
Saturday, July 12, 2008
Meu tio herói de guerra

Thursday, July 10, 2008
Tábula Rasa
Tuesday, July 08, 2008
Para Camille, com uma flor de pedra

À sombra da noite clara
Latona no meu encalço
Espectros da última primavera
O Rio Loire um duplo do Aqueloou
Meu Monte Sípilo é Ville-Èvrard
Onde endureço carne e alma
Delírios brancos, visões:
Escunas leves com velas de vidro
E tombadilho de pétalas
Estilhaçam na roupa cinza
Ferem-me, beijam-me – qual o amor
Meu ódio espelha o trágico
Anseio que o mundo petrifique
Qual Zeus petrificou Tebas
Sonho com o anjo da restauração
Acordo. Nada se restaura
Tudo igual:
Cama dura de ferro
Urinol fétido, trincado
Três tâmaras secas
Dois gatos no cio a quebrar
O silêncio arredio da madrugada
Os loucos acordam com vislumbres de luz
- Átimo de lucidez.
Acenam lenços de seda à Latona fria
Choram um beija-flor e já no corredor
Vestem o olhar vazio.
Andam autômatos como rios mortos
Deságuam cinzas
No jardim de Ville-Èvrard.
BÁRBARA LIA
http://www.saldaterraluzdomundo.net/literatura_po_b%E1rbara_Lia.htm
Em fevereiro passei alguns dias e noites atada à alma de Camille Claudel, ela enreda os signos e sua vida, neste mergulho na vida de Camille senti a dor dela, tão profunda que me deixou prostrada. Na página da jornalista Ana Lucia Vasconcellos, link acima, algumas poesias destes dias, que eu vesti a pele de Camille. Quando ela foi atirada em um asilo de loucos pela família, quando perdeu o amante Rodin, sofreu um aborto, e naufragou em um tempo dolorido. As esculturas de Camille são poesias que espelham sua dor, enredadas com signos, e nesta troca de experiências, além do tempo, que não existe tempo, tentei dar voz à Camille... Nióbide Blessé, ou Níobe ferida, é uma das esculturas na qual me debrucei para escrever - Para Camille, com uma flor de pedra...
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Níobe, a irmã de Pélops, saiu da Ásia para se casar com outro filho de Zeus, Anfíon, famoso músico que reinava em Tebas. Teve muitos filhos e filhas (a quantidade varia conforme a fonte), e estava tão orgulhosa e feliz com sua prole que cometeu o erro de declarar-se superior à deusa Latona, que tivera somente dois filhos, Apolo e Ártemis.
A deusa se ofendeu e pediu aos filhos que a vingassem. Apolo matou então, com suas flechas, todos os rapazes; Ártemis fez o mesmo a todas as moças. Níobe, cheia de dor, voltou para a Ásia e tanto chorava que os outros deuses se apiedaram dela:
- o rio que nasceu das lágrimas de Níobe é o Aqueloou
Monday, July 07, 2008
Sunday, July 06, 2008
Poesia morta - Céu Fuligem - Sol Negro



Crucificar a alma da rosa
no caos do sangue
de uma geração
que é sombra em si.
No limiar do céu
a rosa mística
abre apenas
para Beatriz.
Liberar o humano
só quando o Verbo
ungir as catedrais
e os estádios
e molhar as aquarelas
e os palcos
e o negro silêncio profundo
dos megabytes.
inocência morta
lírio em chamas
corvos
vermes
lodaçal
cheiro acre
que atravessa o mundo
feito fumaça
anjos desertores
choram
a morte da insana poesia
cavam olhares e bombas e notícias
e o rosto do cavaleiro branquelo
do apocalipse -
olhar de horror fragmentado
que desfaz a poesia em cinzas
-brancas cinzas de areia-
pode que floresçam em rosas do avesso
pode que o fantasma da poesia fique
e pague o preço
CÉU FULIGEM
era de aquarius
nuvens negras
Saturday, July 05, 2008
Rimbaud
Todo sol é dolente e amargo todo luar.
O acre amor me fartou de torpores, demoras.
Oh, que meu casco estale! Oh, que eu me lance ao mar!
Se desejo da Europa uma água, é a poça estreita,
negra e fria, onde à luz de uma tarde violeta
um menino agachado, entre tristezas, deita
seu barquinho, a oscilar como uma borboleta.
Imerso em languidez, não posso transcender
o rastro, ó vagas, dos que levam algodões,
nem dos pendões o orgulho e das velas vencer,
nem já nadar sob o olho horrível dos pontões.
Thursday, July 03, 2008
Cássio Amaral
Tuesday, July 01, 2008
O rasurado azul de Paris
Friday, June 27, 2008
Thursday, June 26, 2008
Dans l'air
Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência
Tínhamos a mesma impaciência
– Rimbaud e eu –
Por isto
Pisamos telhados
Ao invés do chão
Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos
Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe
- Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade.
- Bárbara Lia
(O rasurado azul de Paris -
poemas para Arthur Rimbaud)
Tuesday, June 24, 2008
O encontro perfeito
Sean Connery - Rob BrownEm uma fusão perfeita, o encontro de Forrester com o menino coloca nos trilhos duas vidas e libera o oxigênio e acende a chama.
Quero luz!
- A hipocrisia é a arte de amordaçar a dignidade.
- O homem que pensa com a própria cabeça e a sombra que reflete pensamentos alheios parecem pertencer a mundos distintos. Homens e sombra: diferem como o cristal e a argila.
- As sombras não crêem.
- Quem marcha em direção de uma luz não pode ver o que ocorre na sombra.
- A mediocridade teme o digno e adora o lacaio.
- Poucos sonhadores encontram um clima e uma ocasião que lhes exalte a genialidade. A maioria é vista como exótica e inoportuna...
José Ingenieros (Giuseppe Ingegneri )
Palermo, 24 de abril de 1877 — Buenos Aires, 31 de outubro de 1925
Luz, quero luz
Para quem viaja ao encontro do sol
É sempre madrugada
Helena Kolody
Lendo – O homem medíocre – José Ingenieros (Livraria do Chain Editora) neste inverno rigoroso é mais ou menos como tomar um chá de uma erva rara. Um vento de fogo no frio, estas horas santas em que um livro te sacode e te dá forças para mais um tanto de caminho. Longo caminho este, serpenteado de sustos. Mas, buscando sempre, cavando sempre a rocha escura. Lembrei a canção do Chico, a poesia de Helena Kolody: Quero luz!
Monday, June 23, 2008
Bem-te-vi

