa do Lago entrevistando Jostein Gaarder, autor de - O livro de Sophia *
Durante a programação do dia do escritor uma série de interprogramas que homenageiam o escritor Mário Quintana. As peças foram produzidas pela UPF TV, a televisão da Universidade de Passo Fundo, parceira do Canal Futura.
http://www.futura.org.br/main.asp
Saturday, July 22, 2006
Amigos
CAFÉ COM MELADO
o sábado acordou
com céu cor de caramelo
eu fui tomar café
e lembrei do Mano Melo
MÁRIO PIRATA
OFERENDA
pequena e maluca
daquelas que cirandam
nas saias das ciganas
e caem
penduradas da ponta dos cabelos
das mulheres apaixonadas e menstruadas
dia desses te dou uma estrela
maluca e pequena
MÁRIO PIRATA
site do Mário Pirata, poeta, artesão e brincadeiro, de Porto Alegre
http://www.ailha.com.br/mariopirata/
La nave va...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
-
INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...


