A conquista de Montese - tela A. MartinsDavid Carneiro
A conquista de Montese - tela A. Martins

À sombra da noite clara
Latona no meu encalço
Espectros da última primavera
O Rio Loire um duplo do Aqueloou
Meu Monte Sípilo é Ville-Èvrard
Onde endureço carne e alma
Delírios brancos, visões:
Escunas leves com velas de vidro
E tombadilho de pétalas
Estilhaçam na roupa cinza
Ferem-me, beijam-me – qual o amor
Meu ódio espelha o trágico
Anseio que o mundo petrifique
Qual Zeus petrificou Tebas
Sonho com o anjo da restauração
Acordo. Nada se restaura
Tudo igual:
Cama dura de ferro
Urinol fétido, trincado
Três tâmaras secas
Dois gatos no cio a quebrar
O silêncio arredio da madrugada
Os loucos acordam com vislumbres de luz
- Átimo de lucidez.
Acenam lenços de seda à Latona fria
Choram um beija-flor e já no corredor
Vestem o olhar vazio.
Andam autômatos como rios mortos
Deságuam cinzas
No jardim de Ville-Èvrard.
BÁRBARA LIA
http://www.saldaterraluzdomundo.net/literatura_po_b%E1rbara_Lia.htm
Em fevereiro passei alguns dias e noites atada à alma de Camille Claudel, ela enreda os signos e sua vida, neste mergulho na vida de Camille senti a dor dela, tão profunda que me deixou prostrada. Na página da jornalista Ana Lucia Vasconcellos, link acima, algumas poesias destes dias, que eu vesti a pele de Camille. Quando ela foi atirada em um asilo de loucos pela família, quando perdeu o amante Rodin, sofreu um aborto, e naufragou em um tempo dolorido. As esculturas de Camille são poesias que espelham sua dor, enredadas com signos, e nesta troca de experiências, além do tempo, que não existe tempo, tentei dar voz à Camille... Nióbide Blessé, ou Níobe ferida, é uma das esculturas na qual me debrucei para escrever - Para Camille, com uma flor de pedra...
________________________________________________
Níobe, a irmã de Pélops, saiu da Ásia para se casar com outro filho de Zeus, Anfíon, famoso músico que reinava em Tebas. Teve muitos filhos e filhas (a quantidade varia conforme a fonte), e estava tão orgulhosa e feliz com sua prole que cometeu o erro de declarar-se superior à deusa Latona, que tivera somente dois filhos, Apolo e Ártemis.
A deusa se ofendeu e pediu aos filhos que a vingassem. Apolo matou então, com suas flechas, todos os rapazes; Ártemis fez o mesmo a todas as moças. Níobe, cheia de dor, voltou para a Ásia e tanto chorava que os outros deuses se apiedaram dela:



Sean Connery - Rob Brown

(para Jorge Luis Borges)
Jardín perfumado de Istambul.
Sol intolerable besa la rosa azul
en el florero blanco. Dos perros de
color de la luna
alrededor.
Tus ojos se pierden en la rosa desnuda.
Ojos del color del Mar Caspio en la aurora.
Gota del rocío baila en el pétalo.
Cristal.
Punto en el espacio – Aleph
descortina el universo.
Sueños enjertados de sol, desiertos,
aromas, fauna, primaveras, tormenta.
Todo el universo en gota clara
que cubre la rosa. Las lágrimas
bajan solar al labio carmesí
y el pecho arde de amor y luz.
BÁRBARA LIA
.
Conversa sobre poesia e literatura com minha amiga a escritora Bárbara Lia no msn :
Marcelo diz:
Olá meu anjo...
Bárbara Lia diz:
oi, tudo bem contigo?
Marcelo diz:
Estou no meio de um romance..chamado TRATADO DOS ANJOS AFOGADOS e você..escrevivendo muito?
Bárbara Lia diz:
Eu estou dodói, escrevendo um romance e algumas poesias...
Bárbara Lia diz:
Como é que a gente afoga anjos?
Bárbara Lia diz:
Ou como a gente desafoga anjos?
Marcelo diz:
É sobre cantores de blues e sambistas que nunca gravaram discos e outras figuras meio parecidas comigo e contigo...artistas em estado puro e bruto..flores selvagens do Ártico
Bárbara Lia diz:
Gostei disto, de ser uma flor selvagem, acho até que vou escrever uma poesia, acho que
Bárbara Lia diz:
Sou mesmo uma flor selvagem,
Bárbara Lia diz:
Eu gosto de blues, e de música sempre, de boa música,
Marcelo diz:
Vou te enviar uma cópia...
Marcelo diz:
Também amo o blues.
há uma corrente secreta ligando o blues e o samba da velha guarda...
Bárbara Lia diz:
Gostaria sim, de ler,
Marcelo diz:
Você está escrevendo um romance? sobre o que?
Bárbara Lia diz:É policial, e infanto-juvenil...
Bárbara Lia diz:
...
Marcelo diz:
hum..policial..oba! adoro Simenon..e Chesterton
...
Bárbara Lia diz:
Falta muito prá concluir,
Bárbara Lia diz:
Eu sou muito tímida prá falar sobre o que escrevo e não sou tão
Bárbara Lia diz:
Erudita...
Bárbara Lia diz:
Minha poesia é mais rica que a prosa, é o que penso...
Marcelo diz:
Talvez não exista a prosa..e tudo seja a poesia sob diversas formas..está será apenas uma questão formal num futuro breve.daqui há cinco minutos...
Bárbara Lia diz:
Na verdade eu acabo sempre misturando e minha prosa é muito poética, e minhapoesia acaba sempre contando alguma história, não é abstrata...
Marcelo diz:
O Lobo Antunes chama os romances dele de poemas..e a vocação da poesia sempre foi essa de desmistificar o real
Bárbara Lia diz:
Ou produzir uma nova realidade, é o que eu tento...
Bárbara Lia diz:
Mas, não sou muito teórica,
Bárbara Lia diz:
Eu sou a bruta flor, quer dizer, selvagem ainda, eu só sei sugar da rocha, a seiva, e não tenho nenhuma teoria... tenho uma ligação com ALGO, que me nutre, eu não sou minha poesia, sou só a condutora
Bárbara Lia diz:
Mas, não sou muito teórica,
Marcelo diz:
O Guimarães Rosa dizia a mesma coisa...
Será que há algum mistério no 'Ato em si' da escritura.
de um poema ou romance?
Bárbara Lia diz:
Há mistério em tudo...
Bárbara Lia diz:
Não tem nada a ver com mediunidade, mas, de uma aspecto mais sublime, como se fossemos mesmo antenas da raça, como dizia Pound...
Marcelo diz:
Vou colocar esse nosso papo no meu blog...posso?
Bárbara Lia diz:
Que responsabilidade!
*
Sakountala - Camille Claudel
“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...