Ramagem arranha janela.
Sonho:Aeroporto fantasma.
Espíritos de náufragos do Titanic.
Ku Klux Klan ateando fogo ao enforcado.
Seqüência horripilante:
A mulher sem olhos na cama,
entre lençóis úmidos de chuva.
Acordo com o bem-te-vi
na manhã de sol
na mesma paisagem.
BÁRBARA LIA
(O sorriso de Leonardo - Kafka ed baratas - 2004)
Sunday, June 22, 2008
La Furia Roja
Friday, June 20, 2008
Sakountala

Cinzel de prata esculpindo pés
Cada fagulha vermelha
um fio de cabelo do amado
Cinzel de prata treme
acende astros
de um azul escuro
em meu olhar algodão
Rodin!
Rodin!
Tantos pés teci
em mármore angustiado
-trilha de pés moldados-
esquerdo / direito
esquerdo / direito
esquerdo / direito
Tantos pés
emprestei-te
para ter-te assim
ajoelhado
enlaçado
abismado
abandonado
Augusto espectro
de fogo
onde queima
a aurora
Sei!
Tudo isto
é mármore!
Mas, antes
foi carne
vermelho abandono
amor petrificado
Antes do fim
às margens
do Rio Loire
nossa carne carmim
foi mármore.
I had my way.
I trusted a king
And put myself in his hands.
He had a honey face and a heart stone
(She covers her face with her dress and weeps)
- Calidassa –
Tuesday, June 17, 2008
Dios en el rocio
(para Jorge Luis Borges)
Jardín perfumado de Istambul.
Sol intolerable besa la rosa azul
en el florero blanco. Dos perros de
color de la luna
alrededor.
Tus ojos se pierden en la rosa desnuda.
Ojos del color del Mar Caspio en la aurora.
Gota del rocío baila en el pétalo.
Cristal.
Punto en el espacio – Aleph
descortina el universo.
Sueños enjertados de sol, desiertos,
aromas, fauna, primaveras, tormenta.
Todo el universo en gota clara
que cubre la rosa. Las lágrimas
bajan solar al labio carmesí
y el pecho arde de amor y luz.
BÁRBARA LIA
Monday, June 16, 2008
Sunday, June 15, 2008
Tratado dos anjos afogados
.
Conversa sobre poesia e literatura com minha amiga a escritora Bárbara Lia no msn :
Marcelo diz:
Olá meu anjo...
Bárbara Lia diz:
oi, tudo bem contigo?
Marcelo diz:
Estou no meio de um romance..chamado TRATADO DOS ANJOS AFOGADOS e você..escrevivendo muito?
Bárbara Lia diz:
Eu estou dodói, escrevendo um romance e algumas poesias...
Bárbara Lia diz:
Como é que a gente afoga anjos?
Bárbara Lia diz:
Ou como a gente desafoga anjos?
Marcelo diz:
É sobre cantores de blues e sambistas que nunca gravaram discos e outras figuras meio parecidas comigo e contigo...artistas em estado puro e bruto..flores selvagens do Ártico
Bárbara Lia diz:
Gostei disto, de ser uma flor selvagem, acho até que vou escrever uma poesia, acho que
Bárbara Lia diz:
Sou mesmo uma flor selvagem,
Bárbara Lia diz:
Eu gosto de blues, e de música sempre, de boa música,
Marcelo diz:
Vou te enviar uma cópia...
Marcelo diz:
Também amo o blues.
há uma corrente secreta ligando o blues e o samba da velha guarda...
Bárbara Lia diz:
Gostaria sim, de ler,
Marcelo diz:
Você está escrevendo um romance? sobre o que?
Bárbara Lia diz:É policial, e infanto-juvenil...
Bárbara Lia diz:
...
Marcelo diz:
hum..policial..oba! adoro Simenon..e Chesterton
...
Bárbara Lia diz:
Falta muito prá concluir,
Bárbara Lia diz:
Eu sou muito tímida prá falar sobre o que escrevo e não sou tão
Bárbara Lia diz:
Erudita...
Bárbara Lia diz:
Minha poesia é mais rica que a prosa, é o que penso...
Marcelo diz:
Talvez não exista a prosa..e tudo seja a poesia sob diversas formas..está será apenas uma questão formal num futuro breve.daqui há cinco minutos...
Bárbara Lia diz:
Na verdade eu acabo sempre misturando e minha prosa é muito poética, e minhapoesia acaba sempre contando alguma história, não é abstrata...
Marcelo diz:
O Lobo Antunes chama os romances dele de poemas..e a vocação da poesia sempre foi essa de desmistificar o real
Bárbara Lia diz:
Ou produzir uma nova realidade, é o que eu tento...
Bárbara Lia diz:
Mas, não sou muito teórica,
Bárbara Lia diz:
Eu sou a bruta flor, quer dizer, selvagem ainda, eu só sei sugar da rocha, a seiva, e não tenho nenhuma teoria... tenho uma ligação com ALGO, que me nutre, eu não sou minha poesia, sou só a condutora
Bárbara Lia diz:
Mas, não sou muito teórica,
Marcelo diz:
O Guimarães Rosa dizia a mesma coisa...
Será que há algum mistério no 'Ato em si' da escritura.
de um poema ou romance?
Bárbara Lia diz:
Há mistério em tudo...
Bárbara Lia diz:
Não tem nada a ver com mediunidade, mas, de uma aspecto mais sublime, como se fossemos mesmo antenas da raça, como dizia Pound...
Marcelo diz:
Vou colocar esse nosso papo no meu blog...posso?
Bárbara Lia diz:
Que responsabilidade!
*
A ESFINGE NA NÉVOA
Quando a alma
fala
já não fala a alma.
Se o corpo é sua escada
a língua é por onde
ela escapa?
Jamais sairemos
desse labirinto
de falsos silêncios;
Então, por que não cantamos
enquanto afundamos?
Ou por que não nos calamos,
até o fim da névoa
do labirinto
e do silêncio torpe?...
Se a canção da Ursa Maior
não nos alcança,
afundar no canto ausente
das sereias de antes,
e apesar da vitória
deste abismo em nós
de nossa secreta Ítaca
não estamos tão distantes.
Ítaca dentro de nós:
A torre, a amada a fiar o manto,
o cão cego e fiel,
a mesa, o vinho...
Ítaca – a felicidade-
escondida no mar de abismos
e nos labirintos de sal
- nossa casa-alma:
Esfinge na névoa
que sempre encontramos
no final.
BÁRBARA LIA / MARCELO ARIEL
Thursday, June 12, 2008
Poesia na sala de aula
VIOLETAS BRANCAS
Saturday, June 07, 2008
a Rodin
Sakountala - Camille Claudel
Durmo nua todas as noites na ilusão de que está a meu lado,mas quando acordo já não é mais a mesma coisa.
Um beijo
Camille
.
Sobretudo, não volte a me enganar.
(Camille Claudel 1891)
.
- Sakountala, que Camille concluiu em 1.888, foi a escultura/poema do tempo de felicidade, ainda. Após romper com Rodin ela seguiu com esculturas/poemas que delatavam a dor da perda e uma angústia em pedra - L'âge mur, La implorante, Hamadryade, Le dieu envolé e outras...
Junho tem muitos corações bregas na tv e em toda parte, esta ilusão fóssil de que todos os amores são leves voejantes e cor-de-rosa. O de Camille por Rodin retrata a impotência de uma mulher brigando com furor pela sua arte, e sendo descartada, assim, atirada ao asilo de loucos por trinta anos. O que aconteceu à Camille foi um dos grandes ultrajes à alma feminina, um abandono, como é o subtítulo da escultura - Sakountala - o abandono. Para qualquer um, ainda neste milênio, o espanto se instaura quando uma mulher toma as rédeas de seu querer, proclama seu desejo, desnuda-se em poesia, esculturas, ou de qualquer forma. Rodins ainda existem. E isto é uma pena. Camille pagou um preço alto demais por esta liberdade furiosa. Em uma carta Rodin a chamava - Minha furiosa amiga.
Friday, June 06, 2008
a Diego Rivera
"9 de novembro de 1951Menino-amor. Ciência exata.
vontade de resistir vivendo
alegria saudável. gratidão infinita
Olhos nas mãos e
tato no olhar. Limpeza
e maciez de fruta. Enorme
coluna vertebral que é
base para toda a estrutura
humana. Um dia veremos, um dia
aprenderemos. Há sempre coisas
novas. Sempre ligadas à
antiga existência.
Alado - Meu Diego meu
amor de milhares de anos.
Sadga. Yrenáica
Frida.
DIEGO"
- FRIDA KAHLO -
La nave va...
Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie
“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...










